Cinco anos de NAAFI: O que está por Trás da Estética da Milícia Criativa?
Reed Dunlea

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Cinco anos de NAAFI: O que está por Trás da Estética da Milícia Criativa?

Tivemos uma conversa com o comandante criativo por trás do coletivo que mudou a cena eletrônica do México.

Faz cinco anos que NAAFI se desenvolve como uma comunidade criativa 'da periferia ao centro', propondo abordagens efetivas à cena musical no México. O que começou como uma noite em um clube é agora uma referência da vida noturna do país. Aproveitamos a comemoração de cinco anos de existência do coletivo para questionar por que a estética simples e transgressora distingue o NAAFI de seu pares.

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Alberto Bustamante, o chefe criativo do coletivo, nos recebeu no quartel general do NAAFI. Sua formação como arquiteto o levou a desenvolver projetos de design, de cultura e comerciais, que lhe forneceram as armas para manter seu posto dentro da milicia.

Junto com Tomás Davó, faz a direção do coletivo mexicano, que se tornou referência noturna nos últimos cinco anos.

Alberto nos conta que o visual de NAAFI vem de uma organização militar, sempre buscando elementos que mostrem poder. A ideia é incluir a grafia mexiana que consomem e que colocam o coletivo no mesmo nível que as identidades que tem uma força de comunicação em massa. "Queremos comunicar transgressão dentro dos valores visuais que propomos", explica.

Algo como quando fizeram a série de festas do E-S-T-A-D-O na Estela de Luz e aproveitaram para projetar a cara do candidato à presidência assassinado, Luis Donaldo Colosio ou a cara do candidato que o substituiu, Ernesto Zedillo.

Ou quando imprimiram cédulas falsas para exercer o direito de voto durante a festa.

Ele esclareceu que as intenções políticas não são pessoais. Muito do trabalho de arte acontece com a ajuda de colaboradores. Sempre se desenvolveram com base nas pessoas que os cercam.

Por exemplo, a bandeira do NAAFI foi criada junto com a artista Virginie Morillo.

O flyer da festa com Fuete Billete tem como protagonista as unhas de Laura Puentes (Rosa Pistola).

A arte do NAAFI também trata de respeitar a autonomia de cada um dos projetos. Alberto tem procurado que o desenvolvimento visual do coletivo faça você julgar a música pelo próprio som, e não pela estética que o acaompanha. Também interessa a Alberto mostrar o talento dos artistas que fazem parte da comunidade criativa que os cerca.

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É por isso que em cada lançamento, os produtores trabalham com artistas visuais na criação de suas capas. Siete Catorce trabalhou com Pecco, Lao com Clifford Sage,Smurphy com Natalia Ibáñez Lario, Imaabs com Ramiro Chaves e Zombra se encarregou da capa de Tribal. Esses são apenas alguns exemplos.

Se tomou a decisão de fazer as artes com ajuda do computador e sempre torná-las físicos quando o projeto já começou a se definir por meio da estética.

Ainda que a distribuição seja digital, as imagens estão sendo produzidas na realidade. Isso apela aos valores de NAAFI que são mais próximos ao mundo real e à atividade física que a própria internet. Se trata do físico, da noite, da balada e dos corpos.

A música eletrônica deve pensar em sua materialidade. Nas implicações políticas e sociais que se materializam a partir dela, desde buscar um espaço para a cena acontecer até a coisa mais difícil que é pôr as coisas no mundo real são relevantes — nos explica Alberto.

Por exemplo, a informação incorreta do poster no quinto aniversário da NAAFI é uma consequência do que está em volta do coletivo. Uma vez impressos, os planos mudaram e os posteres continuaram com uma bonita lembrança da piada que é levar a cabo uma produção de maneira independente, alimentado pelas próprias limitações.

Às vezes o processo por trás da criação da imagem é mais interessante que o produto final e isso é o que tiramos dessa situação.

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Val é coordenadora Editorial do THUMP México e nunca foge da festa, siga ela em — @Pandroide

Tradução: Pedro Moreira