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Aqueles 25 momentos do Super Bock Super Rock 2018

Menos gente: verdade. Julian Casablancas horrível: verdade. Dia do rap intenso: verdade. Muitos outros grandes concertos: verdade.

Por Sérgio Felizardo
26 Julho 2018, 3:42pm

Baxter Dury. Todas as fotos pelo autor.

O concerto de Julian Casablancas & The Voidz foi deplorável e constrangedor, esteve pouca gente no primeiro e no último dia e bastante mais no segundo e o Verão continuou sem se fazer sentir na sua plenitude mediterrânea habitual. São factos e são incontornáveis. No entanto, também não é menos verdade que o Super Bock Super Rock deste ano teve vários concertos memoráveis, que o facto de estar menos gente que noutros anos permitiu a quem estava desfrutar melhor de um espaço que cada vez mais parece fazer sentido absoluto para um festival intrinsecamente urbano e que estar à espera de algo de jeito do rapaz Casablancas em 2018 é como acreditar que as alterações climáticas são uma fraude.

Diz-se por aí que o cartaz não era suficientemente potente, que as datas não ajudam e que a aposta num dia praticamente todo dedicado ao rap e afins é uma espécie de heresia num festival que tem "rock" no nome. Enfim! Diz-se muita coisa idiota neste mundo, já sabem! A aposta do Super Bock Super Rock nalguma da mais fresca e nova música urbana é tudo menos um problema. Equilibrá-la entre as propostas variadas dos outros dias é inteligente, tal como o é dar-lhe espaço de destaque - e não apenas "polvilhar" - num cartaz de um evento de massas, mediático e que, com melhores ou piores anos, está cravado no imaginário popular festivaleiro como o primeiro da era moderna dos festivais de Verão portugueses.


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Renovar públicos e renovar o interesse dos públicos não é algo que se consiga de um momento para o outro, nem que se compadeça com as "internets" da vida. Paciência é uma virtude em escassez nos dias que correm, mas de certeza absoluta que o dia 20 de Julho ficou marcado indelevelmente nas vidas daqueles que escorreram água durante a actuação escaldante de Travis Scott, que cantaram em coro com Anderson .Paak e Slow J no palco principal, ou que deliraram com Princess Nokia, Oddisee ou o português Profjam, que é bem capaz de ter ganho lugar na Altice Arena em 2019.

Não percebes o hip hop? Pois, eu também te digo já que a maior parte das vezes nem por isso, mas percebo música e percebo quando vejo os representantes de uma geração inteira a viverem o que todos queremos, sempre, de um festival: que nos mude a vida. E na sexta-feira do Super Rock, houve muitas vidas a mudar. Como também espero que tenha havido algumas a, pelo menos, melhorarem com os impressionantes concertos de Lee Fields & The Expressions, Parcels ou Parkinsons no dia 19, ou de Baxter Dury, Keep Razors Sharp, Pop Del Arte e The The no sábado.

Uma coisa é certa, em 2018 o Super Bock Super Rock fez-se de uma relativa calma, que também sabe bem em tempos de "tudo ao mesmo tempo". Não aproveitar isso seria um desperdício.

Abaixo podes ver alguns dos momentos do Super bock Super Rock 2018, que captámos fora e em cima dos palcos.

The Parkinsons
Vaiapraia
Lee Fields & The Expressions
Justice
Princess Nokia
Baxter Dury
Keep Razors Sharp
Conguito

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