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Sexo no trabalho pode dar muito errado

Reunimos histórias de pessoas transaram na firma e contam como o coito no escritório pode dar muito ruim.
11 August 2016, 10:00am

Certeza que a Pam e o Jim fizeram no trabalho. Still de 'The Office'.

Esta matéria foi publicada originalmente na VICE Canadá.

Vamos admitir: parece uma ótima ideia transar no trabalho.

E com certeza não tem pouca gente fazendo isso. Recentemente, o Business Insider (uma publicação muito sexy) conduziu uma pesquisa que descobriu que 54% dos participantes já tinham transado com um colega, e quase todos esses encontros aconteceram no próprio local de trabalho. Mais recente ainda, a startup de saúde Zenefits teve que circular um e-mail pedindo aos empregados para pararem de transar na escadaria do prédio da empresa. E por que não? Parece divertido. Perigoso. Coisa do Fórum da Penthouse (lembra disso pessoal de mais de 30?), ou uma série de pornô ruinzinha. E geralmente é legal.

Mas nem sempre.

Às vezes, sexo no trabalho pode dar merda. Do puro e simples vexame até risco de vida. Pedimos histórias de colegas que experimentaram as armadilhas do coito no escritório.

CORPOS GOVERNAMENTAIS

Meu namorado e eu trabalhávamos numa repartição pública, e um dia decidimos tirar vantagem da hora de almoço para uma rapidinha. Inspecionamos o andar antes e decidimos que o banheiro dos homens era o lugar mais seguro. Pegamos um dos dois reservados, colocamos uma toalha na tampa para ele sentar e eu fiquei por cima. Estávamos nos divertindo até ouvir a porta abrir. O mais rápido possível, erguemos as pernas, apoiamos os pés nas paredes do reservado, e esperamos.

A cena devia lembrar duas pessoas brincando de aranha num corredor, e pense que tudo isso acontecia enquanto ainda estávamos no meio da penetração. O invasor foi pro mictório? Ou para a pia lavar as mãos? Não, claro, ele foi direto para o reservado do lado largar um barro pós-almoço.

Não sei quanto tempo a gente ficou lá, com as pernas pra cima, ouvindo o cara do lado dar um lento cagão enquanto tentávamos não rir, respirar ou vomitar. Finalmente ele foi embora, e a gente ficou sentado lá imaginando se valia a pena continuar. Era de se esperar que os sons e os cheiros tivessem feito a gente reconsiderar, mas não. Achamos que agora a gente merecia transar mais do que nunca. Mais tarde naquele dia, reconheci o invasor pelos sapatos. Eu nem conseguia olhar pra cara dele sem lembrar daquele combo bizarro de sexo e cocô.

– Tina, 31 anos

Um romance de escritório um tanto incomum. Still do filme 'Secretária'.

PROBLEMAS NA MASMORRA

Peguei um contrato de verão em Toronto, no Canadá, e meu namorado na época veio me visitar. A gente gostava de interpretar umas fantasias, mas como eu estava ficando num hotel barato, a gente não podia se envolver no tipo de coisa excitante que queríamos fazer. Mas eu tinha as chaves do meu local de trabalho, e uma das salas era um espaço grande estilo armazém. E eu imaginei que era uma boa oportunidade de fazer cenas incríveis.

Então, um final de semana, montei um cenário elaborado para ele. Só vou dizer que isso envolvia vários equipamentos de bondage e consolos de vários tamanhos. A cena exigia que eu me vestisse de professor, e ele viria vestido como um estudante de inglês. Os consolos eram os outros alunos. Não era muito discreto, mas foda-se. Era o final de semana, então ninguém mais estaria lá. A porta fechava por fora, então pendurei as chaves no meu pescoço. Arrumei a sala, os consolos, os cavaletes e tudo mais, coloquei uma camisa e uma gravata. Aí pensei "OK, vou correndo buscar um café". Ia ser uma longa tarde. Mas quando saí pela porta, percebi que a sensação em volta do meu pescoço não era, de fato, a chave, mas a gravata que eu estava usando. Eu tirei a chave para me vestir e a deixei na sala. Que agora estava trancada.

Foi horrível. Pensei: "Que porra eu faço agora?" Tinha um cartaz na mesa da recepção dizendo "Em caso de emergência, chame a segurança". E eu pensei em ligar por um segundo. Mas eu não conseguia pensar em como fazer eles abrirem a porta e não olharem dentro da sala. O que eu ia dizer? "Oi, gente. Me tranquei para fora acidentalmente!" Tinha como fazer eles destrancarem a porta e fechar ela em seguida na cara deles? "Valeu, gente! Olhem aqui! Olhem nos meus olhos! Só nos meus olhos!" Então a segurança não era uma opção.

Nesse ponto eu já estava em pânico. Corri para a área da administração. Normalmente a porta fica trancada, mas naquele dia, graças a Deus, estava aberta. Corri para trás da mesa da administradora e peguei todas as chaves que encontrei. Voltei correndo e experimentei uma por uma na porta, mas claro, nenhuma funcionou. Eu não sabia se tinha algum segurança por lá, ou se havia câmeras. E claro, meu namorado devia chegar a qualquer minuto. Então voltei para o escritório e joguei as chaves de qualquer jeito na mesa. Cheguei a fazer um curta sobre essa experiência, no qual a gente exagerou um pouco no drama, mas na vida real, simplesmente sentei na cadeira da administradora. Reuni toda a perspicácia de atuação que consegui e disse pra mim mesmo: "OK, sou a administradora. Sou uma profissional no comando da coisa toda. Tenho uma chave para cada porta. Se houver uma emergência, posso responder. E deixei as chaves... AQUI!"

Olhei pra baixo e na frente do computador dela, saindo de uma pilha de cartões de visita, achei uma última chave. Juro por Deus, ouvi um coral de anjos cantando enquanto corria para a sala experimentar a chave. E ela funcionou. Então entrei correndo, joguei minha chave envolta do pescoço, beijei um dos consolos para dar sorte, e coloquei tudo de volta no lugar. Meu namorado chegou alguns minutos depois, e tudo correu às mil maravilhas. Ele não teve do que reclamar. Bom, ele disse: "Da próxima ver, se você for usar consolos, é bom esquentar eles na água morna antes, assim parece mais real". Dica de profissional.

Bom, não contei essa história para ele até muito, muito depois.

– David

A OUTRA NAS CÂMERAS DE SEGURANÇA

Quando tinha 18 anos, arrumei um emprego numa empresa de perda de peso natural. Eles vendiam pílulas e planos de dieta. Os clientes vinham três vezes por semana para conferir seus objetivos de perda de peso. E tinha esse cara que sempre chegava quase na hora de fechar. Ele tinha uns trinta e poucos anos, era casado, tinha filhos e tudo mais. Ele era muito fofo, e quando começou a perder peso, ele sempre me agradecia pela ajuda. Depois ele começou a me trazer presentinhos. E ele era muito fofo mesmo.

Aí a gente começou a transar em todo lugar da loja. Eles tinham um grande espaço aberto de vendas, um balcão e salas particulares para consultas. E transamos em todas essas salas. Nas salas do fundo. Da frente. No armário de zelador. Por todo lado. Isso continuou por alguns meses, até que, dei entrada no meu aviso prévio, e um dia a dona me convidou para tomar um café, só para colocar a conversa em dia. Logo depois que sentarmos ela disse: "Então, acho que eu devia te contar que instalamos câmeras de segurança seis meses atrás". E eu meio que tentei não dar na cara. "Ah, é?" Porque a gente sempre apagava as luzes. Mas ela continuou "Aliás, as câmeras têm visão noturna. Achei que era bom te avisar porque, bom, a mulher dele e eu somos da associação de pais e mestres".

Não me entenda mal, ela foi legal nessa história. Ela era gente boa e um espírito livre. Ela concluiu dizendo: "Sabe, eu realmente aprecio o fato de você sempre esperar o final do expediente".

– Nora, 29 anos

QUASE PERDI A PERNA

Eu trabalhava numa grande empresa de turismo na Europa, e eu estava saindo com esse barman de Amsterdã que sempre aparecia na cidade. Eu parava no bar dele para bater um papo rápido e a gente transava na hora do almoço ou depois do trabalho. Apareci lá um dia e ele me pediu para "ajudar com umas caixas lá no fundo". Fomos até a adega, e transamos contra a parede de pedras do lugar.

Em certo ponto, eu estava chupando ele no escuro, e acho que como estava entusiasmada, não notei que o chão estava machucando meus joelhos. Saindo da adega, notamos um caco de vidro enfiado no meu joelho, que estava sangrando pacas.

Me limpei e o corte estava cicatrizando bem na semana seguinte... pelo menos foi o que achei. Duas semanas depois, numa viagem a Paris, acordei com uma dor insuportável no joelho, que tinha inchado até o dobro do tamanho. Quase vomitando de dor, fui para o hospital local, onde os médicos me informaram que meus exames indicavam uma infecção muito séria, que representaria perigo de vida se tivesse entrado na minha circulação. Eles iam fazer mais testes para ver se era possível conter a infecção, mas se não fosse, eles disseram que a coisa mais segura a fazer era amputar minha perna logo acima do joelho. Melhor perder a perna do que arriscar morrer pela infecção, eles disseram.

Passei a noite acordada naquela cama de hospital em Paris, considerando aquele boquete que poderia custar minha perna. Passei uma semana no hospital me recuperando e tive que usar muletas por mais uma semana. Felizmente, me informaram que eles tinham como tratar a infecção antes que ela representasse perigo de vida, mas eu já tinha decido que minhas rotas de trabalho nunca mais passariam por aquele bar em Amsterdã.

Minha família veio me visitar. Além disso, todo mundo no trabalho e em casa queria saber o que tinha acontecido. Foi bem difícil explicar.

– Danielle, 29 anos

Tradução: Marina Schnoor.

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