Pesquisadores estudaram como expressões de orgasmo e dor variam em cada país

Estudo é a prova de que não existe mensagens emocionais universais.
computador
Foto: Divulgação

Se seu parceiro ou sua parceira abrisse um sorrisão quando estivesse gozando, o que você faria? Como uma ocidental com anos de estudos vindos de filmes, de televisão e do pornô me dizendo qual cara de orgasmo é aceitável, eu com certeza acharia um pouco estranho.

Em algumas culturas, porém, é totalmente aceitável – e até esperado – sorrir quando se atinge o clímax.

Essa é uma das descobertas de um estudo publicado recentemente sobre expressões faciais de orgasmos e dor entre culturas. Os pesquisadores de universidades do Reino Unido e da Espanha usaram aprendizado de máquinas, análise teórica e experimentos de percepção humana para saber se as pessoas percebiam dor e prazer no rosto de outros da mesma maneira. As descobertas foram publicadas no jornal científico norte-americano PNAS este mês.

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Carlos Crivelli, autor do estudo e professor de psicologia da Universidade de Montfort em Leicester, na Inglaterra, me disse por e-mail que o ponto inicial da pesquisa se baseava numa questão: todo mundo concorda o que diferentes expressões faciais significam?

A resposta curta dele é não.

A equipe de pesquisadores comparou dados de observação disponíveis sobre expressões faciais entre culturas com novos dados de experimentos de percepção humana em laboratório. Eles mostraram a observadores de culturas ocidentais e do leste asiático rostos gerados por computador simulando várias expressões e perguntaram se os movimentos faciais combinavam com a percepção deles de “dor” ou “orgasmo” e, a seguir, o quão bem o rosto mostrava essa expressão (“muito fraco” até “muito forte”).

Representações dinâmicas de expressões faciais de “dor” e “orgasmo”. Crédito: Divulgação

Nos resultados, os pesquisadores descobriram que dor e orgasmo são física e perceptivelmente distintos em cada cultura – ou seja, a cara que as pessoas fazem quando gozam não é a mesma que fazem quando sentem dor.

Eles também descobriram que, enquanto a dor era classificada de forma similar entre culturas, havia uma grande diferença em como pessoas de lugares distintos falam sobre o orgasmo. "Olhos abertos tinham mais chances de serem associados ao orgasmo entre ocidentais e sorrir era mais comum em orgasmos em culturas do leste europeu", diz o estudo.

Crédito: Expressões faciais distintas representam dor e prazer entre culturas.

“Essas descobertas parecem perturbadoras para muita gente porque o senso comum geralmente diz que podemos ler as emoções de uma pessoa em seu rosto como um livro”, disse Crivelli. “O ponto importante é que os humanos desenvolvem representações mentais sólidas e consensuais que têm 'vida própria', com consequências importantes para o comportamento humano… Os dados do nosso estudo não apoiam a ideia de que comportamento facial transmite mensagens emocionais 'universais'. Cultura e biologia têm um papel importante em moldar a diversidade que encontramos.”

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