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Tecnologia

Como Vestígios de Vida em Marte Podem Surgir de um Meteorito

O meteorito marciano Nakhla é o saco sem fundo da astrobiologia. Será que tem mais coisa lá dentro?

Ok, o termo "notável estrutura ovoide biomórfica" pode não soar muito como uma vida extraterrestre, mas o trabalho de astrobiológos geralmente envolve busca em amostras de minérios marcianos e seus rastros terrestres para descobrir pistas bem sutis. E minúsculos bolsões de argila encontrados em um meteorito marciano podem ser uma dessas pistas: uma estrutura com a forma de uma célula biológica distinguível.

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A estrutura ovoide em questão foi encontrada no meteorito marciano Nakhla, descoberto no Egito em 1911. Ele começou a dar pistas tentadoras sobre nosso vizinho vermelho bem antes de lançarmos nossa primeira sonda marciana, incluindo estruturas que dão indícios sobre a presença de água e, possivelmente, vida em Marte.

O meteorito continua a ser objeto de pesquisa até hoje, obviamente, e a estrutura ovoide é um novo achado, descrito por uma equipe da Universidade Técnica Nacional da Grécia na mais recente edição da revista científica Astrobiology. A maior parte dos materiais de argila compreendidos no meteorito – e, portanto, o ambiente geológico de onde o meteorito marciano veio – permite observações bem únicas.

"Argilas constituem um importante grupo mineral cujas condições de formação dão significantes pistas não só de presença de água, uma vez que argilas são minérios hídricos, mas também da fonte, tipo e volume dos fluidos, além da cronologia e condições da alteração mineral primária", explica o estudo. "Mais importante ainda (e relevante na astrobiologia de Marte) é a noção de que minérios de argila podem fornecer indícios que pertencem a processos geológicos que são potencialmente associados a atividade biológica."

Microfotografias feitas em plano da luz polarizada da estrutura ovóide em Nakhla / Ian Lyon et al

Exames profundos das microestruturas encontradas na argila marciana podem dar "bioassinaturas de textura e de componentes químicos". Isso quer dizer que as estruturas encontradas na estrutura do Nakhla envolve algum "evento de choque", comMicrofotografias luz transmitida tomadas em plano da luz polarizada (Nicols descruzou) da estrutura ovóide em Nakhla / Ian Lyon et alo o impacto de um asteroide, que aqueceu a região ao redor do futuro meteorito, derretendo o solo congelado e resultando em "intrusão aquática" nos materiais de argila que, por fim, chegariam ao Egito.

A pesquisa descreve três cenários abióticos (sem vida) possíveis para a formação da estrutura ovoide: corrosão hidrotermal de uma estrutura mineral já existente; precipitação de novas estruturas durante o impacto (ampliando algum efeito pré-existente); ou palagonização, um processo envolvendo a interação de água e lava. Enquanto essas são possibilidades maiores que alguma ação biológica, essa ainda é uma possibilidade.

"Levamos essa investigação até a origem da estrutura ovoide no Nakhla porque sua forma evidentemente arredondada tem alguma coisa remanescente de um microorganismo celular terrestre", dizem os autores do estudo. Entre os problemas mais imediatos, contudo, está o tamanho errado das formas ovoides. Apesar de "abundantes evidências" do Nakhla de que há pré-condições para a presença de vida, o "ovoide é muito largo e supõe-se que microorganismos marcianos sejam qumiotróficos e, portanto, provavelmente muito pequenos".

O estudo conclui que uma "consideração de possíveis cenários bióticos para a origem da estrutura ovoide no Nakhla atualmente carece de evidências convincentes". A disponibilidade de estruturas ao redor – acumuladas através de análises intensivas envolvendo microscópio eletrônico, raio X e espectroscopia – indica, em vez de processos abióticos, ausência de vida. No fim das contas, entretanto, isso também não descarta a possibilidade de uma atividade biológica nos materiais que deram origem ao meteorito. Só não é o caso de vida pra valer dessa vez.