Quem Paga o Estado Social?
VICE: Olá, Raquel. Conta-me: neste livro, onde está a Raquel historiadora e onde está a Raquel activista?
Raquel Varela:
E isso pode ser um problema?
Então qual é a relevância para este trabalho da tua experiência em protestos e manifestações?
Não compreendes o significado, em termos das soluções que poderão apresentar?
Parece óbvio o que vos motivou a escrever este livro…
No teu texto, dizes-nos que o capitalismo mudou muito nas últimas quatro décadas. Como chegámos até aqui?
Que resistência deveria ter sido levada a cabo?
Isso é uma crítica forte aos sindicatos.
E agora, o que temos?
É precisamente por isto que, como referes no livro, estamos a quebrar os laços comunicacionais com as gerações do presente e do futuro?
Este livro traz-nos uma entrevista a Éric Toussaint. Diz-nos ele que uma das causas desta crise foi o “enriquecimento sem causa” [enriquecimento abusivo, ilícito]. Concordas?
Mas se me dizes que a causa está aí, essa é uma crítica não só aos bancos ou aos banqueiros.
Mas, nessa mesma entrevista, Toussaint refere também que os bancos emprestaram com juros baixíssimos e que esta foi a armadilha dos países intervencionados. Parece uma contradição…
E isso não é mau.
Aconteceria o que vemos agora…
E temos apenas duas opções, como todos dizem? Ou nos resignamos à troika e aceitamos as imposições dos mercados, ou rasgamos todos os pactos?
A diferença aí é nenhuma. Uma renegociação à força e a suspensão, na prática, é nula.
Mas é também importante saber, e isso ainda não foi dito pela esquerda, o que iremos ter no dia seguinte à quebra dos pactos que temos pendentes.
Só que isso é muito importante.
Nesse plano hipotético, significaria que, no imediato, iriamos para pior?
Mas tem noção que se propuséssemos isso às pessoas…
Indo um pouco à frente, os últimos sinais que o Governo nos apresentou até têm sido aparentemente positivos. Falo dos níveis das exportações, da recente ida aos mercados.
E se Vítor Gaspar e a troika estiverem certos?
Não vamos voltar a estar como em 2005? Lá para 2016, talvez.
Raquel Varela:



