Israel Já Matou Cinco Palestinos e Prendeu Mais de 400 na Ofensiva Atual na Cisjordânia

Soldados israelenses prendem um jovem palestino durante conflitos na cidade de Hebrom, Cisjordânia. Todas as fotos por Oren Ziv. 

No dia 12 de junho, três colonos israelenses adolescentes de 16 a 19 anos foram sequestrados enquanto faziam uma caminhada pela Cisjordânia na Palestina. O desaparecimento de Naftali Frankel, Eyal Yifrah e Gilad Shaer foi registrado na noite de quinta-feira, depois que eles foram vistos pela última vez caminhando entre assentamentos judeus da área de Hebrom.

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Desde o sequestro, Israel prendeu mais de 400 palestinos, incluindo vários membros eleitos do Conselho Legislativo Palestino, em batidas que vêm acontecendo por toda a Cisjordânia. Desses, 282 eram aliados do Hamas, segundo o exército israelense.

As forças de segurança israelense também mataram cinco palestinos. Muitos chamam as ações do exército de “punição coletiva”. A fase inicial da operação foi descrita pelo Haaretz como “mais um ataque geral contra o Hamas”. Agora, o governo de Israel está finalmente baixando as expectativas do povo quanto a realmente encontrar os adolescentes desaparecidos. “Conforme o tempo passa, a preocupação com a vida deles aumenta”, disse o chefe de equipe das Forças de Defesa Israelenses aos repórteres em Hebrom na terça-feira passada.

Estudantes judeus oram pelos amigos que desapareceram no dia 12 de junho. 

Várias figuras políticas israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusam o Hamas de ser o responsável pelo sequestro. O governo de Israel não apresentou nenhuma evidência para apoiar essas afirmações ainda, mas diz que vai apresentar uma “prova irrefutável” ao público em breve. O Hamas nega o envolvimento e chamou a acusação de “estúpida”.

Uma das vítimas palestinas da ofensiva, Ahmed Sabbaren, 19 anos, foi baleado no peito quando soldados israelenses invadiram o campo de refugiados Jalazone no norte de Ramallah. Conversei com o porta-voz do grupo de direitos humanos B’Tselem Sarit Michaeli, que me contou mais sobre o que aconteceu. “Durante uma batida militar israelense no campo de refugiados Jalazone, alguns jovens confrontaram o exército com pedras e os enfrentamentos se seguiram”, ele disse. “O exército respondeu atirando num dos jovens no peito. Confrontos entre as FDI e jovens palestinos são comuns nas incursões do exército a comunidades palestinas, o que resulta em uma das principais causas de mortes e ferimentos na Cisjordânia.”

Soldados israelenses amarram um jovem palestino na cidade de Halhul, Cisjordânia. 

Esse acirramento das tensões aconteceu logo depois de o Hamas ter assinado um acordo de reconciliação, acabando com uma divisão de sete anos entre o grupo e a Autoridade Palestina para a formação de uma nova unidade de governo. Muitos comentaristas políticos afirmam que o governo de Israel está usando o desaparecimento como cobertura política para remover a liderança política do Hamas da Cisjordânia e abrir uma brecha entre a Autoridade Palestina e o Hamas antes das próximas eleições na região.

Ao escrever para o diário israelense Yediot Aharonot, o analista militar e estratégico Alex Fishman disse que o sequestro criou uma “oportunidade única”, que Israel usaria para “castrar” o Hamas e suprimir suas “fortalezas no território da Autoridade Palestina na maior extensão possível”. 

Israelenses de extrema-direita queimam uma bandeira palestina durante um protesto na junção de Gush Etzion, perto de Belém. 

O desaparecimento dos adolescentes certamente criou um espaço político para uma ofensiva e agora o ódio se espalha. Uma página no Facebook em hebreu intitulada “Até que nossos garotos voltem, vamos atirar num terrorista a cada hora” tem quase 20 mil curtidas e dezenas de fotos e comentários incitando o ódio racial e pedindo punição coletiva para civis palestinos.

Soldados israelenses realizam buscas em Hebrom. 

Com o crescimento do movimento Boicote, Desinvestimentos e Sanções e o colapso da iniciativa de paz liderada pelos EUA, comentaristas israelenses estão discutindo sobre o custo de uma ocupação indefinida.

O autor e proeminente acadêmico de estudos judaicos Marc H. Ellis resumiu bem a situação num artigo de opinião para o site Mondoweiss: “Na ocupação, inocentes sofrem”, ele escreveu. “Apenas palestinos sofrem? A ocupação tem um custo. Mesmo os poderosos têm que pagar o preço. Os judeus têm que pagar o preço – quando são eles quem ocupam. Judeus desaparecidos são um preço terrível a se pagar. Mas as cadeias israelenses estão cheias de palestinos ‘desaparecidos’. Então, devolvam os desaparecidos – dos dois lados. Incluindo a terra, a ética e os serviços do próprio povo. Quando tudo for devolvido, poderemos começar de novo. Um novo início, honrando todos os desaparecidos, que, em justiça, serão devolvidos.”

Mas o retorno dos três adolescentes parece cada vez mais improvável conforme o tempo passa.

O porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri exigiu que o governo palestino se responsabilize e proteja os palestinos das agressões israelenses: “A intifada é o maior evento da história do povo palestino, e isso se renova sempre que a agressão israelense se agrava”, ele alertou. “A resistência por meio de todos os canais é o direito legítimo do povo palestino.”

O custo para os dois lados do conflito deve aumentar cada vez mais.

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