Sexo

Como masturbar uma mulher: conselhos de mulheres lésbicas para homens heterossexuais.

Um artigo dedicado a todas as mãos masculinas que já me decepcionaram.
ilustração por Kim Cowie
03 April 2020, 11:10am
Fingers and fruit illustration

Este artigo foi publicado originalmente na VICE UK.

Como mulher bissexual, as pessoas que melhor me puseram os dedos foram mulheres, não homens. Há muitos homens que não sabem o que estão a fazer: já dei por mim, várias vezes, a olhar para o tecto, a rezar para que existisse uma bíblia de masturbação para os ensinar e emendar todos os erros, para acabar de vez com os arranhões de gato.

A minha mãe sempre me disse “se queres uma coisa bem feita, fá-la tu”. Não acho que ela estivesse a falar de masturbação – apesar de eu ser muito boa nisso – mas, neste caso, interpretei o conselho como sendo “faz um guia gráfico de masturbação que ela não vai querer ler, mas vai ficar orgulhosa que tenha sido publicado”, então falei com algumas lésbicas para conseguir conselhos certificados de como pôr os dedos.

O consenso geral é que, tal como todo o esperma é sagrado, todas as vaginas – ou rabo (não esquecer a porta dos fundos) – são diferentes. Por isso, o que funciona para uma pessoa pode ser desconfortável e doloroso para outra. Como em todas as boas quecas, a comunicação e o consentimento são a melhor maneira de agradar a tua parceira. Dito isto, há alguns passos básicos que toda a gente pode seguir para garantir uma masturbação de sucesso.

A primeira dica e, possivelmente, a mais vital, é preparação. Não te preocupes, não tens que fazer flexões com os dedos nem nada do género, só mesmo usar o bom senso, ou seja, CORTA AS UNHAS! Quem nunca ficou com os lábios vaginais magoados por causa de unhas (normalmente de um gajo que usa sandálias o ano inteiro e grava covers dos The Prodigy)? Se bem que, segundo me disse a Miranda, de 26 anos, esse não é um problema só dos homens. “Já fui arranhada por mulheres com unhas demasiado compridas”, contou-me. “Nada te corta o ambiente como alguém em modo Eduardo Mãos de Tesoura no teu pipi.”

Como mulher de unhas compridas que já foi tocada por algumas mulheres, também eu sugiro investir em luvas de látex. Além de ser uma óptima barreira protectora para pôr os dedos, usar luvas na cama significa que não precisas desistir das tuas unhas de gel.

A pior sensação do mundo é a de pôr ou tirar um tampão. O mesmo se pode dizer de um dedo. Se a passagem não está lubrificada, evita enfiar seja o que for – mas lá por não estar completamente molhada, não quer dizer que não lhe apeteça ou saiba bem. Se tiveres a certeza de que ela quer os teus dedos dentro dela (comunicação!) apesar de não estar muito molhada, põe um bocadinho de lubrificante antes de deslizares um dedo para dentro dela.

Ainda nesta questão, o segundo conselho é que te informes sobre as muitas variedades de lubrificantes disponíveis, para escolheres o melhor produto para vocês. Diferentes lubrificantes têm diferentes bases e atendem a necessidades diferentes. Enquanto lubrificante à base de silicone pode ser melhor para o rabo, não deve se usado com a maioria dos brinquedos eróticos (já que pode danificar o plástico fantástico do teu vibrador). Se estás a brincar exclusivamente com uma vagina, lubrificantes à base de água são perfeitos para manter o pH equilibrado e tratar secura vaginal.

Também é fundamental salientar que a penetração não é a única coisa que a masturbação envolve. Charlotte, de 27 anos, até sugere que “pôr os dedos não deve ser uma imitação da penetração” e contou que a única vez que deixou um homem meter-lhe os dedos, ele cometeu o erro de “enfiar os dedos como se me estivesse a penetrar com o pénis”. Menos delicada, a Miranda descreveu a sua experiência com a técnica de dedos de um homem como tendo sido, basicamente, “facadas com o dedo”.

Para muitas mulheres cis – incluindo eu – um simples dedo não é suficiente para ter um orgasmo. Apenas 25% do sexo vaginal penetrativo leva ao orgasmo. Por isso, para garantir o prazer da tua miúda, recomendo vivamente que dês muita atenção ao clitóris (GENTILMENTE). Dito isto, alguns argumentam que o orgasmo vaginal é a mesma coisa que o clitoriano, apenas estimulado desde ângulos diferentes, por isso aperfeiçoares como usas os dedos no clitóris e no túnel do amor é de igual importância. Felizmente, as nossas lésbicas podem cobrir todos os ângulos.

Alex – minha ex – deu um conselho específico: “Queres acertar no ponto G (um ponto a alguns centímetros no fundo e acima da entrada da vagina) ou, se quiseres tentar imitar penetração, usa algo maior do que dedos e pressiona para baixo enquanto colocas e tiras”.

Mas, como toda a gente que viu a segunda temporada de Sex Education sabe, uma fórmula de masturbação nem sempre vai funcionar a seu favor. Quando o Otis conta à Ruthie, a lésbica de Sex Education, sobre o método do relógio, ela ri-se na cara dele. Alex, uma das lésbicas deste artigo, concorda: “O pior erro é seguir uma rotina e achar que isso me vai fazer vir. Tens que ouvir o corpo da pessoa, que cada dia irá reagir de forma diferente, trabalhar com aquilo a que ela for respondendo positivamente”.

Amelie, 22 anos, deu o mesmo conselho. “Não pegues num sinal e aches que é só isso. Só porque gemi uma vez não significa que deves repetir a acção agressivamente até eu me vir”, disse-me. “Dedos é uma questão de variação! Aquele movimento de enfiar/girar/dobrar que fizeste uma vez foi divertido, mas as coisas só continuam divertidas quando temperadas com outros movimentos.”

Seguir o ritmo do oceano foi mencionado por todas como uma habilidade-chave, mas ter alguns truques na manga pode ser a diferença entre acariciar as dobras e conseguir um “meh” e fazer uma vagina jorrar. Se fores um homem habituado a masturbar-se, Alex aconselha-te a “pensar no clitóris como um mini-pénis e interagir com ele assim”.

“Apesar de só veres a ponta, não pares ali”, explicou ela. “Mistura esfregar e acariciar o clitóris, com rodá-lo gentilmente entre as pontas dos dedos. Assim estimulas mais do que apenas a superfície. E podes massajá-lo com os lábios que o rodeiam.”

Depois de vos entregar toda esta variedade de conhecimento de como pôr os dedos, achei que seria agradável terminar este artigo com uma nota romântica. Uma das pessoas que entrevistei, Amelie, contou-me que a vez que ela mais gostou de ser masturbada não teve a ver com técnicas, mas com a atmosfera.

“A minha melhor experiência com dedos, na verdade, não envolveu realmente muitos dedos”, explicou. “Ela deitou-me e enfiou os dedos em mim lentamente, o que foi muito sexy, óbvio – mas o resto foi, principalmente, provocar-me: contacto visual, sussurrando-me ao ouvido. Isso tornou as coisas muito mais quentes e deixou-me mais excitada para quando, finalmente, ela enfiou os dedos. Às vezes, a melhor coisa na masturbação é tudo o que vem com à volta, não a mastirbação em si.”


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