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As políticas surreais da tentativa do ‘Fortnite’ de parodiar o comercial ‘1984’ da Apple

O comercial #freefortnite da Epic flopou mesmo, ou era voltado para um público diferente do jogador de Fortnite típico?
19.8.20
Screenshot from "Nineteen Eighty-Fortnite," the Bright Bomber skin from Fortnite, characterized by it's bright colors and rainbow shirt, is holding a unicorn pickaxe, standing in a gray drab industrial building flanked by gray avatars sitting in rows, sta
Imagem cortesia da Epic Games.

De toda a treta jurídica acontecendo entre a Epic Games e a Apple na última semana, um dos momentos mais bizarro foi o lançamento do “Nineteen Eighty-Fortnite”, uma paródia dentro do jogo do famoso comercial “1984” da Apple. Na época, a Apple estava criticando o monopólio de computação da IBM.

Como a maioria dos jogadores de Fortnite nasceu uma década depois que o comercial foi ao ar, é fácil questionar a escolha de fazer essa referência específica. Discutimos o comercial, as ramificações legais e econômicas do processo, “escolher um lado” quando corporações brigam, e os games que estamos jogando neste episódio de Waypoint Radio. Leia um trecho e ouça o episódio completo abaixo.

Rob: Uma pergunta pra vocês, eles estão realmente usando crianças como armas? Vi o comercial e pensei “A garotada realmente se identifica com isso?”

Austin: Não. Acho que eles falharam aqui, mas o objetivo era fazer a #freefortnite entrar nos trending topics.

Rob: Acho que [o comercial] era voltado para os políticos.

Austin: Acho que era para os desenvolvedores.

Rob: Ou você é um nerd da tecnologia tipo “Piratas do Vale do Silício é meu filme favorito, cara, vamos misturar Piratas do Vale do Silício com Steve Jobs!”

Patrick: Leia o que Tim Sweeney escreveu sobre política e você consegue ver a linha de pensamento para ele achar “é, o comercial 1984, inteligente”, e isso desmorona imediatamente sobre qualquer escrutínio real das políticas que eles estavam tentando mostrar. Quer dizer, talvez seja algo voltado para os políticos, não sei. 

Austin: Acho que era voltado para os jornalistas, tentando virar notícia às 16h de uma quinta-feira. É tipo um click bait, tipo “olha o que eles estão tentando fazer!”

Patrick: É uma ideia inteligente, mas a coisa que eles apresentaram é péssima. Mas olhando agora pra tudo que aconteceu naquele dia, mesmo que logo ficou claro que era tipo uma arte performática até certo ponto, quando foi a última vez que vimos algo assim? Posso pegar alguns dos objetivos deles e algumas das consequências disso, mas pelo que sei, não lembro da última vez que vi algo se desenrolar assim.

Austin: Não, eu vi a luta aqui, entende o que eu digo?

Patrick: O espetáculo da coisa.

Rob: Você chamou de uma obra!

Austin: Chamei de uma obra, era uma obra! Imediatamente, assim que o comercial foi pro lado do vídeo 1984, pensei “Ah, é uma obra”. E é um bom truque, a coisa incrível do Tim Sweeney basicamente chegando e mostrando uma camiseta NWO por baixo? Mas não quer dizer que se estou ao mesmo tempo reconhecendo isso como uma obra, significa avaliar isso naquele nível e não avaliar no nível de todo mundo aqui sendo completamente sincero ou que não há sinceridade aqui.

Patrick: E essa é a questão, quando saiu o comercial, ver certos membros da comunidade de videogames imediatamente começarem a usar a hashtag, tipo: “peraí, gente? Não, né”.

Austin: Sim, eu não quero ler outros tuítes, eu não vou entrar nesse jogo, mas sabendo que algumas pessoas–

Patrick: Não, não vamos entrar nessa. Faça seu próprio trabalho!

Rob: Só estou dizendo que, naquele final de semana, conferindo a hashtag, não parecia que os jovens tinham se juntado à revolução.

Austin: Não, porque eles não entenderam a referência, eles acharam brega, e todos eles querem que seus pais consigam um trabalho de novo!

Patrick: Além disso, o que a garotada deveria fazer aqui, não há realmente um chamado para ação no vídeo, você não vai ligar para o seu congressista, o que você deve fazer?

Rob: O sunrise movement mas para IPs.

Patrick: É isso que quero dizer! Eles provavelmente estão numa conta da família na loja de aplicativos. Para quem eles vão reclamar, eles vão marcar a Apple no Twitter? A garotada não usa Twitter! Eles estão no TikTok!

Austin: TikTok #freefortnite.

Rob: O comercial é totalmente sobre Geração X e boomers que se importam com a mística da Apple, e eles realmente pensaram que, a menos que você esteja se iludindo, eles sabiam que a garotada não ia entender a referência mas esse não era o ponto. O ponto era chamar atenção dos jornalistas ou pessoas da comunidade de tecnologia no Capitólio, pelos menores padrões de alfabetismo tecnológico do Capitólio, e apontar pra eles, tipo, “Ei, a Apple costumava ser legal, a Apple costumava se colocar como uma inovadora contra abuso dos monopólios, e agora eles são só mais um fendendo a monopólio”. E acho que essa era a única mensagem real aqui. Se isso deveria levar a garotada pras ruas, parece que não funcionou.

Ricardo: No TikTok, algumas das hashtags nos trendings agora: #Actionlines tem 5,7 milhões de visualizações. #rockingincollege tem 17,5 milhões. Estou dizendo isso para estabelecer uma base. #freefortnite não está tecnicamente nos trendings agora, mas teve 90,6 milhões de visualizações.

Austin: Ah, tudo bem.

Ricardo: Sim, então talvez eles estejam usando uma plataforma diferente.

Austin: Fiz um link para essas hashtags para vocês estudarem. Algumas são só vídeos de Fortnite.

Ricardo: Sim, essa é a questão, eles não dizem nada sobre o comercial, mas estão usando a hashtag, fazendo parecer que tem muita gente falando sobre isso.


Essa transcrição foi editada para maior clareza. O que foi discutido: Epic processa a Apple 1:20, Microsoft Flight Simulator 39:14, Take on Helicopters 1:05:33, Blasphemous 1:14:22, Remnant: From the Ashes 1:18:07, e-mails 1:25:29.

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