ameaça nuclear

Ninguém pode impedir Trump de carregar no botão nuclear - e os senadores estão em pânico

​"O presidente dos Estados Unidos é tão instável, tão volátil, tem um processo de tomadas de decisão tão quixotesco, que estamos preocupados que possa ordenar um ataque nuclear".

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma VICE News.

Donald Trump pode lançar uma arma nuclear e ninguém - nem o Congresso, nem o presidente do Estado-Maior Conjunto norte-americano, nem o Secretário da Defesa - o pode impedir.

Esta autoridade presidencial foi posta em questão na terça-feira, 3 de Janeiro, numa audiência do Senado liderada pelo senador Republicano Bob Corker, do Tennessee, numa altura em que a tensão com a Coreia do Norte levanta receios de uma reacção "em cima do joelho" por parte do presidente norte-americano.

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"O presidente dos Estados Unidos é tão instável, tão volátil, tem um processo de tomadas de decisão tão quixotesco, que estamos preocupados que possa ordenar um ataque nuclear, claramente contrário aos interesses do país no que respeita à segurança nacional", afirmou na audiência o senador Democrata Chris Murphy, do Connecticut

E Murphy acrescentou: "Reconheçamos simplesmente a natureza excepcional deste momento e da discussão que estamos a ter aqui hoje".

O derradeiro poder

Os participantes na reunião andaram com o assunto para trás e para a frente ao longo de mais de uma hora, debatendo assuntos que foram desde a questão de se uma guerra nuclear deveria ser autorizada pelo Congresso, até ao facto de se os militares poderiam recusar ordens que não fossem legais. Os comentários de trump dirigidos a Pyongyang nos últimos meses deram o mote para a realização da audiência.

"'Poderá o presidente efectivamente ordenar um ataque nuclear sem qualquer tipo de controlo?' Esta questão está cada vez mais na cabeça dos cidadãos norte-americanos. E. claro, é alimentada pelos comentários feitos pelo próprio Trump", sublinhou o senador Democrata, Ben Cardin, de Maryland, e membro do Comité do Senado para os negócios Estrangeiros. E o responsável adiantou: "Muitos interpretam esses comentários como um sinal de que o presidente está activamente a considerar o recurso a armas nucleares, de forma a lidar com a ameaça norte-coreana. E isso é assustador".

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Os presidentes norte-americanos têm um poder tremendo no que respeita ao lançamento de armas nucleares. Ao contrário do envio de tropas, que necessita de aprovação do Congresso, começar uma guerra nuclear depende apenas da vontade (e dos dedos) do presidente.

O sistema está desenhado para que, se o presidente dos Estados Unidos quiser atacar outra nação com uma arma nuclear, o possa fazer rapidamente e sem burocracia. Tal como Alex Wellerstein, um historiador especialista em assuntos nucleares, escreveu no Washington Post logo a seguir à eleição de Trump, "não há rede de segurança". "Com o sistema que implementámos desde a Guerra Fria, a única forma de impedir o presidente Trump de lançar um ataque nuclear seria ter eleito outra pessoa".

Uma limitação

No entanto, o General da Força Aérea na reforma, Robert Kehler, que também fez parte da audiência na terça-feira, limita a autoridade do presidente à noção de legalidade - alertando para o facto de que os militares são obrigados a recusar qualquer ordem ilegal.

"Se for apresentada aos militares uma ordem ilegal, estes são forçados a não a cumprir", garantiu Kehler. Todavia, sublinhou, a decisão do que é ou não é ilegal "seria um processo bastante complicado e implicaria conversações difíceis".

Há meses que a tensão entre Pyongyang e Washington está a escalar. Trump ameaçou “destruir completamente” a Coreia do Norte no seu discurso inaugural nas Nações Unidas, depois de já ter publicado comentários em que alertava para o recurso a "fogo e fúria". "É melhor que a Coreia do Norte não ameace os Estados Unidos. Serão confrontados com fogo e fúria como o mundo nunca antes viu", disse Trump a 8 de Agosto último.

Esta recente audiência, surge na sequência da digressão de Donald Trump pela Ásia, onde, mais uma vez, avisou o governo norte-coreano para não intimidar os EUA e tentou arregimentar aliados a nível regional.


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