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Funcionários da Huawei têm alegadamente trabalhado com o exército chinês ao longo da última década

Este artigo foi originalmente publicado na VICE News.

Funcionários da Huawei terão trabalhado em estreita colaboração com os militares chineses durante pelo menos a última década, para desenvolver tecnologias que pudessem ser usadas para recolher informações sobre os cidadãos. De acordo com documentos que estão disponíveis ao público, estes trabalhadores colaboraram com o Exército de Libertação do Povo (PLA) num projecto para extrair e classificar emoções em comentários de vídeos online. Trabalharam ainda numa iniciativa com a elite da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa para explorar formas de recolher e analisar imagens de satélite e coordenadas geográficas.

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Revelados em primeira mão pelo Bloomberg, os documentos dão mais credibilidade às alegações da Casa Branca de que a Huawei é uma potencial ameaça à segurança nacional dos EUA devido à sua estreita relação com os militares chineses – especialmente depois de um relatório publicado na última quarta-feira, 26 de Junho, mostrar que a segurança dos equipamentos da Huawei é muito mais fraca do que a dos seus concorrentes.


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Ao longo da última década, pessoas identificadas como funcionários da Huawei terão colaborado com investigadores militares em pelo menos 10 projectos de investigação. Os nomes dos funcionários da Huawei e o nome da empresa foram listados com destaque no topo dos relatórios de investigação. A Huawei nega que tenha trabalhado em estreita colaboração com o ELP, alegando que estes indivíduos estavam a operar a título pessoal quando conduziram as investigações.

“Que eu saiba, não temos projectos de cooperação militar, porque somos uma empresa dedicada a fornecer sistemas de comunicação e soluções de (informação e tecnologia de comunicação) para uso civil”, avançou Song Liuping, director jurídico da Huawei, à CNBC. E acrescentou: “A Huawei não personaliza produtos nem fornece pesquisas aos militares. Não temos conhecimento dos documentos publicados por alguns funcionários. Nós não temos tais projectos de investigação conjunta com o ELP”.

Mas, os desmentidos da Huawei provavelmente não serão ouvidos em Washington, onde oficiais da Casa Branca estão a ler o relatório publicado na quarta-feira, que conclui que o equipamento de rede da Huawei é mais vulnerável do que o dos seus concorrentes. “Descobrimos que existiam centenas de casos de possíveis vulnerabilidades de backdoor – configurações padrão impróprias, que poderiam permitir que a Huawei ou um invasor mal-intencionado acedessem secretamente ao dispositivo de um utilizador”, conclui o relatório da empresa de segurança cibernética Finite State, do Ohio, EUA.

O relatório não chega a dizer que a Huawei construiu propositadamente backdoors nos seus produtos e não aborda as alegações de que a empresa realiza vigilância electrónica em nome do governo chinês.

No seio da administração Trump, o relatório é visto como uma justificação da campanha para banir a Huawei dos EUA e encorajar os seus aliados a fazer o mesmo. “Este relatório vai de encontro à nossa avaliação de que, desde 2009, a Huawei tem mantido acesso secreto a alguns dos sistemas que instalou para clientes internacionais”, disse um funcionário da Casa Branca ao Wall Street Journal.

Como parte da sua repressão à gigante de telecomunicações chinesa, a Casa Branca proibiu empresas norte-americanas de venderem tecnologia norte-americana à Huawei, embora fabricantes de chips dos Estados Unidos, incluindo Intel e Micron, tenham encontrado lacunas na lei para poderem continuar a vender centenas de milhões de dólares em componentes à Huawei, de acordo com uma reportagem do New York Times.

De acordo com o Wall Street Journal, a Huawei estará no centro das conversações entre Donald Trump e Xi Jinping, na Cimeira do G-20, amanhã, sábado, 29 de Junho, no Japão. Entre as condições prévias para qualquer acordo para resolver a guerra comercial EUA-China, Xi planeia exigir que Trump acabe com a proibição. “Pedimos aos Estados Unidos que cancelem imediatamente as suas medidas de pressão e sanção contra a Huawei e outras empresas chinesas e escolham o desenvolvimento estável e saudável das relações comerciais entre a China e os EUA”, salienta Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio, em declarações prestadas à imprensa na quinta-feira, 27 de Junho.


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