Semana passada Israel explodiu um suposto comboio de armas que estaria saindo da Síria. O ataque, que matou pelo menos dois sírios, aparentemente tinha como objetivo impedir que as armas chegassem às mãos dos inimigos de Israel. Oficiais israelenses dizem que o ataque é parte de um plano maior para combater o Irã e seus aliados sob a liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reeleito na semana retrasada. Se isso for verdade, esse ataque à Síria sinaliza uma escalada significativa na campanha de Israel contra o Irã e seus aliados no Oriente Médio, e todo um banho de sangue deve se seguir em consequência disso.
Os detalhes são vagos, mas o comboio que estava saindo de Damasco podia estar carregado com mísseis superfície-ar vindos da Rússia, informou a Associated Press, e Israel não queria que eles fossem usados contra sua força aérea no futuro.
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Eu poderia perguntar quem, em meio a uma guerra civil que atualmente despedaça a Síria, despacharia armas para fora do país. E Israel responderia: o Irã, que usa a guerra civil síria como cobertura para ajudar a armar nossos inimigos no Líbano, a milícia xiita Hezbollah.
Só que os oficiais israelenses não estão dizendo isso. Na verdade, eles não estão dizendo nada, e relatórios do ataque a Síria até agora estão vindo somente de fontes diplomáticas anônimas do Ocidente. Mas o ataque, que também foi confirmado pelos rebeldes sírios, veio depois que Israel alertou o Hezbollah para não usar a convulsão na Síria para tentar adquirir qualquer armamento antiaéreo ou químico que pudesse ter se perdido por aí. Mais ou menos da mesma maneira que Israel apontou o dedo para o Irã durante o conflito recente em Gaza, onde foguetes Fajr-5 feitos no Irã causaram estragos sérios em áreas centrais de Israel que não eram atingidas por foguetes desde a Guerra do Golfo. Esses foguetes, alega Israel, são, pelo menos em parte, contrabandeados através do tumulto pós-Mubarak na Península do Sinai no Egito, ponto que faz fronteira com Gaza e onde quase 50 pessoas morreram em conflitos com as forças de segurança na última semana.
O ataque israelense a Gaza que aconteceu em novembro, alguns meses antes das eleições nacionais em Israel, foi visto por muitos como uma tentativa mal disfarçada do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de colocar os radicais linha-dura do seu lado antes da votação. Votação essa que ele realmente venceu, apesar do resultado muito mais fraco do que o esperado. Parece agora que Israel está aquecendo os motores para outro confronto. Os oficiais israelenses aparentemente chamarão essa investida de fase dois, numa ofensiva de três partes contra o Irã e seus aliados, de acordo com um diplomata de Israel citado pelo jornal britânico Telegraph. O diplomata disse que o Hamas e o Hezbollah precisam ser neutralizados antes de atacar o Irã. Sendo assim, a fase três vai ter como alvo o próprio Irã, além de promover a ideia de que o conflito de Gaza, onde mais de 150 palestinos — em sua maioria civis — morreram, sempre foi a primeira fase da guerra secreta contra o Irã.
Agora é a vez do Hezbollah. Assim, a guerra com o inimigo do norte está parecendo um pouco mais provável do que de costume, se julgarmos só pelo número de correspondentes estrangeiros que estão em Jerusalém sendo mandados pelos editores para a fronteira do norte enquanto você lê isto. Se a guerra realmente acontecer, significa que cada um dos vizinhos de Israel, exceto a Jordânia, em breve estará em total tumulto, colocando o estado judeu no que talvez seja a situação mais precária que essa geração já viu. Isso também significa que a paz com a Palestina nunca foi uma grande prioridade, e é por isso que provavelmente Israel vai colocar as negociações de paz no final da lista de tarefas e focar no Irã ao invés disso.
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Mais Israel?
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