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Fui a um clube de swing com a minha namorada e foi do caraças

Afinal, os clubes de swing não são lugares cheios de gente feia, velha, personagens dos livros de Houellebecq e russos mafiosos com dentes de ouro e armas.

Por Pablo Duncan
09 Setembro 2015, 9:56am

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Espanha.

Perante a ideia pré-concebida de que os clubes de swing estão cheios de gente feia, velha, personagens dos livros do Houellebecq e russos mafiosos com dentes de ouro e armas, deram-me uma recomendação que despertou a minha curiosidade. O mais engraçado é que a dita recomendação foi feita pela minha namorada: há uns anos foi a um destes clubes e disse-me que tinha sido muito divertido. Num fim-de-semana, enquanto bebíamos umas cervejas com amigos, por volta das três da manhã disse-lhe ao ouvido: "Hoje é o dia, vamos a um desses clubes".

Abandonámos o grupo sem dar explicações e pegámos no carro. Conduzi durante 20 quilómetros até encontrar uma casa, bastante refundida, num bairro da periferia de Barcelona, na zona alta. Assim que chegámos vimos um gajo de cerca de 40 anos com duas mulheres, os três muito arranjados, tipo casamento e, nesse momento, perguntei-me se teria o dress code adequado. Assim que entrámos tive a resposta. A rapariga que nos recebeu explicou-nos com toda a gentileza do mundo que não se podia entrar de calções, mas, "como era a primeira vez...".

Pagámos 50 euros para entrar, que incluíam quatro bebidas. Os homens só podem entrar acompanhados, as mulheres podem ir sozinhas. Mostraram-nos as instalações, onde havia uma "discoteca" (cheia de gente nua a enrolar-se), uma zona de piscinas (aí não nos metemos, já que à minha namorada fazia-lhe impressão a ideia de todo aquele esperma a flutuar), um par de quartos com camas gigantes, uma zona de "cinema" (pornográfico, evidentemente) e um terraço. As regras são as seguintes: deves deixar todas as tuas coisas num bengaleiro, onde te dão uma toalha e uns chinelos para que possas circular livremente e semi-nu por todo o recinto. O casal não deve separar-se.

Depois de seguir estas indicações, beber uns copos e observar tudo em pormenor, na tentativa de decifrar as pessoas e o ambiente, decidimos meter-nos num dos quartos. Tinha uma luz bastante ténue, mas podias ver as cerca de 20 pessoas que ali estavam - a fazer já sabes o quê. Arranjámos um sítio e começámos a curtir. Foram-se juntando vários "adeptos". Uns minutos depois já éramos muitos.


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Todos pediam autorização para participar, seguindo as regras deste tipo de clubes: ter o consentimento, explícito ou implícito. A regra de ouro é que um "não" significa NÃO. Mas, claro, numa situação deste tipo os "nãos" quase não existem. Um gajo pediu-me consentimento para penetrar a minha namorada, fazendo um gesto inconfundível. Antes que tivesse o tempo de adverti-lo sobre a importância do uso do preservativo para levar a cabo tal ideia, foi ele quem me mostrou que tinha um novo e que podia colocá-lo sem problemas. Assim que lhe dei o meu consentimento não verbal o tipo pôs-se a piná-la, enquanto ela me fazia sexo oral, coisa que pareceu deixá-la bastante satisfeita.

Acabámos por perder-nos um pouco. Enrolei-me com duas outras mulheres e ela também foi à sua vida. Reencontrámo-nos numa cama - que era mais um templo hedonista que outra coisa qualquer - e comecei a fazer-lhe sexo oral enquanto ela chupava a pila a outro gajo e muitas mãos (muitas) tocavam todas as partes do seu corpo. Desta parte também desfrutou, entusiasmada. Depois de um valente orgasmo pôs-se de pé, bebeu mais um copo e esteve à conversa com um gajo que lhe disse que, normalmente, aguenta a ejaculação até ao final da noite, mas que com ela tinha sido muito difícil. Eu ouvia, enquanto uma completa desconhecida me chupava a pila.

Depois deste round sexual fomos ao terraço apanhar ar. Fumámos cigarros, falámos com um sevilhano que se manifestou contra a cena catalã, deixámos a coisa por aí e voltámos à acção. Desta vez no cinema, onde tivemos sexo com outro casal. Não trocámos uma única palavra, mas entendemo-nos perfeitamente graças à international body language. Parte da diversão é observar e, sobretudo, exibires-te.

Quando acabámos demos outra volta e decidimos ir embora. Voltámos a casa já tinha nascido o dia e bastante contentes. Ainda estávamos excitados, por isso demos mais uma, fumámos um charro e conversámos sobre a experiência. Não sei se me enrolei com pessoas pelas quais não me sentiria atraído num contexto diferente, no entanto, e se assim foi, parece que não teve grande importância.

Havia de tudo um pouco, jovens e maduros, corpos atléticos e corpos devastados. Seja como for, ali não é importante. O que sobressai nesta experiência é a conexão estritamente sexual entre humanos desconhecidos. E, paralelamente, é a melhor maneira de vencer os ciúmes destrutivos: há que dar a volta à situação e fazer com que o desejo sexual alheio jogue a teu favor. Se não podes com eles, junta-te a eles!


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