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Vice Blog

Aprendemos a fazer ecstasy falso

Pelos menos estás safo da malária.

Por VICE Staff
02 Outubro 2013, 4:13pm



Nas redondezas de Lombok, na Indonésia, existem três ilhas chamadas Gilis. Trata-se de um pequeno arquipélago paradisíaco onde nada acontece. Não existem veículos motorizados e os poucos carros que por ali andam são puxados por cavalos. E, ao contrário do que se passa em Bali, o país vizinho, não há polícia, apenas algumas visitas policiais, feitas de dois em dois meses feitas por equipas da polícia de Lombok.

Tudo isto parece muito bem porque, apesar das drogas serem ilegais na Indonésia, estão por todo o lado e em qualquer parte das Ilhas Gilis. Se te apanham a tentar fumar erva no país, podes por vir a ser condenado à pena de morte por fuzilamento de um pelotão. Mesmo assim, em Gili Trawangan, a ilha mais desenvolvida do arquipélago, consegues encontrar em qualquer loja batidos de cogumelos mágicos ou, desde que peças com jeitinho, outras coisas de interesse.

Há uns meses estive em Trawangan e fiz-me rapidamente amigo dos gajos que fazem o negócio local. O Gilbert, um miúdo, pequeno mas forte, de 23 anos, aproximou-se de mim na rua principal para me perguntar se precisava de ecstasy. Acho que ninguém precisa de ecstasy, mas fiquei ali a ouvir uma lista de nomes das pastilhas que eram populares em Jacarta nesse momento, antes de termos a certeza de que não nos estava a enrolar.

Um dos meus amigos tinha acabado de comprar "Pink Love" no meio da rua a outro habitante da ilha, por isso disse ao Gilbert que já estava servido. Mas aquele cabrão insistiu tanto em ver as pastilhas que o meu amigo tinha acabado de comprar que nós acabámos por deixá-lo vê-las. Depois de ver, o miúdo disse ao meu amigo que não eram boas. “Essas cenas são falsas”, garantiu, “posso fazer umas iguais em dez minutos”.

Ainda que tenhamos ficado fodidos por saber que o meu amigo tinha sido enganado e que lhe tinham vendido pastilhas falsas, percebi que teria a oportunidade de ver exactamente como se fazem estas pastilhas, o que até acabaria por ser mais divertido que tomar as tais pastilhas falsas e passar toda a noite à espera que fizesse efeito. Depois de 15 minutos a tentar convencê-lo para que nos mostrasse como se fazem (e depois do meu amigo lhe ter prometido comprar-lhe todas as cenas a ele enquanto estivéssemos por lá), o Gilbert aceitou mostrar-nos como se faz.



Durante o caminho, parámos duas vezes. Na primeira vez recolhemos os ingredientes: um marcador vermelho, comprimidos para a malária e um ovo. Na segunda pausa, o Gilbert arranjou alguns “remédios” que o iriam ajudar a convocar os “espíritos” que, por sua vez, o iriam ajudar na confecção. Os remédios eram, na maior parte, metanfetaminas. Mesmo assim, não fazia a menor ideia sobre os espíritos com quem ele queria falar.

Depois de andar 30 minutos no meio de um bosque, chegámos a um pequeno quarto com um colchão individual e uma lâmpada. Sentámo-nos no chão e o Gilbert começou a usar os seus ingredientes, garantindo que podia igualar qualquer droga no mercado (diz que já o faz desde miúdo e que sabe como o negócio se faz). Basicamente, os turistas querem curtir e ele ajuda-os. Às vezes vende drogas verdadeiras, outras vezes vende drogas falsas. Tudo depende da situação.

Antes de começar a trabalhar, o Gilbert fez um cachimbo de metanfetaminas com uma garrafa de plástico e duas palhinhas. Depois de soltar uma nuvem de fumo, disse-nos: “Preciso de ter o espirito dentro de mim para fazer estas coisas.” A verdade é que foi um bocado estranho ouvi-lo a dizer isso. Talvez tenha sido uma desculpa para fumar. Enfim, depois de ter invocado os espíritos, os seus olhos brilhantes procuraram as pastilhas para a malária e começou a desfazê-las.

Ingredientes para fazer um substituto de ecstasy à moda do Gilbert:

  - Cinco comprimidos para a malária (ou qualquer comprimido que seja branco)
  - Um marcador vermelho
  - Um ovo branco
  - Uma palhinha
  - Um lápis para fazer a imagem na pastilha (neste caso foi um coração)



Primeiro passo: Com um pequeno recipiente (como por exemplo uma caixinha metálica de pastilhas de menta) esmaga os comprimidos para a malária até que fiquem feitos em pó.

Segundo passo: Mistura o ovo com o pó dos comprimidos e mexe até ter ficar com uma consistência espessa.



Terceiro passo: Parte o marcador vermelho e espreme toda a tinta para a mistura. Mexe de novo até ficar com a cor que desejas. 

Quarto passo: Deita a mistura numa superfície plana e enrola-a até ficar com pouco mais de meio centímetro de grossura. 

Quinto passo: Usando a ponta de uma palhinha, faz buracos nessa mistura, criando pequenas “pastilhas”.



Sexto passo: Com a ponta de um lápis faz um pequeno coração em cada uma das pastilhas.

Sétimo passo: Carimba suavemente o topo de cada pastilha com o lápis, deixando assim imprensa a imagem de um coração.

Oitavo passo: Deixa secar as pastilhas durante 10 minutos.



Depois de vinte minutos e um par de bafos de espirito metanfetaminico, o Gilbert tinha produzido um punhado de pastilhas idênticas às verdadeiras, mas que de nenhuma forma seriam ecstasy verdadeiro. Agora podia vendê-las nas ruas de Gilo por um equivalente a 15 euros. No final ainda soltou uma gargalhada e disse: “Talvez isto não te faça sentir nada, mas pelo menos não apanhas malária.”  

Nota: Este artigo só serve para te informares. Não tentes fazer nada do que leste aqui.

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