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Na Estrada com Gerd Janson, que Compilou "Musik for Autobahns II" da Rush Hour

O homem renascentista da música eletrônica moderna fala sobre como foi o processo de reunir sons feitos pra se ouvir no carro, rumo à balada.
Photo by Ben Price.

Gerd Janson é o tipo raro de homem renascentista da música eletrônica moderna. Ele comanda o excelente selo alemão Running Back ao lado de Thorsten Scheu, escreve para revistas de música como Groove e Spex, e é um "DJ para DJs", mais propenso a agradar aos seus pares do que ao público, mas tão habilidoso sacudindo o Output no horário de pico quanto era em prender a atenção dos aficionados em música eletrônica no Trouw (descanse em paz). Janson também é um dos cabeças da Red Bull Music Academy, integra a dupla Tuff City Kids e, quando encontra tempo, é curador de compilações incríveis. Em 2007, ele lançou dois volumes da Computer Incarnations for World Peace, que reuniam Sylvester, o antigo violinista de Frank Zappa, Jean-Luc Ponty, o mestre suíço do balearic, Lexx, e uma parceria estelar de Todd Terje e Prins Thomas.

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Três anos atrás, Janson selecionou uma série de faixas para o selo Rush Hour, de Amsterdam. Intitulada Musik for Autobahns: Industrial Ambient & Electrifying New Age, a compilação trazia grandes nomes como Motor City Drum Ensemble, Âme, Willie Burns, Tensanke e Osborne, só para citar alguns. Reunindo os artistas mais proeminentes da vanguarda de Berlim e Amsterdam e do underground americano, era uma compilação inebriante de música eletrônica moderna que ligava os pontos entre o komische alemão das antigas, o techno moderno de Detroit, o slo-mo chug e o house enfumaçado.

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Agora, Janson está de volta com uma segunda edição, cujo subtítulo é "Ambient Race Car Music" [literalmente, Música Ambiente para Carros de Corrida]. Janson se superou neste volume, excluindo a maioria dos artistas do primeiro volume para mostrar talentos conhecidos da dance music fazendo um trabalho atípico. A compilação traz artistas relativamente novos, como Conga Radio, AKSK e Shan, além do peso pesado do dubstep, Joy Orbison, do inglês Leon Vynnehall e da dupla irlandesa Bicep. Entramos em contato com Janson e perguntamos a ele o que o levou a esta sequência veloz e furiosa.

THUMP: Como foi a recepção da primeira edição de Musik for Autobahns?
Gerd Janson: Talvez não tenha sido impressionante, mas acho que foi bastante positiva. Ou pelo menos decente o suficiente para que a equipe encantadora do Rush Hour me pedisse para fazer uma segunda tentativa.

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Tinha um objetivo diferente desta vez? Esta edição ganhou o subtítulo "Ambient Race Car Music".
O objetivo era o mesmo: música que soe bem em um carro, enquanto você dirige até o clube. Era uma coisa muito comum de se fazer na Alemanha nos anos 90. Não sei se a molecada ainda curte fazer este tipo de viagem. Mas só adicionamos o nome "Ambient Race Car Music" em consideração à circunstância de que precisávamos de um novo subtítulo.

Você dá parâmetros musicais para orientar os artistas? Ou exige apenas que seja música que funcione bem para dirigir?

Explico a ideia e envio o primeiro volume para eles, mas normalmente só espero pelo melhor até que os artistas voltem com os resultados. Nunca houve a vontade de seguir uma linha "indie", nem uma visão específica de que a música tinha que ser mais voltada para as pistas. Tudo só se encaixou, e tive que pedir a pessoas (muito) diferentes para mantê-la interessante.

Sinto que essas são produções ligeiramente atípicas para os artistas em questão. Por exemplo, eu teria dificuldade em reconhecer a faixa do Jay Orbison como dele. O que faz os artistas te entregarem faixas tão inusitadas?
Acho que meu sorriso cativante e minha espirituosidade fazem o serviço. Mas, para ser sincero, é um processo muito espontâneo. Só penso nas pessoas de que gosto, explico o conceito e digo a elas que não precisa ser uma faixa para as pistas. Acho que só dei sorte. Mas você tem razão quanto à faixa do Joy Orbison — até eu custo a reconhecer.

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Qual faixa te surpreendeu mais quando chegou?
Para não mencionar o Joy Orbison de novo, e definitivamente sem favorecer um artista em detrimento de outro, eu apostaria na contribuição do Bicep, "Carmine". Os caras mostraram uma diversidade, ludicidade e espirituosidade que eu realmente não esperava. Mas, pensando bem, eles são nerds muito dedicados, e parecem dedicar tanto tempo e esforço ao seu trabalho no estúdio quanto costumavam dedicar às suas coleções de discos. Me fez lembrar uma jam analógica do John Carpenter e coisas assim.

Acho que o único artista remanescente da primeira edição é o Diego Herrera, vulgo Suzanne Kraft. A faixa dele, creditada a AKSK, é de longe a mais pop da compilação, incluindo os vocais. O que você acha da evolução dele do EP Green Flash, lançando pelo Running Back em 2011, até aqui?
É bem rádio FM, não é? Ele a tocou para mim uma vez em que eu estava no banco do carona do carro do pai dele, enquanto ele dirigia por Los Angeles. Soava ótima no carro, e imediatamente implorei a ele para me passá-la, com o segundo volume em mente. No geral, ele conseguiu fazer a difícil transição do trabalho baseado em samples para os instrumentos e meios de um "verdadeiro" músico — e ele faz isso de uma maneira bastante convincente.

Como conheceu o Conga Radio? E o que tem na faixa deles que a faz funcionar como introdução?
É um projeto do Jex Opolis, cujo trabalho no Good Timin' eu admiro, e que também é responsável por um dos próximos lançamentos do Running Back, sob o pseudônimo Jex. É a introdução porque o vinil exige que as faixas com um volume mais alto e pensadas para tocar nos clubes venham primeiro. É física!

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O Orlando Voorn começou a lançar discos ainda nos anos 90 e é um ícone da dance music holandesa. Foi um sonho realizado finalmente tê-lo como colaborador na série?
Sou um grande fã da série Format e das coisas que ele fez como Basic Bastard, seus singles da KMS e basicamente todo o resto que ele fez. Calhou de esta faixa ser tocada pelo Antal (dos selos Rush Hour e Kindred Spirits) quando nós dois estávamos em Nova York como convidados do programa de rádio Beats In Space, do Tim Sweeney. Falamos sobre um segundo volume da Musik for Autobahns, e o cut se chamava "Turn Left Here", então voilà, uma grande faixa e com a temática de estrada.

A "Rainbow Road" da faixa do Leon Vynehall é uma estrada de verdade?
É, sim! O título de trabalho que Leon deu a ela tinha "BAB 5" entre parênteses, que também é uma estrada que uso quase todos os dias.

Tracklist:

01. Conga Radio - 168 North

02. Leon Vynehall - Midnight On Rainbow Road

03. Joy Orbison - A213

04. AKSK - Breaking

05. Shan - Awakening

06. Bicep - Carmine

07. Fort Romeau - Seleno

08. Orson Wells - Orbiting Jupiters

09. Disco Nihilist - Melancholy

10. Lauer - Autofahrn

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Tradução: Fernanda Botta

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