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Luiza Maia: Gosto do ritmo do pagode. Quem não gosta de um pagode na Bahia? O problema são essas letras e danças, que desrespeitam as mulheres e não respeitam a Constituição do nosso estado e do país. Não posso nem chamar de cultural músicas que têm como único foco desmoralizar as mulheres e nos rebaixar a lixo. Tem uma música que fala isso: “mulher é igual a lata, um chuta, outro cata”. A nossa sexualidade não serve pra nada, é pra ralar no asfalto, pra todo mundo pegar, nós estamos disponíveis pra qualquer um? Tem letras que dão vontade da gente vomitar, essa violência simbólica é uma verdadeira esculhambação.
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É difícil combater o machismo, porque ele existe há séculos e não é com uma lei que a gente muda. Mas o projeto tem seu valor pedagógico, de colocar o assunto em pauta. As mulheres nascem e são formadas nesse modelo e é difícil mudar a cabeça delas também. Mas ganhamos apoio de associações feministas e contra a violência da mulher, além de órgãos de justiça, instituições públicas e acadêmicas, movimentos sociais e outros partidos, inclusive gente de outros estados com interesse de implantar leis semelhantes. Muitas mulheres falavam pra mim que se sentiam ultrajadas e envergonhadas por essas músicas, me davam apoio também, e me mostravam que estávamos no caminho certo pra defender os princípios da família e da civilidade. Os pagodeiros tiveram chance de dar seu ponto de vista, até foram à televisão defender seu lado, mas não tiveram representações políticas ou legais.

Veja bem, o Robyssão, da Black Style, diz que a mãe dele aprova seu repertório e que até ajuda a escolher as músicas. Muitas pessoas me falavam: “Poxa, você fica combatendo essas músicas, mas quando os pagodeiros cantam e mandam as mulheres fazerem isso e aquilo, elas fazem e gostam.” Vi num vídeo, uma vez, uma coisa feia: os caras pegavam uma menina, colocavam coleira e uns saíam puxando ela, enquanto um outro fazia de conta que tava fazendo sexo anal, uma coisa horrorosa, como se a gente fosse bicho. Mas as mulheres, como diz um dos gritos de guerra do movimento feminista, não são só corpo, bunda e peito, temos cérebro também.
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