Todas as fotos por Laylah Amatullah Barrayn.

Uma celebração das grandes fotógrafas da diáspora africana

Na sua fotografia e curadoria, Laylah Amatullah Barrayn destaca vozes pouco representadas.

Por Elyssa Goodman; Traduzido por Madalena Maltez
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jul 12 2018, 1:16pm

Todas as fotos por Laylah Amatullah Barrayn.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE USA.

“A minha mãe estava constantemente a documentar a família”, diz Laylah Amatullah Barrayn à VICE. E acrescenta: “Ela tinha essa urgência de tirar uma fotografia”. Os encontros de família em sua casa, em Brooklyn, rendiam muitas imagens que acabariam por se tornar num arquivo de família. Primos, avós, bisavós, todos documentados, a memória deles mantida mesmo por familiares que nunca os conheceram, graças aos rostos cimentados em imagens. “Acho que isso teve, realmente, um impacto em mim”, assegura. E salienta: “Tornou-se importante para eu prórpia saber quem eu era, através da minha família e das imagens que a minha mãe criava. As fotografias dela eram poderosas e afectaram quem sou e quem sei que sou”.

Desde então, Barrayn transformou a sua criação de imagens numa carreira de sucesso como fotojornalista. Recentemente, ganhou a En Foco's Photography Fellowship de 2018; o seu trabalho foi exibido no Museum of Contemporary African Diasporan Arts e no Museu de Fotografia Contemporânea, entre muitos outros; as suas fotos já apareceram em publicações como The New York Times, Vogue e The Washington Post.


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Nos últimos 20 anos, Barrayn tem viajado regularmente para o Senegal, interessada na população de maioria muçulmana e na cultura pesadamente influenciada pelo sufismo. Como cresceu numa família sufi, identificou-se profundamente com o que encontrou no Senegal. As imagens que Barrayn cria são explosões de cores, espíritos e até de admiração. O seu trabalho é respeitoso com as comunidades que visita, mas mantém uma intimidade que vai além do envolvimento apenas casual.

“Trabalho devagar, portanto provavelmente é isso que vês: tiro tempo para conhecer o ambiente onde estou, conhecer as pessoas em particular com quem estou a trabalhar e a comunicar-me”, diz. E acrescenta: “É um processo lento. Tento respeitar e entender todas as coisas éticas envolvidas no trabalho como fotógrafa documental e jornalista. Adoro estar no continente africano e adoro o Senegal em particular, acho que isso também foi algo que senti quando estava a criar estas imagens”.

A sua nova série no Senegal foi feita em Baye Fall, uma conhecida comunidade muçulmana sufi. As imagens estão na exposição “Baye Fall: Roots in Spirituality, Fashion, and Resistance”, no Taubman Museum of Art na Virgínia, até 15 de Julho. Nos últimos três anos, Barrayn também tem fotografado mulheres que viveram o conflito Casamansa no sul do Senegal, documentando as suas vidas e a tirar os seus retratos. No ano passado, passou um tempo em Zanzibar, no Cairo e no Senegal, a documentar diferentes tipos de cura e limpeza espiritual através do exorcismo. Foi esse trabalho que lhe rendeu a En Foco Fellowship.

Além do seu trabalho no Senegal, retratos de mulheres de Nova Iorque e trabalho como freelancer para o New York Times, Barrayn também co-fundou o jornal de fotografia MFON: Women Photographers of the African Diaspora, com a artista e educadora Adama Delphine Fawundu. Baptizado em homenagem a Mmekutmfon “Mfon” Essien, que morreu de cancro da mama antes do seu trabalho estrear na exposição “Committed to the Image: Contemporary Black Photographers”, o jornal é dedicado a partilhar obras de fotógrafas de ascendência africana. A primeira edição apresentava mais de 100 artistas. Futuras edições vão apresentar quatro ou cinco fotógrafas, além de entrevistas e ensaios. A próxima deve sair em Setembro, ainda a tempo do Photoville, o evento anual da United Photo Industries.

“Não há muitas fotógrafas negras ou africanas com a plataforma que merecem”, diz Barrayn. E sublinha: “Não podemos deixar outra fotógrafa desaparecer das nossas memórias. Queremos trazer as nossas irmãs connosco, mostrar o seu trabalho e apoiá-las”. Esse apoio também se estende ao novo MFON Legacy Grant, que todos os anos premeia “uma fotógrafa de ascendência africana que demonstrou um compromisso com a criação de imagens no espírito da obra de Mfon”.

Things Unseen, da série "Cleansing the Spirit" Zanzibar, 2017
Evelyn Coly, da série "Women of Post-Conflict Casamance", Ziguinchor, 2017
Family, da série "To The East", Abu Dhabi, 2015
Dra. Kaila Story, da série "You May Sit Beside Me: Visual Narratives of Black Women and Queer Identities", Filadélfia, 2014
Khassida à Thiès, da série "Baye Fall: Roots in Spirituality, Fashion, and Resistance" Thiès, 2014
Respect to Mame Diarra Bousso, da série "Baye Fall: Roots in Spirituality, Fashion, and Resistance", Prokhane, 2015
Sonia Sanchez, da série " Her Word as Witness: Women Writers of the African Diaspora", Filadélfia, 2011

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