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Quantos trabalhadores poderão ser substituídos por robôs nos próximos anos?

Economistas mostram que o cenário é mais sombrio do que eles mesmos previram no passado.

Parece inevitável a caminhada do mundo para a robotização do trabalho. Isso já vem acontecendo há décadas na indústria. Agora, a invasão das máquinas começa a se insinuar por profissões nas quais parecia impossível obter êxito, como o jornalismo, por exemplo. Não há mais área imune ao avanço da tecnologia, seja ela um autômato bípede ou uma inteligência artificial disponível na nuvem. Nossos empregos correm perigo?

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Exterminador de empregos

De acordo com um estudo feito pelos economistas Daron Acemoglu (M.I.T.) e Pascual Restrepo (Universidade de Boston), o estrago é grande. Nos Estados Unidos, para novo robô introduzido na manufatura, seis trabalhadores perdem seus empregos (dentro de um universo de mil), e o salário cai até 0,75%. Pode parecer pouco, mas estima-se que 670 mil empregos deixaram de existir no país entre 1990 e 2007, por culpa da robotização da indústria. A tendência é que esse quadro piore ainda mais, já que a expectativa é que o número de autômatos quadruplique nos próximos anos. Outro achado importante do estudo é que a automação é a maior responsável pelo desemprego da classe média americana, o que contraria a ideia de que os empregos dos EUA foram "exportados" para linhas de produção na China e no sudeste asiático.

Morte do otimismo

A pesquisa recente de Acemoglu e Restrepo contraria previsões anteriores deles próprios. No ano passado, a dupla publicou um artigo no qual faziam um exercício de futurologia. Eles acreditavam que os empregos perdidos seriam substituídos por funções em outras áreas (como programação, por exemplo), e eventualmente o mercado de trabalho se estabilizaria e as novas vagas compensariam as perdas imediatas e os salários se recuperariam. A dupla baseada em Massachussetts não é a única a prever catástrofes. Carl Frey e Michael Osborne, da Oxford Martin School, no Reino Unido, afirmam que quase metade dos empregos dos Estados Unidos (47%) estão ameaçados. O número chega a 57% quando se leva em conta os países desenvolvidos. O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2020, haverá a perda de 5 milhões de postos em 15 países desenvolvidos. A Organização Internacional do Trabalho fala em 137 milhões de empregos (56% da força de trabalho) perdidos em países em desenvolvimento ou pobres. Diversos intelectuais e ativistas do mundo da tecnologia publicaram um manifesto em 2015 mostrando preocupação com as consequências nefastas que a inteligência artificial pode ter no futuro do trabalho.

Perigo na área

O cenário é bastante sombrio, é verdade. Mas os especialistas avaliam que algumas áreas serão mais prejudicadas enquanto outras sobreviverão ao apocalipse robótico do trabalho. As chances maiores de extermínio estão concentradas em empregos com atividades repetitivas, realizadas em ambientes controlados. Caminhoneiros, controladores de tráfego aéreo, trabalhadores da indústria e cirurgiões são apenas alguns dos que podem ser substituídos pela tecnologia em breve. De acordo com a consultoria PwC, há uma grande variação na porcentagem de perda de empregos de acordo com a área econômica em questão. A manufatura (46%) e o transporte (46%), por exemplo, sofrerão mais; a educação (9%) e a saúde (12%), menos.

Renda mínima e educação

Podemos fazer algo para evitar o que parece ser uma catástrofe anunciada? Como evitar que milhões de pessoas se vejam na rua amargura por culpa da tecnologia? Algumas alternativas já estão sendo avaliadas por quem estuda o assunto. Uma maneira de minimizar os efeitos da robotização seria dar a todos os cidadão uma renda mínima, esteja ele empregado ou não. Também há quem acredite que a educação precise estar focada nas áreas chamadas de Stem (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). O mundo tem de formar profissionais que estejam preparados para administrar linhas de produção e sistemas de serviços automatizados, já que a maior parte das vagas estará nessas áreas. Seja qual for o cenário no futuro, a realidade é que o mundo do trabalho está começando a passar por uma mudança tão radical quanto aquela trazida pela Revolução Industrial do século 18. Sentir seus efeitos é uma questão de tempo.

Diogo Antonio Rodriguez é jornalista e editor do meexplica.com. Na colunaMotherboard Destrincha, ele resume os assuntos mais intrincados da ciência e da tecnologia. Siga-o no Twitter.