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Sexo

Pinar num festival de música é uma péssima ideia

O Tinder quer arranjar-te uma rapidinha, enquanto estás rodeado de gente desmaiada e caída no próprio vómito.

Por Alex Zaragoza; Traduzido por Madalena Maltez
07 Maio 2019, 1:01pm

Foto por Omer Messinger/Getty Images.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE US.

Os festivais são um antro de sujidade, lama, calor, fluídos questionáveis e drogas. Muitas drogas. Talvez até herpes, mas isso ainda está a ser debatido. Enquanto cada uma dessas coisas é, individualmente, irritante mas suportável, a combinação de todas elas é, basicamente, o antídoto da tesão. Mas, agora, o Tinder quer-te arranjar uma queca rápida, mesmo entre um mar de pessoas desmaiadas no próprio vómito de ecstasy.

Recentemente, a aplicação anunciou a sua nova invenção para dar mais oportunidades a que genitais se encontrem nestes eventos de Verão: o "Modo Festival". Os perfis agora incluem um cartão de Modo Festival, no qual os utilizadores podem acrescentar os festivais onde vão e conectarem-se com outras pessoas que também lá estarão a usar o seu melhor top de crochê do AliExpress.

O Modo Festival permite que os utilizadores acedam a “upgrades VIPs exclusivos e muito mais”, de acordo com o anúncio. Se esse “muito mais” inclui acesso prioritário da primeira fila para a tenda de atendimento médico depois de seres atingido na cabeça por um acessório de palco de Diplo, não especificam. Os primeiros festivais a serem "Tinderizados" serão nos EUA: Bonnaroo, EDC, The Governors Ball, Hard Summer, além do Parklife em Inglaterra.


Vê: "Devoção, entusiasmo e loucura. Um documentário sobre o que é ser fã de música"


Tendo em conta esta entrada do Tinder no mundo dos festivais, parece importante fazer uma pergunta simples, mas fundamental: quem é que vai querer pinar num festival? Os festivais são nojentos. São uma tempestade de merda debaixo de 40 graus, onde toda a gente está para lá de uma Bagdad decorada a néon, a derreter a córnea, ou uma lixeira em chamas debaixo de chuva onde entra lama nas tuas galochas quando tentas fazer uma pose para uma selfie de grupo. Tu, com aqueles calçõezinhos que assam a virilha, atolada na lama num campo cheio de sacos de plástico. Além disso, os festivais têm sempre uma vibe Calígula. Até as pessoas mais razoáveis dão por si a tomar decisões sexuais questionáveis.

Imagina um dia teres que olhar nos olhos da tua melhor amiga depois de a informares que, quando estavas muito doida, decidiste entrar numa casa-de-banho ambulante com um tipo muito mais novo, que te fez um cunete, depois te beijou, depois beijou a dita melhor amiga e várias outras pessoas, então os teus fluídos anais estão na cara de toda a gente, a penetrar nos poros da malta. Sabes porque é que consigo pintar essa imagem tão vividamente? Porque já aconteceu comigo. Eu fiz isso. Num festival. Sim, queremos criar espaços abertos e livres para explorar o sexo e a sexualidade sem julgamento ou vergonha, mas passares os teus fluídos anais infundidos com suor e saliva a várias pessoas inocentes não é simpático. Os festivais trazem à tona esse lado troll de festa e o pessoal da saúde pública provavelmente não ia gostar das possíveis implicações de tal tipo de comportamento.

Se decidires que é hora de sexo de festival e não fores uma Kylie Jenner ou um DJ Khaled da vida com acesso a uma cama num jactinho particular com ar-condicionado, isso significa pinar num descampado ou à frente de centenas de influencers. Tens a roda-gigante, que nem a Issa fez naquele episódio de Insecure, ou talvez a barraca médica depois de teres o acesso prioritário. Imagina, que chatice, teres que encontrar um lugar para pinar enquanto navegas por hordas de gente bêbada e incrivelmente queimada do sol e vocês se arrastam pela poeira a fingir que estão vivos, como o inverso da caminhada zombie em Shaun of the Dead e alguém atira um limão à Ariana Grande.

Mas, toda a gente sabe que quando a tesão bate à porta, nada mais importa. Ajoelhamo-nos perante os nossos instintos carnais, seja numa casa-de-banho ambulante, num campo de terra, numa roda-gigante, ou na festinha particular sem sexo oral do DJ Khaled.

Há muita gente que se conhece em festivais. Empapado em suor, sujo de lama, até que olha pelas barreiras de metal e vê alguém que pode ser a pessoa. Ou a pessoa que te vai meter os dedos enquanto os Weezer tocam uma cover de Weird Al. Algumas pessoas até se apaixonam, casam e colocam outro frequentador de festivais no mundo depois de se conhecerem, por acaso, na fila para as Roupas de Igreja de 225 dólares do "Sunday Service" do Kanye. Mesmo assim, é nojento. Quer dizer, se queres pinar no Gathering of the Juggalos graças ao Tinder, vai nessa. Boa sorte para tirar a maquilhagem do Shaggy 2 Dope que te vai ficar carimbada no rego.


Segue Alex Zaragoza no Twitter, mas não no Tinder no Gathering of the Juggalos.

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