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Juntamos histórias dos piores encontros pra você se sentir melhor

Relatos de dates péssimos estão unindo o Brasil.
Foto: Reprodução.

Nesse Brasil cheio de oportunidades, o 4G do celular comendo solto e ligadaço nos apps de pegação da vida, passar por um (ou vários) encontros amorosos ruins é mato. Nós já reunimos depoimentos de pessoas que se lascaram graças ao Tinder. Agora, aproveitamos o estouro da hashtag #DateRuim nas redes sociais pra voltar com essa linda compilação de encontros péssimos. Só mesmo um meme para juntar esse país tão politicamente polarizado. Alguns corajosos mandaram suas histórias de horror e nós tivermos o cuidado de selecionar os piores pra todo mundo pensar duas vezes antes de dizer sim pro contatinho secundário mantido no WhatsApp.

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O Embuste

Uma vez sai com um cara do Happn, ele era o típico hipster da Vila Madalena que bebe cerveja artesanal ouvindo Raça Negra só pra pagar de povão.

Papo vai, papo vem, marcamos o date. Quando já estava chegando no encontro, ele me manda uma mensagem pedindo pra adiar um pouco, uns 30 min. Falei que claro, sem problemas. O dito cujo me foi aparecer quase 1h30 depois dizendo que o gato dele tinha feito sujeira em casa e ele teve que limpar. Até aí ok, meu ex tinha gato, bateu aquela memória afetiva e seguimos os protocolos.

Fomos beber uma cerveja e bater um papo. Ou melhor, ele começou o monólogo. Ficou por mais de 40 minutos falando que era fã de realitys shows, desde BBB até A Fazenda e fazia planilhas no Excel pra prever os ganhadores — afinal ele era o cara do Excel no "job" dele na Vila Olímpia. Isso intercalado sobre o quanto ele gostava de maconha e era o boy da erva. Era como sair com um sommelier de baseado.

O infeliz não perguntou NADA sobre mim, ficou lá tentando parecer descolado por gostar de coisa trash e ter um bong em casa. Tava bêbada e carente do último pé na bunda então tava topando qualquer caô um pouquinho mais elaborado. Corta pra gente se pegando embaixo da guarita da PM na Praça Roosevelt e sendo gentilmente interrompidos por um policial perguntando se ali era motel feito dois moleques de 15 anos.

Depois da cena lastimável nos despedimos porque eu tinha combinado um rolê com meus amigos. Quando entrei no Uber, dois segundos depois pipoca a mensagem: se quiser ir pra casa depois é só avisar. Cheguei numa festa que parecia formatura ou casamento do seu primo do interior, com o pessoal de óculos colorido em formato de borboleta. O desespero bateu e eu mandei mensagem pro boy lixo.

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Em menos de 5 minutos estava em outro Uber me descambando até a Vila Boim pra encontrar o ser humano. Quando cheguei, ele aparentemente tinha chapado de maconha e já foi me levando pro quarto dele. Foi tudo tão horrível que eu nem sei como começar, mas primeiro eu quase vomitei o dogão que tinha comido antes de sair da festa chupando o pau dele e tive que correr pro banheiro pra me recompor. Voltamos à programação normal, mas quando eu estava a menos de 2 segundos em cima do rapaz, sem nem sentir cócegas no clitóris, ele para e diz: "Nossa, já gozei, tô chapado." E vira pro lado e dorme.

Pelo menos o gato dele era realmente fofo.

— Luciana, 23 anos

Caganeira

Tive um date muito torto em 2012. Não por culpa da menina, mas por culpa do meu intestino. Ela me chamou para jantarmos na sua casa. Até aí tudo legal. Os amigos dela estavam lá. Muitos amigos. Comemos, rimos, nos divertimos pra caramba. Comemos de tudo. Misturamos de tudo. Cerva com chocolate, frango com cachaça. Aí os bróders dela foram dormir.

Ela me puxou para o quarto. Tudo perfeito. Nossa, não tinha como dar errado. Aí dormimos. E eu acordei no meio da noite com meu estômago roncando. Roncava pra caralho. Acordei a moça e disse que tinha que partir. Eu não podia usar o banheiro, porque a dor de barriga era daquele nível apocalipse zumbi.

Todos, sim, todinhos os amigos dela estavam deitados na sala, espalhados em colchões de procedência duvidosa, e o banheiro ficava na sala, coladinho com o nariz deles. Seria impossível efetuar meus trabalhos naquele lugar. Acordaria e mataria todos.

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Fiquei acordando a moça, implorando para ela abrir a porta, e ela "fica aí, oxe", e eu implorando e chorando. Até que ela abriu. Ela ficou puta de ter que abrir a porta. Muito puta mesmo. Enfim, saí do apê cambaleando. O lance era rastejar meu corpo em ebulição fecal até a praça dos mototaxistas para conseguir chegar em casa e me livrar daquele troço.

Madrugada vazia e eu lá me agonizando todo. Cheguei na praça e não aguentei. Os mototaxistas estavam longe, juro que estavam. No meio do caminho tinha uma moita discreta, tinha uma moita discreta no meio do caminho. Ajoelhei-me perante esta moita discreta e caguei. A humilhação decorava meu corpo por completo. Subi a cueca, envergonhado, e peguei o moto-táxi pra casa, todo cagado e derrotado.

No dia seguinte, a mina deixou de falar comigo. Fiquei com vergonha de contar os motivos da minha fuga noturna. Acho que ela pensou que não curti o encontro, sei lá. Ela ficou bem chateada por eu não ter ficado. Dois anos depois, em uma festa, encontrei ela e falei a verdade: "queria cagar e fiquei envergonhado de fazer na sua casa". Ela riu pra caramba, riu muito mesmo, e disse: "como tu é bobo, Bruno! Porra". Aí eu fiquei rindo também, e nós dois ficamos gargalhando, nossa, rimos muito. Daí ela se despediu e nunca mais nos encontramos.

— Bruno, 28 anos

Lerigou, lerigou

Eu tava em casa obviamente me sentindo muito trouxa e nesse momento o radar de todos os boys lixos apita, né?E eles sabem que a gente tá numa fossa.

Um deles aproveitou e me convidou pra ir na casa dele. Às 22horas. Na praça da Sé. Eu moro em Itaquera, pra você ter uma ideia. Maior rolê. Como eu estava sem fazer nada acabei indo.

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Chegando lá e me deparei com a decoração do apartamento com três paredes cheias de Batman, Star Wars, muita muita testosterona. Típico. Mas o que fodia mesmo era uma parede em específico toda dedicada ao filme Frozen. Tinha adesivo das princesas, do Olaf, dos alces. E a porra de uma Elza em tamanho real. Eu achei estranho, mas o boy falou que amava aquele filme, que o ajudou a superar alguma coisa que não cheguei a prestar atenção. Segue o baile.

Bebemos e começamos a nos pegar e eu decidi que não conseguiria transar com uma princesa me julgando e mandei "ou Elza ou eu".

Bom, dei sorte que o metrô de São Paulo fecha mais tarde no fim de semana e consegui voltar pra Itaquera.

— Bia, 31 anos

Baba de Vaca

Eis que tô no Happn falando com vários caras e minas. Tinha tido uns dates meio ruins, outros mais legaizinhos e tinha esse cara muito perto de onde estava morando e que ficava me provocando muito, falando umas putarias. Acabamos saindo num sábado e na hora que ele chegou dei uma broxada legal por causa do estilo dele (camisa polo) e ele era bem mais baixinho e gordinho do que aparentava no app.

Me senti uma escrota por estar julgando pelo biótipo dele. De repente ele ficou o gordinho desengonçadinho de blusa polo que não poderia estar falando aquelas putarias pra valer. Eis que ele pergunta se "tem algo errado" e eu fiquei meio mal comigo mesma, que eu não poderia ser escrota, que era preconceito meu com o biótipo do garoto e não com a brochada do estilinho, do papo ao vivo, da presunção de quem tinha arrumado delivery de buceta às 2h30 da manhã de um sábado já fracassado. Ok, acabamos num motel lá perto.

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No quarto pedimos uma cerveja e ele aproveitou que eu estava mandando uma mensagem pra uma amiga (avisando que estava num quarto de motel com um desconhecido) e colocou uma coisa no meu copo. Na hora percebi e perguntei o que era. Ele, já com cara de ódio por ser descoberto, me entregou o copo falando "isso não é nada, natural da Amazônia, chama baba de vaca" — ou pelo menos foi isso que entendi do nome, porque ele falou rápido — "toma!". Dei uma bicadinha no copo e percebi que ele tomava cuidado em não beber do meu. Até que questionei se ele não ia tomar. Nessa hora eu já estava borbulhando de raiva, queria foder e ir embora e ele pegou meu copo e tomou tudo. Pelo menos não era alguma coisa que me fizesse desmaiar, já que ele tomou.

Do nada ele me agarrou e o beijo era horrível, a foda foi uma merda — ele gemia forçado e não calava a boca. Fiquei mais molhada do que o meu tesão indicava e suspeito que era por causa daquela porcaria que ele me deu sem sequer perguntar se eu queria. Quando terminou fui tirar aquele suor nojento de mim e pensei como aquele chuveirinho poderia ser meu verdadeiro date da noite e não esse cara.

Depois ele me mandou várias mensagens enchendo meu saco, achando que foi tudo ótimo. Me limitei a não responder e o desgraçado ainda me chamou de mal-educada. Porque lógico que eu quem sou a mal-educada e não ele que me deu uma droga sem me pedir.

— Darlene*, 27 anos

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O Embuste II

Peguei um cara, trepei, nos despedimos e segue o baile. Um ano depois, o cara me brota do-na-da no Messenger. Justo quando eu tava mesmo pensando em quais contatinhos poderiam ser reativados durante uma seca braba. Chamou pra tomar um vinho e ver um filme na casa dele, eu fui. Só que, desempregada, não tinha me dado conta de que era feriado, e aos feriados os ônibus que saem do meu bairro no subúrbio do Rio de Janeiro rareiam e o centro da cidade fica desertão.

Claro que o gatinho cineasta dos óculos wayfarer morava na zona sul, né. Foi osso chegar lá, passei o maior medão fazendo baldeação já quase 23h na Cinelândia que tava tipo madrugada dos mortos, o poste do ponto final tava sem luz, acabei pegando um táxi não-planejado e definitivamente fora do orçamento, enfim: cheguei na casa do boy nervosa e esbaforida, relatando essa epopeia toda, mas ele cagou baldes e começou a me pegar logo na sala.

OK, fomos pro quarto, trepamos e foi meio bosta, ele me contou pela segunda vez como quebrou o braço praticando snowboarding na França (zzz) e então voltamos pra sala pra assistir o filme (eu nem tava contando com isso, mas tinha mesmo um filme!). Um do Woody Allen, e que eu já tinha visto, a propósito.

Depois do filme a gente voltou pro quarto e trepou de novo e mais uma vez foi bem merda — sabe aqueles caras que parecem que estão trepando sozinhos? Como se tu fosse uma boneca inflável? Pois é. Pra piorar, ele provavelmente lembrava do ano anterior que eu curtia umas brincadeiras mais brutas, mas nem pra dar uns tapinhas o mané fazia direito, pesava a mão, não tinha a menor sensibilidade, machucava sem ser bom. E ainda por cima fez uma certa manha pra botar camisinha. Resumindo: daquelas fodas que não valem a passagem do busão.

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Mas depois que acabou foi que as coisas começaram a ficar realmente esquisitas (até aí, quem nunca, né?). Ele disse que estava sem sono e perguntou se eu queria ver um pouco de TV antes de dormir, eu concordei e voltamos pra sala. Recostei no ombro dele com o mero fim de ficar um pouco mais confortável e ele se retraiu como se eu fosse um bicho nojento. Então resolvi me deitar com a cabeça no colo dele; ele deixou, mas depois de alguns minutos colocou um travesseiro embaixo da minha cabeça e se afastou no sofá. Acabei pegando no sono.

Acordei tremendo de frio. Olhei em volta, a TV estava desligada e a porta do quarto, fechada. O filho da puta tinha ido dormir sozinho e me largado no sofá da sala, e ainda fechou a porta. Do meu lado, no sofá, minha bolsa os brincos que eu tinha tirado e deixado na mesa de cabeceira. A mensagem era clara: "valeu, já pode ir embora, abração".

Claro que minha primeira ideia foi realmente ir embora. Mas aí eu fiz os cálculos. Deviam ser umas 5 da manhã, eu tava com sono, com frio e puta da vida. Pra voltar pra casa ia ter que pegar dois ônibus de novo, e àquela hora nem sei quanto tempo ia ter que esperar. Pegar outro táxi estava fora de cogitação (eram tempos pré-Uber, e mesmo assim eu não ia querer gastar com isso). Entrei no quarto, deitei na cama, falei "se quiser dormir sozinho, não convida ninguém pra tomar vinho na tua casa à noite", virei pro outro lado e dormi até umas 8h. Acordei e ainda tomei um banho, sem a menor pressa, me despedi e vazei.

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Hoje eu conto essa história gargalhando, como o pior date da minha vida, mas a real é que na hora não teve graça nenhuma, e a ocasião foi decisiva na construção da minha atual preguiça e desconfiança de sair com homem. Não sei se é medinho infantil de se comprometer ou se é pura misoginia mesmo, mas os caras não têm a capacidade nem de fazer um sexo casual sem tratar a gente que nem lixo. É foda.

— Letícia, 30 anos

Brasil polarizado

Conheci um cara no Tinder e saímos umas quatro vezes. Tudo ótimo, tudo lindo. Na quinta saída ele me convidou para beber na casa dele e fui. Bebemos e transamos.

Naquele momento pós-sexo ele me saca o celular e diz que quer me mostrar umas fotos. Penso comigo mesma "ok, fotos de família. Chato, porém ok". Mas não. Eram fotos dele vestido todo de verde e amarelo nas manifestações pró-impeachment, batendo panela e gritando "Fora Dilma".

Dai do nada ele começou a me chamar de "esquerdista petezete". Falar mal da Dilma e me deixou assustadíssima.

Saí correndo pelada catando minhas roupas, me tranquei no banheiro e pedi pra uma amiga ir me buscar. Ele ficou do lado de fora dizendo q não me deixaria ir embora. Que eu ia ter que ficar com um cara de direita.

Foi bizarro. Mas fui resgatada e está tudo bem hoje.

— Bia (a mesma da Frozen), 31 anos

Perdeu pro baile

Estava com meus 19 anos, começando a ouvir música eletrônica e ser um alternativo do rolê, quando conheci uma garota. Ela era toda divertida e pra frente, era mais velha que eu. Papo vai, papo vem, ela sugeriu de irmos no 'canto da ema', porque lá "era muito divertido, tocava forró". Logo de cara achei a ideia um pouco estranha, porque forró nunca foi a minha praia mas me interessei pelo recinto — poderia ser divertido ir até lá.

Ok, marcamos.

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No dia, eu estava com uma vestimenta normal de rolê: bermuda jeans, tênis cano alto, minha chave pendurada por um cordão da adidas e camiseta preta. Tava pronto pra qualquer rolê, quando ela surge de vestido florido e sandália. Esse foi o momento que percebi estar numa fria.

Como disse, ela era pra frente, já dirigia e fez questão de me buscar e irmos no carro dela.

O "Canto da Ema" é um local interessante, lá tem uma pista cercada por uma faixa branca que é a área de dança. Se você não quer dançar, não fique lá. Chegamos lá, tomamos umas bebidas e ela logo quis dançar. Adiantei que não sabia dançar, mas ela insistiu.

Dançamos uma música e eu percebi que ela não se sentiu 'satisfeita' com a dança.

Ao terminar, falei para sentarmos pra conversar. Enquanto falávamos, ela não tirava o olho da pista, com aquela vontade de dançar mais. Sugeri de dançar outra música, mas no meio da dança ela já saiu dizendo que não estava muito legal. Fomos ao bar quando ela manda: 'você se importaria se eu dançasse com outra pessoa?'. Bom, daí pra frente eu realmente só esquentei o banco. Ela dançou com uns quatro caras e voltava toda feliz pra falar comigo 'como ele dançava bem'. O auge dessa história foi quando um rapaz sem um braço chamou ela pra dançar e tirou a maior onda do mundo. Ele jogava ela pra cima, girava ela, enfim, tudo isso só com um braço.

Tentei ser moderninho o suficiente, mas senti que já estava fazendo papel de trouxa, pedi pra ir embora — tava de carona com ela e com meus 19 anos não tinha mais que 50 na carteira. Ela não gostou muito, mas saímos do rolê antes das 3h. Ela me deixou em casa e nunca mais falei com ela.

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— Renato, 28 anos

Gatilho

Bom, a minha história é tragicômica no fim das contas. Uma mina e eu demos match no Tinder, passamos a semana conversando e combinamos de sair no sábado seguinte. Na hora de escolher o local/programa, eu queria sugerir um bar, mesmo que fosse o Bambolina (rs), mas não queria parecer escroto por impor o que iríamos fazer e deixei nas mãos dela. Optamos por ir ao Belas Artes (o que era um erro, mas não quis forçar a barra).

Fomos assistir ao "Truman", o que foi um erro brutal, pois era um lance bem bad vibe — tinha um ou outro momento engraçado, mas whatever — e a cena final era pesadaça emocionalmente. Isso ativou alguns gatilhos bizarros, pois ela havia passado por algumas situações bem bizarras durante a semana.

Resultado: ela saiu chorando e fiquei com cara de velório — fiquei bem abalado também. Saímos do cinema e bem na hora em que eu iria sugerir pra gente parar em algum lugar, ela quis ir pra casa dela sozinha. Ainda me ofereci pra fazer companhia, pois fiquei preocupado em ela descer a Consolação — sem segundas intenções, juro.

Ela não quis e foi embora sozinha, enquanto fui pro apê de um casal de amigos beber — estava rolando uma festa lá.

Ainda nos falamos por mais duas vezes e sumimos um do radar do outro. Moral da história: devo ter ativado algum gatilho nela sem perceber ou fiz algo errado que até hoje não saquei o que era.

— Amauri, 29 anos

O Embuste III

Minha pior experiência foi a única e última vez que encontrei alguém através do Tinder. Um cara gato, charmoso deu match comigo e começou a puxar conversa, nem estava acreditando que estava falando com um cara como ele. Ok.

Ele me convidou para ir na casa dele "tomar um vinho" e eu curti a ideia, achei mais charmoso ainda. No mesmo tempo, estava conversando com o melhor amigo para saber se iria ou não, porque não estava nenhum um pouco preparado para dar o cu (sem chuca, sem confiança). Acabei aceitando o convite e fui na mesma noite de sábado que conversamos.

Quando cheguei na casa dele e teve todo um esforço pra me esconder do porteiro do prédio e das câmera já comecei a sentir um cheiro de embusteiro no ar.

Entramos na casa dele, ele colocou um show da Beyoncé on demand, porque ele mesmo supôs que era algo que eu gostava. O vinho não tinha, mas me ofereceu um restinho de whisky com gelo, novamente ok. A conversinha no sofá começou sobre ser assumido ou não, sobre comer mulheres ou não e eu já estava me sentindo acuado com o jeito enrustido heteronormativo dele.

Da conversa no sofá, começamos a nos pegar. De repente veio o baque: ele pediu para comer ele. E eu, sexualmente passivo, não sabia onde enfiar a cara. Expliquei que nunca tinha feito tal façanha e pedi para que ele me comesse primeiro para sentir o ritmo e que depois faria o mesmo com ele. Assim nos despimos e ele logo começou a me chupar e eu não estava me sentindo tão à vontade assim. Chupei ele e a insistência em comer ele não parava. Logo, ele me deu uma camisinha e eu, gentilmente comi ele.

Não sei nem como meu pau ficou duro. Ele ficou de quatro e eu comi ele sem ao menos saber como agradar, ou instigar o tesão. De repente, ele se empolgou e gozou ali mesmo, manchando todo sofá. Eu ainda estava de pau duro sem saber o que fazer. O lance foi que a graça acabou ali mesmo e fui pro banheiro tomar uma ducha e tentar esquecer o que vivi. Me sentindo ao mínimo usado.

Pedi para que ele me levasse até em casa mas o máximo do esforço dele foi me deixar na estação, com a porta quase fechando porque já se passava mais da meia-noite. Cheguei no Centro da minha cidade e a operação de ônibus já tinha acabado, voltei para casa a pé, sozinho e chorando. Ele me bloqueou na mesma noite.

— Bruno, 25 anos

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