Fotografia

Pixo, sujidade e caos nas imagens do fotógrafo paulista Marcola

Registos fotográficos da cidade de São Paulo antes de adormecer, sem maquilhagem.

Por Débora Lopes; fotos por Marcola
14 Novembro 2017, 10:06am

Foto: Marcola

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Brasil e parcialmente adaptado a português europeu.

Soturna, suja, sombria, pixada. É essa a cidade de São Paulo, Brasil, que o fotógrafo paulista Marco Aurélio, que assina como Marcola, 26 anos, retrata. Não foi há muito tempo que a fotografia se transformou no seu objectivo de vida. Apenas há coisa de dois ou três anos, na verdade. Neste entretanto, transitou pelo mundo do skate, do rap, do pixo e, como consequência, pela rua – a sua paixão.

O apego à câmera surgiu mais ou menos sem querer. "Comecei a perceber que voltar para casa com boas fotos era algo que me deixava muito feliz e satisfeito. Daí, até virar amor e vício foi um pulo", conta.

Marcola tem uma pegada meio Batman. Só sai à noite para retratar a sua Gotham City mais pobre e fodida. "Gosto da rua crua, sombria, gosto que em todas as minhas fotos se vejam pessoas, haja vida". Os seus retratados, muitas vezes não identificados, estão em situação de rua.

Foto: Marcola

Morador do Parque Bristol, na zona sul da cidade, e designer de formação, o paulista conversa com a pixação nas suas fotos, fazendo do que é visto como vandalismo uma composição de cenário. "O pixo tem uma importância enorme dentro do movimento de resistência da periferia e um espaço como tipografia urbana que não se vê em nenhum outro lugar", justifica.

Depois de algumas atribulações psicológicas pesadas, reparou que sair de casa o incentivava a encontrar a graça numa cidade caótica e, muitas vezes, horrível de se viver. Passou a ver a rua com o olhar de quem está a pisa pela primeira vez uma cidade grande. "Comecei a ver beleza em coisas banais, numa pessoa a andar com um guarda-chuva, ou até mesmo num amigo a fazer um baseado".

Foto: Marcola

Colaborador dos sites Raplogia e Rap em Movimento, cobriu também muitas batalhas de rimas, que costumar ver como um duelo; sempre em ataque e defesa. "Isso dá uma adrenalina às fotos".

Para Marcola, existem muitas formas de maquilhar a essência de São Paulo, assim como a sua pobreza e violência em cantos específicos. Mas, como se pode ver nas fotos abaixo, não é o objectivo.

Para ver mais trabalhos de Marcola, vai ao Instagram ou Flickr.

Foto: Marcola
Foto: Marcola
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Foto: Marcola

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