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Na Bélgica, manifestantes de extrema-direita sequestraram uma homenagem às vítimas dos ataques de Bruxelas

Centenas de pessoas vestidas de preto gritando mensagens xenofóbicas e fazendo saudações nazistas entraram em confronto com a polícia em evento neste domingo (27).
28.3.16
Foto por Olivier Hoslet/EPA.

No domingo (27), centenas de manifestantes de extrema-direita sequestraram um evento em homenagem às vítimas dos ataques terroristas a Bruxelas, gritando mensagens xenofóbicas, fazendo a saudação nazista e provocando mulheres muçulmanas que estavam entre os espectadores.

A polícia belga entrou em confronto com o grupo de extremistas, muitos usando máscaras e casacos pretos. A polícia usou canhões de água para dispersar a multidão, que o canal belga RTBF estimou entre 500 a 1000 pessoas. Pelo menos dez pessoas foram presas.

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O evento de domingo, realizado na Place de la Bourse em Bruxelas, pretendia homenagear os 28 mortos nos ataques de 22 de março com flores e velas. O Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados.

A RTBF informou que o grupo de extrema-direita "confiscou" a vigília, pisoteando as flores e gritando "É por sua causa", culpando o influxo de refugiados na Bélgica e outros países da Europa pelos ataques. Uma faixa dos manifestantes dizia "Unidos contra o Estado Islâmico".

O primeiro-ministro belga Charles Michel condenou os protestos. "É altamente inapropriado que os manifestantes tenham perturbado a paz em Bourse", ele disse segundo a Belga News Agency.

Yvan Mayeur, prefeito de Bruxelas, disse que ficou "chocado" com "os canalhas que vieram provocar os moradores em seu evento". Ele disse que muitos dos manifestantes vieram da Antuérpia e outras cidades do país.

A popularidade dos grupos de extrema-direita na Bélgica e Europa cresceu na esteira dos ataques terroristas de novembro passado a Paris. Muitos dos grupos vendem a narrativa de que militantes estão se passando por refugiados da Síria, Iraque e outros países em guerra. Apesar de muitos suspeitos dos ataques de Paris e Bruxelas terem viajado para a Síria, todos os perpetradores identificados até agora eram de nacionalidade francesa e belga. Um passaporte sírio foi encontrado perto de um dos homens-bomba de Paris, mas as autoridades suspeitam que o documento foi roubado ou falsificado.

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Os moradores de Bruxelas tinham planejado originalmente uma "Marcha Contra o Medo" no domingo, mas o evento foi cancelado no sábado a pedido do ministro do interior belga, que disse que a polícia e outras forças de segurança já estavam sobrecarregadas com os ataques de semana passada. "Entendemos completamente essas emoções", disse o ministro do interior Jan Jambon no sábado. "Entendemos que todos querem expressar seus sentimentos."

Enquanto isso, a polícia belga realizou mais 13 batidas no domingo, detendo mais pessoas para interrogatório como parte das investigações dos ataques terroristas.

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Tradução: Marina Schnoor

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