Este artigo foi originalmente publicado na VICE UK.
Toda a gente tem de parecer um bocado gordurosa e borbulhenta durante a adolescência. É uma espécie de ritual de passagem. Alguns de nós, claro, somos suficientemente azarados para termos acne adulto nos vintes e andarmos por aí tipo pré-adolescentes demasiado crescidos, já com mamas e uma pasta de documentos importantes debaixo do braço. Algo deste género.
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Porque é que somos nós os escolhidos? Quem sabe. Mas, atenção a todos os abençoados com uma crónica cara de pizza. Fiquem a saber que as hormonas, o açúcar e o stress das nossas vidas miseráveis são algumas das razões cientificamente comprovadas que estão no cerne da nossa situação facial.
No entanto, uma vantagem de que me estou sempre a gabar é que, tal como qualquer dermatologista que se preze pode confirmar, as pessoas com pele oleosa não têm rugas até bastante tarde na vida. Agora, um novo estudo descobriu exactamente porque é que isso acontece. As células de pessoas com acne têm uma espécie de protecção embutida contra o envelhecimento e que, muito provavelmente, vai fazer com que tenham melhor aspecto quando forem mais velhas, para além de ajudar a que tenham vidas mais longas.
O estudo dos glóbulos brancos recolhidos em indivíduos afectados pelo acne mostrou que estes têm protectores mais longos nas pontas dos cromossomas. Os protectores – denominados telómeros – são, basicamente, o equivalente para um cromossoma daqueles bocadinhos de plástico que temos na ponta dos atacadores e que impedem que estes se desfiem. A investigação mostra que, quem sofre de acne, tem telómeros significativamente mais longos e, portanto, pode ser abençoado com a dádiva de uma vida longa.
A responsável pela investigação, Simone Ribero, do King’s College London, diz: “Há muitos anos que os dermatologistas perceberam que a pele de pessoas com acne aparentava envelhecer mais devagar, do que a pele daqueles que nunca tiveram acne na vida. Apesar de isto ser observado clinicamente, a causa efectiva permanecia, até agora, pouco clara”.
No estudo, os investigadores focaram-se num caminho genético denominado p53, que regula a “morte programada de células”, uma espécie de suicídio celular. Quando os telómeros ficam demasiado curtos, podem despoletar uma série de eventos que levam à morte programada de células. O caminho p53 mostrou ser menos activo na pele de quem sofre de acne, embora esta situação ainda esteja a ser investigada.
Mas ouçam-me: eu não quero saber o resultado deste prolongamento da investigação. É que, para já, com o que já sei, tenho a certeza de que vou estar em forma eternamente e não há nada que vocês possam fazer contra isso.
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