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Μodă

Edição de Foto Extra - Nus Sem Tattoos

A fotógrafa Angela Boatwright me chamou para posar para um editorial de moda para a Edição de Foto da Vice. Eu já tinha feito vários trabalhos de moda mas nenhum foi tão divertido quanto ficar pelada com um monte de meninas no loft do Spencer Sweeny em...

A fotógrafa Angela Boatwright me chamou para posar para um editorial de moda para a Edição de Foto da Vice. Eu já tinha feito vários trabalhos de moda mas nenhum foi tão divertido quanto ficar pelada com um monte de meninas no loft do Spencer Sweeny em Nova York – ele não teve o prazer de ver seu apartamento cheio de meninas prestes a ficarem nuas, ele foi banido.

A Angela tinha me falado por telefone que o editorial seria sobre acessórios –garotas usando nada além de cintos e sapatos. Só tinham duas regras: nada de tattoos e nada de pelos. Sabendo que eu tenho uma diversidade de tatoos de gosto duvidoso, a Boatwright supôs que eu não ia gostar de tê-las removidas no Photoshop. Ela estava errada. Cada uma das minhas seis tattoos foi feita quando eu tinha entre 18 e 19 anos e, como a maioria das adolescentes, eu tinha certeza que meu gosto era atemporal. Nove anos depois eu sinto um certo constrangimento com as imagens “clássicas” de pin-ups nas minhas costelas, de uma adaga perfurando uma rosa no meu antebraço, andorinhas no meu peito e uma caveira gigante com asas de borboleta, que infelizmente incorpora todos os clichês de tatuagem reunidos.

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A caveira parece com uma máscara de luta livre mexicana rodeada por chamas, socos-ingleses, coroas, cartas de baralho, teias de aranha e, incompreensivelmente, uma flor de lótus. O que eu tinha na cabeça? Às vezes eu paro pelada na frente do espelho e fico imaginando como seria o meu corpo intocado por uma agulha, então a oportunidade de me ver nua, sem as tatuagens, era legal. Quando ela disse que queria que eu usasse um cinto de balas então, fechei na hora.

Com minha obsessão típica, fui a segunda a chegar (a maquiadora já tinha ficado mofando na entrada do prédio por alguns minutos). Aos poucos todo mundo começou a chegar e Boatwright me disse que eu seria a primeira a ser fotografada. Gulp! Anette, a produtora de moda, separou um monte de sapatos e de cintos, eu fiquei enlouquecida mas nem pude aproveitar pois o cinto que eu ia usar já tinha sido escolhido e eu acabei usando os meus próprios sapatos. Fizemos uma segunda opção de foto com um cinto preto e branco e saltos vermelho da Miss Sixty, mas não rolou.

Eu não entendo nada de maquiagem, mas curto bastante roupa. Eu fico meia hora escolhendo a roupa perfeita e saio de casa toda descabelada e de cara limpa. Conseguir alguém para me maquiar é um deleite, e para o artista também, provavelmente - eu não tenho preferências; você pode fazer praticamente o quiser comigo que eu vou topar. Agora, mesmo não tendo nus frontais, eu estava ansiosa com as fotos. A ideia de aparecer na locação peluda foi desesperadora, mas aparecer completamente depilada, como geralmente estou no verão, seria demais, então optei por um modesto triangulo cobrindo o essencial. Pensando bem, tem várias coisas que podem deixar uma mulher ansiosa quando se trata de uma foto de nu. Adoraria poder dizer que eu não estava nem aí, mas eu estava bem nervosa.

Para aqueles que não estão familiarizados com Angela Boatwright, ela é fodona. Provavelmente nasceu com uns 30 anos de atraso. Ela se sentiria em casa entre os top fotógrafos de rock dos anos 80. Como os dias de glória da fotografia de rock 'n' roll já eram, ao invés disso, ela faz retratos lindos de vermes com cara de anjo e dos últimos heróis remanescentes do heavy metal. Ou, nesse caso, de um bando de meninas peladas com menos de 20 anos (com 27, eu era a modelo mais velha da foto).

Conforme foi passando o dia, as coisas foram ficando engraçadas e as sementes da realização das fantasias foram plantadas. Nós nos fotografamos, experimentamos as coisa do Spencer (foi mal, Spencer) e tentamos curtir o máximo possível. As fotos foram feitas em maio. Algumas semanas se passaram e me disseram que a Edição de Foto estava online. Fui olhar imediatamente e fiquei aliviada. Por algum motivo consegui ficar menos exposta do que as outras meninas. Nem um mamilo exposto, um alívio para minha mãe, com certeza. Ainda assim, ali estava eu, nua (exceto por um cinto de balas e um par de salto alto) na internet para o mundo inteiro ver. Nua e sem tatuagens. Mais chocante que minha bunda branca era a região de pele retocada onde tinha uma pin-up envelhecida. Nunca fiz uma remoção de tatuagem (um fantasma de uma tatoo sempre é pior do que a própria tatoo) mas foi satisfatório ver minha pele revirginada.