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O VINÍ Está de Volta ao Funk com Seu Novo EP ‘Coringa’

Lançado pela Man Recordings, ouça aqui o novo trampo do produtor paulistano Vinícius Miguel.

"Agora posso fazer sons pra galera rasgar a calcinha na pista e fazer com que isso seja, ao mesmo tempo, conceitual". É isso o que nos conta o VINÍ, o produtor paulistano Vinícius Miguel, que depois de enveredar pelo som experimental em Dharma, está de volta à batida funk em Coringa. Antes bolado com a cena funk, VINÍ voltou seus olhos para a produção do bonde do DJ Perera e R7, o que resultou na sua vontade de voltar a produzir o batidão frenético. Com trampo novo assinado pela Man Recordings, o produtor paulistano vai traçando seu retorno ao funk, tanto que depois de participar da série de workshops do Pulso, no Red Bull Station, o homem está produzindo um som com a Lei Di Dai e disse que vai precisar ficar um mês recluso para por em prática tudo que aprendeu por lá. Para mostrar as boas novas dessa fase, no dia 31 de julho, Viní perde a linha no Club 904, tocando pela primeira vez em Brasília. Quer sacar mais do novo batidão do cara? Ouça as quatro faixas do EP Coringa enquanto lê a nossa entrevista com ele:

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THUMP: Se nas músicas do **Dharma *podemos perceber uma vibe meio dark, no* **Coringa *existe uma pegada funk bem mais evidente. Quais foram as suas referências para produzir trampos tão distintos?*
VINÍ: Bom, para as faixas que eu lancei do Dharma (que um dia vai sair, prometo), as referências musicais e um pouco das visuais foram o "Yeezus", o "With Love" do Zomby e uma coisinha de Pharrell/N.E.R.D. Fora isso, tem todo o lance do nome, a homenagem ao meu avô, o momento em que eu estava vivendo e tudo o que contei anteriormente aqui pra vocês.

Aquela vontade de fazer som mais forte e com apelo de pista, que na época do Dharma era quase ausente, voltou bem mais rápido do que eu pensava. Eu tava devendo um EP pra Man Recordings há quase um ano, e pra mim esse era "O" momento pra fazer isso e fechar um EP pra eles com pelo menos duas músicas que os DJs pudessem tocar tranquilamente sem esvaziar uma pista. Mas eu queria e precisava aproveitar essa vontade de forma que o som não soasse só como produto comercial. Eu precisava de um conceito, uma atmosfera, uma boa história em volta. Eu queria levar um pouco desse lance obscuro e cheio de tensão pra esses sons de club.

E de onde veio o nome desse novo trabalho?
Eu sempre fui muito fã do Coringa, sempre me identifiquei muito (calma, eu nunca matei ninguém) e sempre quis fazer algo relacionado. E no funk existe muito esse lance do Coringa e da Arlequina, né… Então comecei a criar tudo com base nisso, mas tendo como cenário as quebradas de São Paulo, e não Gotham City. Eu imaginava o Coringa botando o terror, uma cena de perseguição e tudo mais, só que sei lá, no Centro velho da cidade, ou na Zona Leste. E assim foi… Até ficar pronto. Para melhorar, no meio desse processo anunciaram o novo Coringa dos cinemas, que a galera caiu matando porque "parece funkeiro". hahahah

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Em outubro do ano passado você disse pra nós que sente um enfraquecimento da cena funk no Rio e em São Paulo. Essa sua percepção mudou? Se sim, qual foi o som que te fez mudar de opinião?
Mudou quase que 100%! E foi muito um lance de eu ser mais paciente e compreensivo com o pessoal que estava tentando elevar o jogo nessa cena, tentar entender melhor o que eles estavam fazendo e o quanto aquilo poderia mudar o funk. Eu não tinha a paciência de esperar o próximo som, ouvir de novo e sacar que aquilo ali tava evoluindo, sabe? Eu via a galera do meu Facebook curtindo, mas pra mim eles estavam "se contentando com pouco" ou então era "tudo boy querendo ser malandro", hahah. Eu nunca achava bom de primeira os sons.

Mas chegou o momento em que eu voltei a acompanhar de forma assídua o canal DetonaFunk pra ver de novo qual era, e aí eu vi que tinha gente boa pra caramba produzindo funk de um jeito diferente, e quem tava puxando o bonde era justamente o DJ Perera e o R7 nas produções. Uma [música] melhor que a outra! Foi quando me dei conta de que essa galera reinventou a forma de produzir funk e foi isso o que me motivou a também mudar o meu jeito de fazê-lo.

Na quebrada ainda se consome funk com a mesma intensidade. Porém, de forma mais concentrada, organizada. O lance dos fluxos deu uma força nisso, hoje se tem praticamente um circuito em SP. Outro dia eu passei pelo fluxo do Helipa quase de manhã e a parada tava lotada e rolando som. Eu não acreditei, hahaha.

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O batidão funk em **Coringa *pega bastante, mas pra você qual vai ser o som que a galera vai pirar?***
Se pelo menos uma pegar, eu já vou ficar bem feliz, pode ser qualquer uma, hahaha. Brincadeira… Acho que, por ser inédita e levar o nome do EP, a "Coringa" é a que tem mais chance de cair nas graças da galera. Porém, a "Vai" e a "Bandida Arlequina" já tem uma galerinha daqui que gosta, toca, etc. Eu as mixei de novo e agora elas estão remasterizadas, com outra cara, outro peso, vamos ver… Pode ser uma delas também. Acho que a que tem menos chances é a "Agente do Caos", por causa daquela intro meio cinematográfica, com muita barulheira e pouca marcação… Vai ser um inferno pro DJ mixar aquilo.

Foi-se o tempo em que alguém me falava algo como "Nossa… Eu te achava tão inteligente até te ver tocar um funk no meio do set"

As músicas do **Dharma *são dos seus trabalhos com a pegada mais experimental, e com o* **Coringa *dá pra perceber que você resgata o batidão do* Favela 3000. Para você, o que aproxima os dois sons e o que os diferencia?
O que tem aproximado é que, cada vez mais, eu tô conseguindo unir as duas coisas. Não ter mais preocupação com aquele dilema de "fazer um som conceitual/experimental X fazer um som pra pistas" é o que mais tem ajudado. No momento, eu sinto mais vontade de fazer faixas que eu possa tocar, mas aí é que tá… Eu posso fazer sons pra galera rasgar a calcinha na pista e fazer com que isso seja conceitual, ao mesmo tempo. Isso pode ter toques de experimentalismo sem se tornar "chato" ou sem que se torne daquelas babaquices em que o artista diz "você não é inteligente o suficiente pra entender a minha obra" hahahaha.

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Não sei exatamente o que diferencia. Pra mim, são as formas como o público reage e interpreta. Mas isso está sendo cada vez mais positivo, ainda bem… Foi-se o tempo em que alguém me falava algo como "Nossa… Eu te achava tão inteligente até te ver tocar um funk no meio do set".

Você disse que a faixa "Bubblegum", tem "tanto cara de fluxo, quanto de grandes festivais de EDM". O você acha mais massa em aproximar sons tão distintos num mesmo remix?
O que eu mais gosto, nesse caso, é ter a percepção de algo como "esse tipo de som aqui tem o que falta naquele outro". E aí ir desenvolvendo algo com esse pensamento, até chegar num resultado eficaz…

Esse lance de "funk EDM" (termo que acho bem feiozinho, diga-se de passagem), por exemplo, só quem faz bem mesmo é o DJ Dennis, na minha opinião. O Carlos Nunez e o DJ Sidney já acertaram a mão também, mas o único que se consolidou fazendo um funk que tocaria em grandes festivais dessa linha foi o Dennis. Tirando eles, o resto nem bateu na trave. Eu mesmo tô com uns sons parados porque preciso de mais estudo pra finalizar bem e, quando lançar, ter mais chances de acertar do que passar vergonha. O remix de Bubblegum foi só um teste, há muuuito a ser melhorado ainda. Eu aprendi a fazer os beats naquele estilo do R7, porém comecei a usar drumkits mais fortes pra fazer isso, e fui acrescentando várias coisas que eu aprendi ouvindo sei lá, o Tommy Trash, por exemplo.

Não tá extremamente difícil fazer isso, mas é necessário ter aquela manha, sabe? Pra não ficar sempre no 'quase' ou soando como amador. Um outro exemplo incrível é o Munchi. Ele juntou influências de muita coisa que ele curtia, de uma forma bem única e que funcionava em qualquer lugar. Nos sons dele você conseguia sacar desde reggaeton, cumbia, kuduro e salsa dominicana, até dutch house e drum and bass. Ele foi um monstro nisso!

O **Coringa *sai nesta terça (21). É muito precoce já pensar em trampos novos? Você vai seguir na onda do batidão ou vai voltar para um som mais experimental?***
Precoce nada, quanto antes eu começar, melhor é. Independente de quando eu vá lançar o próximo, é sempre bom ganhar tempo. Quero dar um passo a frente no próximo, desenvolver um conceito ainda melhor, trabalhar melhor todo o lance visual da coisa, fazer videos…Como eu disse, cada vez mais eu tô conseguindo alinhar esses dois lados e fazer um som que me deixe totalmente satisfeito, sem que eu tenha que escolher um ou outro.

Outro dia o Sants me mostrou uma coisa que me mostrou a direção que eu tenho que seguir, no momento. Um álbum que chama "SACANAGEM", de um cara que assina Lsdxoxo, de NY. Aquela ideia é demais! O cara meio que uniu o lance do Zomby, que já era influencia minha, aos elementos de funk. Ele fez um som de quebrada, mas que tem todo aquele conceito darkzão, fino, elegante, ao mesmo tempo. As ideias poderiam ter sido mais lapidadas, mas aí a gente não teria muito o que aperfeiçoar nas novidades aqui, né? É a dica que eu posso dar, por enquanto hahaha.

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