A CEO do Tinder tem umas dicas péssimas de segurança para mulheres

Mandy Ginsberg, CEO do Match Group da IAC, fez os comentários no documentário "Swiped", da HBO.

Por Connor Garel; Traduzido por Madalena Maltez
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set 17 2018, 4:05pm

Imagens via YouTube.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Canadá.

No dia 10 de Setembro, estreou na HBO Swiped, um documentário escrito e realizado pela jornalista Nancy Jo Sales, que, em 2015, publicou um artigo na Vanity Fair com o dramático título "Tinder e o Começo do 'Apocalipse dos Encontros'". O texto era, em grande parte, uma acusação ao Tinder e a todo o mercado de encontros online (o Tinder, como seria de prever, discordou. E os responsáveis da app responderam com uma sequência de 30 tweets nos quais, segundo a TechCrunch, a empresa dizia: “@VanityFair: Facto pouco conhecido: o sexo foi inventado em 2012 quando o Tinder foi lançado”).

Swiped é uma evolução do argumento de Sales na Vanity Fair. O documentário faz todos os pit stops da sua crítica original: Toda a gente odeia o Tinder; o Tinder acabou com o amor; o Tinder redefiniu a intimidade, etc. A produção até tenta (mas não consegue) abordar a experiência única de pessoas queer e não-brancas em espaços de encontros online.

E, mais notável ainda, Swiped aconselha mulheres a como não serem atacadas sexual ou fisicamente num encontro, com apenas seis passos "fáceis". Perto do final do documentário, somos apresentados a Mandy Ginsberg, a primeira mulher CEO, em 2018, do Match Group da IAC — a empresa de media e internet dona do OkCupid, BlackPeopleMeet, Match e Tinder, entre outras aplicações de encontros.

Aqui, o documentário passa para tópicos mais sérios: particularmente, de que forma é que aplicações de encontros complicaram a segurança dos mesmos, a responsabilidade que têm na era do #MeToo e a ameaça de perigo físico que se expandiu desde a popularização do Tinder, pro exemplo. Quando lhe perguntam como é que ela planeia “proteger, ouvir e criar produtos que são relevantes para mulheres”, Ginsberg dá uma resposta triste.

“Sim, há algumas coisas que precisamos de fazer... Temos dicas de segurança. Primeiro, é muito importante que as mulheres não se encontrem com pessoas... nunca vão até à casa de alguém, que se encontrem num lugar público, não bebam, avisem alguém do local para onde vão... que tomem precauções, que avisem alguém que estão num encontro, nunca entrem no carro de outra pessoa... há várias dicas de segurança que fornecemos e acho que as pessoas têm de tomar precauções reais”, diz Ginsberg.

Então, aqui vão os passos para não seres atacada durante um encontro combinado pelo Tinder, cortesia da CEO do Tinder:

1. Não te encontres com pessoas (Não saias, nunca. Fica em casa. É mais seguro).

2. Não vás a casa de ninguém (Provavelmente é uma armadilha).

3. Encontra-te com a pessoa num lugar público (Esta provavelmente é boa ideia).

4. Não bebas (Arranja outra forma de aguentar esse date chato).

5. Avisa alguém que estás num encontro (Esta também é boa).

6. Nunca entres no carro de ninguém (Anda a pé! Queima essas calorias).

De maneira interessante, nada no guia improvisado de Ginsberg para um date seguro se dirige — nem mesmo um simples “Não ataques mulheres” — aos homens dos encontros. As directrizes também são meio que um contrato para mulheres (se és uma mulher a usar esta aplicação, faz todas essas coisas, ou não faças todas essas outras coisas e vais ficar bem), que não aborda as pessoas que elas implicitamente temem. Encontras dicas melhores no Twitter, ou no site “Como marcar encontros com segurança” do Tinder, que têm uma lista com uma curadoria mais cuidadosa.

Mas, tens sempre a alternativa mais segura: não te encontre com ninguém, nunca.


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