Israel ampliou sua ofensiva militar na Faixa de Gaza sitiada no dia 8, matando pelo menos 18 civis, cinco deles crianças. Pelo menos 83 palestinos, incluindo 21 crianças com 16 anos ou menos, foram mortos desde terça-feira na ofensiva batizada de Operação Escudo Protetor por Israel.
Israel já lançou mais de 400 toneladas de explosivos em Gaza desde a noite de segunda-feira, atingindo 400 alvos. Um oficial da força aérea israelense disse ontem que Israel atingiu mais alvos do Hamas e destruiu mais infraestrutura em Gaza nos últimos dois dias do que em toda a Operação Pilar de Defesa, uma ofensiva de oito dias em Gaza em 2012.
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Os líderes israelenses deixaram claro que não pretendem afrouxar a ofensiva, apesar da escalada no número de mortes de civis, e sinalizaram que planejam intensificar ainda mais a operação, que pode se mostrar uma ação prolongada.
“Decidimos intensificar os ataques ao Hamas e outras organizações terroristas em Gaza”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na quarta-feira. “A FDI está preparada para todas as possibilidades […] A operação será expandida e vai continuar até que o fogo em nossas comunidades se apague e tudo esteja calmo novamente.”
Um ataque aéreo israelense também matou uma família de três pessoas na quarta, incluindo mãe e o filho de quatro anos, depois de atacar o campo de refugiados al-Maghazi em Gaza. Os hospitais locais estão tendo dificuldade para lidar com o influxo de feridos.
“Oito pessoas, incluindo seis crianças, foram mortas quando Israel bombardeou essa casa no sul de Gaza.”– @intifada, 9 de julho de 2014.
O exército israelense disse que a Operação Escudo Protetor é uma resposta aos foguetes caseiros que o Hamas vem disparando contra Israel nos últimos dias. De acordo com relatórios israelenses, mais de 180 foguetes foram disparados de Gaza para Israel nos últimos dois dias; alguns deles teriam alcançado o centro de Israel, incluindo Tel Aviv e Jerusalém. Um foguete chegou a alcançar a cidade de Hadera, no norte do país, a quase 100 quilômetros de Gaza. Nenhuma morte foi informada.
“Desde meia-noite, 48 foguetes disparados da Faixa de Gaza atingiram Israel; a Iron Dome interceptou mais 14 foguetes.” – @IDFSpokersperson, 9 de julho de 2014.
Israel autorizou a mobilização de mais 40 mil reservistas para uma possível invasão a Gaza. O exército disse que os soldados reserva serão mandados à Cisjordânia para liberar soldados de lá para Gaza.
“Apesar do fato de que isso será difícil, complicado e dispendioso, teremos que tomar Gaza temporariamente, por algumas semanas, para cortar o fortalecimento de seu exército terrorista”, disse Yuval Steinitz, ministro da Inteligência de Israel, à Israel Radio. “Na minha humilde opinião, uma operação significativa como essa está se aproximando.”
O Hamas advertiu que não será desencorajado e planeja continuar disparando foguetes contra Israel. “O que a resistência mostrou hoje é só parte do que ela é capaz”, disse um porta-voz do Hamas.
O presidente palestino Mahmoud Abbas pediu que Israel interrompesse a operação na noite de terça-feira, dizendo à WAFA, a mídia estatal palestina, que isso vai “arrastar as coisas para um ciclo de violência”.
Durante uma reunião de emergência de oficiais palestinos em Ramallah na quarta, Abbas acusou Israel de cometer “genocídio” em Gaza.
“É genocídio – o assassinato de famílias inteiras é um genocídio de Israel contra o povo palestino”, ele disse. “O que acontece agora é uma guerra contra o povo palestino como um todo, e não contra as facções [militantes].”
Apesar de essa ser a maior operação militar em muitos anos, é somente a mais recente num padrão familiar de violência na Faixa de Gaza. A última ofensiva de Israel em 2012 durou seis dias e matou cerca 133 palestinos. Uma incursão militar similar, a Operação Chumbo Fundido, aconteceu entre 2008 e 2009, e cerca de 1.400 palestinos e 13 israelenses morreram. Nas duas operações anteriores, Israel declarou que o objetivo era impedir que o Hamas lançasse foguetes e contrabandeasse armas.
Gaza tem uma população de 1,6 milhões de pessoas, a maioria refugiados e menores de 18 anos.
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Tradução: Marina Schnoor
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