O historiador A.L. Rowse disse uma vez que fazer uma descoberta significativa era um pouco como sentar acidentalmente num gato.
Se for esse mesmo o caso, fazer uma descoberta significativa de um videogame deve ser como sentar num gato que sabe usar metralhadoras com as duas mãos. Abaixo, eu listei cinco grandes jogos que ninguém quis comprar quando foram lançados. Vamos descobrir eles agora? Todo mundo sentando no gato então.
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Bulletstorm (PC, Xbox 360, PS3)
Vindo na cola do Gears Of War, o Bulletstorm da Epic Games teve muita publicidade e até aparece no Missão Madrinha de Casamento, um filme que a internet me disse que é “hilário”, “surpreendentemente emocionante” e “parcialmente filmado em Oxnard, Califórnia”. Será que Kristen Wiig e Oxnard serão capazes de salvar esse jogo de uma morte lenta na baciada de promoções? Infelizmente não.
O problema do Bulletstorm é que ele gastou todo seu orçamento de marketing tentando convencer todo mundo de que ele era um jogo de tiro grande e besta, como todos os outros jogos de tiro bestas. Seu público-alvo foi estabelecido como aquelas pessoas que acham legal espancar um coelho até a morte num parquinho infantil. Na verdade, Bulletstorm é uma engenhosa e sangrenta reformulação do jogo de sinuca no qual você usa suas armas para quicar as pessoas numa série de ambientes mortais, marcando o maior número de pontos possível.
Também tem uma piada muito engraçada com o Godzilla.
Death by Cube (Xbox 360)
Death by Cube tinha que se chamar Morte por Arte de Merda e Outro Nome Idiota. Mas acho que alguém já tinha usando esse antes.
Visualmente, parece que esse jogo de tiro com cubinhos foi desenhado pelo tio bêbado que trabalha no turno da noite de um posto de gasolina, mas debaixo da superfície naif você tem um jogo inteligente e cheio de boas ideias. Na maioria dos games, você é mais rápido que os inimigos, então se você for ágil o suficiente dá pra ficar à frente deles e acertá-los de uma distância segura. No Death by Cube, você é divertidamente lento, o negócio é se teletransportar pra lá e pra cá e enganar os inimigos para que eles se convertam em massa no exato ponto em que você está. Tentador, né? Não? Se pelo menos ele também tivesse aparecido no Missão Madrinha de Casamento…
P.N.03 (Gamecube)
No começo dos anos 2000, a Capcom achou que seria uma puta ideia fazer um jogo sobre uma bailarina futurista mortal e lançar para o console condenado da Nintendo, o Gamecube. O desenvolvedor também achou que controles tortos e picos de dificuldade punitiva dariam o empurrão crucial nas vendas.
Foi idiotice deles, lógico, mas P.N.03 continua uma espécie de clássico na minha prateleira. É um jogo de tiro em terceira pessoa que você realmente tem que dominar para curtir, mas é intrincado e inacreditavelmente violento, e os cenários parecem ter saído de um prédio do Rem Koolhaas. E a heroína usa uma parada que parece um secador de mãos elétrico de banheiro de shopping nas costas.
Jet Set Radio Future (Xbox)
O que você acha que os fãs de Xbox iam gostar mais: um jogo sobre hipsters de bom coração que tentam salvar sua vizinhança através da milenar arte do graffiti, ou um jogo com super soldados enormes travando uma guerra sangrenta contra religiosos extremistas? Infelizmente, o Halo ficou com tudo, e os produtores do Jet Set Radio Future foram levados para o topo do prédio da sede japonesa da SEGA e educadamente empurrados para a morte.
Uma vergonha, já que é uma divertida mistura de patinação e jogos de plataforma, apesar de eu não gostar muito de jogos de plataforma, e geralmente querer mais que os patinadores se fodam. Os ambientes são coloridos e detalhados, a trilha sonora é estranhamente gostosa e a sensação de movimento que ele proporciona foi suficiente para me fazer esquecer a última vez que tinha saído pra correr. Parecia que todas as minhas juntas tinham sido soldadas pelo cara de rato do Jogos Mortais.
The Red Star (PS2, Xbox, PSP)
A desgraça do Red Star foi dupla. Primeiro ele foi baseado num quadrinho que praticamente ninguém ouviu falar, segundo ele foi lançado pela Acclaim justo quando a empresa entrou em colapso numa explosão de metanfetamina — sabia que dá pra fazer em casa? — e prostitutas baratas.
Tudo isso deixou essa mistura espinhosa de atirar e se esquivar das balas (mais divertido do que parece) suspensa por meses a fio até encontrar alguém pra lançá-la. E quando finalmente conseguiram, ninguém mais ligava.
Ilustração: Cei Willis
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