Clientes tentaram chantagear uma camgirl com fotos – aí ela decidiu vendê-las
Um print de um dos vídeos roubados de Dye. Crédito: Lindsay Dye

FYI.

This story is over 5 years old.

Clientes tentaram chantagear uma camgirl com fotos – aí ela decidiu vendê-las

Quando os espectadores começam a roubar seu trabalho, é hora de roubá-lo de volta.

Ser camgirl não é fácil. Há muitos riscos associados ao trabalho de entertainer online, e estranhos na rede muitas vezes tentam explorar a natureza íntima do serviço para se darem bem, de acordo com Lindsay Dye, artista, fotógrafa e camgirl. Então, quando os espectadores começaram a roubar seu trabalho, ela decidiu roubar de volta.

"Tem gente que me grava sempre e depois vende essas gravações ou me mandam só pra me zoar", disse Dye via email, comentando ainda que recebe prints de seus shows todos os dias, muitas vezes de gente tentando chantageá-la ao ameaçar sua identidade.

Publicidade

Dye me disse estar frustrada por ter seu trabalho roubado e distribuído gratuitamente por aí. Muito dos shows que faz incluem sua arte – roupas, esculturas ou peças de outras artes – o que só a frustra ainda mais. Ela decidiu pegar as imagens que as pessoas roubaram de seus vídeos e as transformou em versões impressas. Tais impressões agora estão à venda em seu site pessoal junto de outras obras que aparecem nas imagens. Tudo faz parte de um projeto contínuo de Dye chamado Buy Me Offline.

"Pensei: sou uma boa pessoa, dou duro, não quero ser chantageada", disse Dye. "Toda minha arte está nessas fotos e gravações, o que posso fazer para subverter isso?"

No papel de camgirl, Dye ganha dinheiro com gorjetas e clientes que pagam por apresentações privadas ou vídeos gravados previamente. Quando as mídias são gravadas ou redistribuídas e aparecem na rede de modo gratuito, ela perde grana. Nessa semana, um indivíduo postou os links para todos os vídeos que ela está vendendo no momento em seu chat.

"Chamei este projeto de minha 'aceitação'", afirmou Dye. "Assim que aceitei isso, meus shows ao vivo e artes foram ativados novamente. Já passei da fase de estar frustrada com minha nudez na internet. Pelo contrário, quero que a repercussão do projeto trabalhe a meu favor, ao retomar o que é meu e vendendo o que eles não podem: minha arte física".

As imagens variam entre dez dólares por impressões 21 x 27 até 100 dólares por até 50 x 70. As obras – que incluem uma piscina infantil, um burrinho amarelo inflável, pinturas e plantas – variam de preço também. A planta no vaso custa 40 dólares, enquanto um poste de stripper de mármore de mentirinha de uma das fotos sai ao preço de 200 dólares. Dye disse ter escolhido os preços por meio de uma série de fatores: quanto tempo cada obra levou para ser feita, sua significância ou, em alguns casos, o quanto ela gastou na sua compra.

Esta imagem inclui ainda a possibilidade de comprar o burrinho amarelo. Crédito: Lindsay Dye

Dye disse ainda já ter feito algumas vendas, apesar de que na maior parte do tempo ela só está pondo os pés na água ao enviar links do projeto para amigos próximos e familiares. Ela afirma que o ponto não é ganhar dinheiro com versões impressas de prints, e sim tomar para si sua obra, seja um show privado para um cliente que pagou ou a pintura pendurada ao fundo.

"Já que estou vendendo minha arte por meio deste 'modelo', estou disposta a fazer mais shows, para que minha imagem seja roubada, me chantageiem e eu possa revender essa imagem", afirmou Dye. "Criei um sistema pra mim mesmo."

Tradução: Thiago "Índio" Silva