Christensen com um dos telescópios do Observatório Catalina. Crédito: Daniel Oberhaus
Em 2005, o Congresso Americano expandiu o escopo da Guarda Espacial: a partir de então, o grupo ficaria encarregado de rastrear 90% de todos os NEOs com diâmetro maior do que 140 metros até 2020. Trabalho duro, se considerarmos que podem existir mais de meio milhão de objetos desse tipo no nosso sistema solar.Embora esses objetos sejam menores do que os alvos originais do programa, eles também tem o poder de causar danos. "Nosso planeta está exposto a todo tipo de cometas e asteróides", disse Dan Mazanek, um engenheiro de sistemas espaciais do Centro de Pesquisa Langley da Nasa. "As consequências de um impacto, mesmo que de um cometa ou asteróide pequenos, seriam devastadoras."Há dois anos a Terra sentiu na pele o tipo de dano que pode ser causado por um pequeno asteróide — e isso porque ele nem chegou ao solo.CHELYABINSKNo dia 13 de fevereiro de 2013, moradores de Chelyabinsk, uma cidade russa próximas à fronteira com o Cazaquistão, recebeu uma visita inesperada direto do espaço. Por volta das 9:30 da manhã, os habitantes levantaram os rostos em espanto para olhar a grande bola de fogo e fumaça que cruzava os céus. Depois de adentrar a atmosfera terrestre a aproximadamente 64.000 km/h, o meteoro explodiu a uma altitude de 97 mil pés e liberou cerca de 500 quilotoneladas de energia — quase 25 vezes a energia liberada pela bomba atômica lançada em Hiroshima.Apesar dos riscos, o uso de armas nucleares para destruir asteróides ainda é visto como uma opção viável
Homem olhando a Cratera Barringer, ao lest de Flagstaff, no norte do Arizona, criada por um meteorito com apenas 50 metros de diâmetro. Crédito: Daniel Oberhaus
"Os cometas de longo período vêm dos limites mais longíquos do sistema solar", disse Mazanek. "Eles compõem uma pequena porcentagem do número de objetos. No entanto, representam um problema muito sério: em alguns casos, esses cometas podem ser detectados meses ou anos antes da colisão, enquanto um asteróide pode ser visto décadas antes de qualquer aproximação."Infelizmente, os esforços para rastrear asteróides perigosos estão sucumbindo graças a problemas financeiros e organizacionais
Eric Christensen procurando novos asteróides no Observatório de Catalina. Crédito: Daniel Oberhaus
Na conferência de Conceitos Avançados e Inovativos organizada pela NASA em 2014, Bong Wie, do Centro de Pesquisa de Desvio de Asteróides da Universidade do Estado de Iowa, propôs a criação de uma nave espacial que interceptaria o asteróide, para em seguida lançar um dispositivo cinético, que, acoplado a uma ogiva nuclear, criaria um buraco em sua superfície. Ele recebeu R$600.000 da NASA para desenvolver seu "Veículo Hiperveloz de Intercepção de Asteróide", o que sugere que ainda existe um interesse considerável pelas estratégias nucleares.Apesar dos riscos, o uso de armas nucleares para destruir asteróides ainda é visto como uma opção viável.
Após relatórios da Junta de Pesquisa Nacional deixarem claro que a falta de verba torna essa meta impraticável, o NEOO aumento a verba do programa em dez vezes entre 2009 e 2014. Mesmo assim, o projeto ainda enfrenta muitas dificuldades. Uma auditoria divulgada em setembro do ano passado descreveu o programa NEOO como uma operação desestruturada e com objetivos vagos.Lindley Johnson, único funcionário da NASA presente no projeto na época, acredita que essa avaliação foi um pouco injusta."Acho que nós somos uma equipe muito coesa. Sinceramente, acho que os avaliadores nunca haviam visto um programa igual a esse", disse Johnson com um forte sotaque texano.Por mais rígida que a auditoria tenha sido, Johnson reconhece que a crítica trouxe mudanças. "Ganhamos mais funcionários, além de mais cientistas e executivos trabalhando na nossa nova estrutura", disse ele à Motherboard.Quanto à suposta falta de estrutura da Guarda Espacial, Johnson acredita que a acusação se deve à natureza do programa."É bem provável que a Terra seja atingida por um asteróide em algum ponto do futuro."

