
Quetta, Paquistão ($ 8 pernoite, peixe tropical incluso)
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Bagdá, Iraque ($50 pernoite pago com antecedência, café da manhã e wi-fi inclusos)Embora Bagdá ainda esteja longe de ser a área mais segura do Iraque, o risco de ser sequestrado diminuiu nos últimos dois anos. Com isso em mente, em fevereiro passei algumas noites no Sabeel, confiante de que eu não morreria. Bagdá pode não ser tão perigosa quanto já foi, mas acho que a cidade nunca vai conseguir superar o baixo astral da foto daquela soldado apontando o dedo como se fosse uma arma para as genitais de prisioneiros nus com sacos enfiados na cabeça.
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Lashkar Gah, Afeganistão ($50 pernoite, café da manhã e jantar inclusos)O melhor de ficar aqui é que o governador da província mais fodida do país está, literalmente, no quarto ao lado. Isso faz com que seja bem fácil conseguir uma entrevista com ele. A desvantagem é que ele é um dos principais alvos do Talibã. Pelo menos os hóspedes ficam no subsolo, o que diminui as chances de você ser morto por um ataque de morteiro.Há uma quantidade significativamente menor de tropas no Afeganistão hoje em dia. Os canadenses foram os últimos a sair e a coalizão passou o controle de Lashkar Gah, capital da província de Helmand, para o exército afegão. E conforme a OTAN se retira, o Talibã retorna e os fazendeiros voltam a criar campos enormes de papoulas. Em outras palavras, acabou o horário de visitas. Estou planejando uma última visita antes que os fundamentalistas voltem e fechem o país para o mundo por mais uma década.
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Cabul, Afeganistão (US$20 pernoite)Até que a imprensa seja expulsa do Afeganistão, continuarei me hospedando nesse hotel lendário. Tem uma familiaridade reconfortante nas janelas fechadas com barras e nas portas de ferro trancadas a cadeado. Ele é até recomendado pela Lonely Planet – pelo menos segundo uma placa na entrada. Localizado no centro, fica a poucos metros da Rua da Galinha, onde você pode passar horas olhando para suvenires afegãos, como burcas, tapetes com motivos de RPG, Kalashnikovs e relógios digitais russos dos anos 80.

Nalut, Líbia (grátis com tudo incluso)OK, não tinha água nem luz nesse lugar e fui acordado a noite inteira por lançamentos de foguetes, mas como eu poderia deixar passar a oportunidade de dormir em uma cama em formato de galeão? De todos os insurgentes do mundo, os rebeldes líbios ganham nota dez pela hospitalidade com jornalistas estrangeiros – talvez para refutar toda a propaganda que o Gaddafi fez dizendo que são todos da Al-Qaeda e/ou viciados em drogas. Ainda assim foi estranho ser o único hóspede em um prédio originalmente projetado para acomodar até 500 amigos do regime de Gaddafi. Depois de duas noites de solidão interplanetária fui para a Central da Imprensa de Nalut, onde dormi aconchegado com os escombros de foguetes Grad e Katyusha lançados nas semanas anteriores. E tinha acesso à internet por satélite de graça. Boa, rebeldes líbios!

Vanq, República do Nagorno-Karabakh (gratuito para estrangeiros)Por um custo relativamente baixo e praticamente nenhum risco, não tão é ruim visitar um dos “conflitos congelados” do leste europeu. Os visitantes ainda ganham um carimbo de visto no passaporte de uma nação que oficialmente não existe. Depois do colapso da União Soviética, dezenas de países novos brotaram na Eurásia. Alguns são semi-oficiais (a Abecásia, por exemplo, é reconhecida pela Rússia, Nicarágua, Venezuela e pelas ilhazinhas Vanuatu e Nauru, do Pacífico) e outros, como Nagorno-Karabakh, são ignorados por todo mundo.