Os homens que não amavam as mulheres: dois assassinos e estupradores em série de São Paulo
Ilustrações por Luiza Formagin.
Crime e Castigo no Brasil

Os homens que não amavam as mulheres: dois assassinos e estupradores em série de São Paulo

Conheça os crimes do Estrangulador Loiro e do Monstro do Morumbi, que atuaram respectivamente em 1952 e 1970 na capital paulistana.
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ilustração por Luiza Formagin
1.4.18

A repórter Marie Declercq é fascinada por histórias de crimes bizarros. Começou com os romances de detetive, mas depois ela sacou que a realidade sempre vence a ficção no quesito crueldade. A cultura da violência do Brasil infelizmente é um terreno fértil, e aqui você vai conhecer os crimes mais bizarros e brutais da história do país.


O crime de estupro é um dos mais complexos para ser analisado. Atualmente sabemos, por meio de pesquisas, como ele incide na sociedade. Por exemplo: que 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e que mais da metade desses abusos sexuais são cometidos por conhecidos da vítima -- seja um amigo, um parente, os próprios pais ou um colega de trabalho. Portanto, ele não costuma ser um tipo de crime cometido por um estranho em ruas escuras.

Pelo menos na maior parte dos casos.

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A complexidade do estupro é saber suas motivações. Não que isso faça diferença na punição do agressor (exceto se ele for comprovadamente doente mental). Entre as várias causas, o estupro pode ser um instrumento para verbalizar sentimentos de ódio, raiva, insegurança e como a reafirmação da identidade sexual do agressor enquanto um macho. E os estupradores em série, aqueles que cometeram dois ou mais delitos, são considerados por especialistas criminosos de sucesso, já que a polícia dificilmente consegue os conectar os estupros em um sujeito só.

Nesta edição da coluna, você conhecerá a história de dois homens que recorriam ao estupro e à morte de mulheres para saciarem seus desejos sexuais. O "Estrangulador Loiro", que matou sete mulheres entre 1951 e 1952, e o "Monstro do Morumbi", que atacou dez mulheres em São Paulo e em Belém do Pará na virada da década de 1960 para a de 1970.

Ilustrações por Luiza Formagin.

O Estrangulador Loiro

“Quero que o senhor saiba que eu sou um doente. (…) Sexualmente, sou um anormal”, confessou Benedito Moreira de Carvalho, um marceneiro de 43 anos levado até uma delegacia no dia 5 de setembro de 1952 sob suspeita de ter estuprado e matado diversas mulheres no mesmo ano. Sob os ouvidos atentos dos investigadores policiais e do promotor público no Palácio da Polícia, Benedito confessou calmamente e sem aparentar remorso 10 crimes contra mulheres – apenas três saíram com vida. Só pediu que fosse tratado como doente em troca.

Desde o começo do ano, os crimes de Benedito assustavam os moradores do extremo leste de São Paulo. A polícia estava completamente sem rumo e nem pistas sobre as mortes e ataques contra jovens mulheres e crianças. As histórias eram sempre as mesmas: as vítimas eram atacadas em locais de baixa circulação de pessoas, arrastadas até o meio da mata, agredidas, mordidas, estupradas e enforcadas com as próprias mãos ou com um cordão trazido pelo homem.

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Em 1952, a austríaca Gertrudes Dunzinger, de 28 anos, foi a segunda vítima de Benedito, mas a primeira a chamar atenção da imprensa e da polícia. Casada com um ex-piloto da Luftwaffe (força aérea da Alemanha nazista), Johan Dunzinger, a moça desapareceu em 7 de abril ao sair da chácara onde trabalhava com o marido em direção à Santo Amaro para ir ao dentista e fazer compras. Foi vista por testemunhas pegando o ônibus e depois desapareceu.

Johan estranhou a ausência da esposa no mesmo dia, considerando que ela detestava sair sozinha porque não sabia falar português e também porque jamais abandonaria seus três filhos. Após notificar a polícia no dia seguinte, começou a buscar incansavelmente a mulher, até que o corpo foi encontrado em 12 de abril em avançado estado de decomposição.

O cadáver estava de barriga pra cima, com as roupas rasgadas e seus pertences pessoais espalhados em volta. Estava cheio de hematomas, machucados e mordidas pelo corpo e aparentava ter reagido ao agressor. Pela posição do corpo e o estado das vestes, a polícia logo concluiu de que fora estuprada e depois esganada.

Johan, que também não sabia falar português, chegou a ser cogitado como suspeito principal por conta de erros de comunicação com o intérprete -- fato que dificultou o trabalho dos investigadores policiais Antônio Deodato e Adalberto Kurt. Até as circunstâncias do casamento do casal, feito por conveniência após a Segunda Guerra Mundial para migrarem ao Brasil, foi questionada. Após sanado o álibi do ex-piloto, ele foi liberado de qualquer suspeita.

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No dia em que o cadáver de Gertrudes foi encontrado, uma coincidência mórbida assustou uma mulher da área que acompanhava a polícia. Ao ver o investigador Kurt, a moradora apontou para o policial e disse: “Foi você, foi você quem matou Gerturdes”. Assim, Kurt chegou a primeira pista: o homem responsável pelas mortes era alto, magro e loiro que nem ele.

Benedito mantinha um registro minucioso de suas vítimas. Crédito: Diário da Noite/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Em maio, os crimes de Benedito ganharam novamente as primeiras páginas. Desta vez ele atacou duas meninas japonesas em um intervalo de poucas horas nas proximidades da Fazenda da Juta, estrada que ligava Santo André à Vila Oratório. A primeira vítima foi Namiko Suetsuku, 12 anos, arrastada para o mato e estuprada. A segunda foi uma menina de 10 anos, que conseguiu sobreviver porque foi dada como morta pelo assassino. Pensando que tirou sua vida, Benedito abandonou a criança na mata. Ela acordou horas depois e correu até a estrada para pedir ajuda.

Em 2 de agosto, mais uma vez Benedito atacou na região. Assassinou Maria, de 12 anos, enquanto a menina pegava água num poço próximo de casa. Não satisfeito, atacou um menino de 10 anos que brincava numa estrada, mas o deixou vivo. Maria também foi achada viva, mas veio a morrer posteriormente por conta dos ferimentos causados pelo estupro.

A polícia estava tomando um vareio do homem misterioso e os jornais deitavam e rolavam sobre a demora para a resolução das mortes. Os operários Osvaldo Floriano e Domingos Carlos chegaram a ser presos e apontados como o autores da morte de Namiko. Floriano foi torturado e espancado pela polícia até finalmente ceder e assumir a autoria, mesmo com um álibi forte: no dia da morte de Namiko ele estava trabalhando em Morro Grande, parte do município de Conchas. A foto de Osvaldo, feio e caolho, foi capa de jornais sensacionalistas que julgavam sem nenhum pudor os homens que seriam os assassinos das “nisseis”.

Primeira capa do Diário da Noite após a captura de Benedito. Crédito: Diário da Noite/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Foi só em 5 de setembro que Benedito foi capturado pela polícia, após uma intensa varredura em fichas criminais com antecedentes em crimes sexuais. Os investigadores prenderam o homem na frente de sua casa, no bairro de Guaiauna. Estava com uma pasta de couro e levando o mesmo cordão que usava para enforcar as vítimas. Foi levado no mesmo dia para a delegacia.

Sob a mira de fotógrafos e jornalistas, sentou calmo perante os investigadores e confessou a morte de sete mulheres e o ataque de mais três. Pediu compreensão da população e das autoridades após confessar que já havia procurado “médicos e macumbeiros” para tentar eliminar o forte desejo sexual que o dominava. Também dizia sentir dores de cabeça muito fortes que o causavam alucinações. Quando ficou sabendo que dois homens estavam sendo acusados e a caminho do júri pela morte das crianças japonesas, disse que confessaria. “Não quero que outras pessoas paguem pelos meus crimes”, afirmou em uma entrevista ao Diário da Noite em outubro de 1952.

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Na casa onde Benedito morava com a esposa Marina Reis de Almeida foram encontradas as pastas de couro pertencentes a três de suas vítimas, além de um caderninho escrito a lápis com a lista de ataques cometidos por ele. Era descrito como um homem pacífico, doce, atencioso, bom avô, trabalhador que não bebia e nem fumava. Os vizinhos e a própria esposa receberam a notícia dos crimes com surpresa.

Benedito nasceu em 10 de agosto de 1909 em Tambaú, interior de São Paulo. Foi o 12º filho de José Moreira e Maria Rufina de Carvalho, morta ao dar a luz a Bendito. Foi criado por uma irmã e pelo pai, que frequentemente o surrava com um cinto de couro trançado e uma argola de metal presa na ponta. Em uma das várias agressões do pai, disse ter sido atingido na cabeça tão forte a ponto de ter tido náuseas.

Assim como muitos homens de origem pobre, tentou entrar no Exército aos 18 anos para ter uma vida melhor. Conheceu a esposa Marina em 1930, poucos meses após ser transferido como enfermeiro para o Corpo de Bombeiros e depois expulso por ter estuprado uma jovem menor de idade. Antes dos crimes de 1952, já havia estuprado mulheres e crianças em 1949 e em 1951.

Crédito: Diário da Noite/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Um dos elementos cruciais para provar que o homem loiro era autor dos crimes foi sua ficha criminal com antecedentes de violência sexual, o reconhecimento facial das vítimas que sobreviveram e também a marca característica deixada pela mão esquerda no pescoço das vítimas: faltavam duas falanges no indicador de Benedito, perdidas em um acidente de trabalho.

Sob custódia, teve de ser isolado para não sofrer represália dos outros presos. Tinha a mania de assinar qualquer coisa que era obrigado a escrever e também soube jogar com a imprensa, afirmando que não confessaria os crimes em juízo, denunciando maus tratos na sua cela e também ameaçando fazer greve de fome.

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No júri popular, foi absolvido por ser considerado inimputável – portador de psicose – portanto não ciente dos crimes que cometia. Foi internado em Franco da Rocha, onde ficou até morrer de enfarte em 1976. Ao todo, estimam-se que Benedito, que ficou conhecido também pela imprensa como “Monstro de Guaianases” e “Monstro de Guaiauna”, atacou 29 pessoas, a maioria mulheres e crianças do sexo feminino.

Ilustrações por Luiza Formagin.

O Monstro do Morumbi

Em agosto de 1970 a costureira Aparecida da Silva Oliveira de 37 anos pensava em morrer para parar de sofrer. Mãe de duas filhas e morando junto há quatro anos com José Paz Bezerra, estava aterrorizada com as constantes ameaças do companheiro. José tinha 24 anos e sempre apresentou comportamentos estranhos, mas numa noite o homem estourou.

José chegou na casa onde moravam visivelmente nervoso. Levava na mão uma edição do Diário da Noite e revirava as coisas da casa exigindo todo o dinheiro de Aparecida. No que ela foi contestar o porquê tanto desespero, José ficou de joelhos e confessou que era o Estrangulador do Morumbi, responsável pela morte de sete mulheres.

Prontamente, José ameaçou matar a esposa e as duas filhas de outro casamento. Foi aí que na cabeça de Aparecida se acenderam todos os sinais vermelhos que o companheiro demonstrava durante os anos de convívio. Muitas vezes ele voltava pra casa sujo e em alguns momentos dava para ela presentes caros sem explicar onde conseguiu dinheiro para tal.

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Aparecida conheceu José em 1963 quando saiu de sua cidade, Monte Aprazível, para fazer um curso de cabeleireira em São Paulo. Saindo de sua aula, foi abordada por um homem moreno e jovem que lhe chamou para tomar um lanche. Ele se apresentou como Roberto e assim passaram a se encontrar com frequência.

Em um desses encontros, Roberto a convidou para visitar sua irmã e a levou até a região do Jaguaré de ônibus. Se embrenharam no meio de uma região de mata fechada. Roberto, inclusive, carregou Aparecida no colo em alguns trechos para ela não se sujar. Chegando em um certo ponto, Roberto confessou que estava levando a moça para fazer sexo. Aparecida consentiu, mas estranhou a abordagem. Também negou fazer sexo anal e contou que era desquitada e tinha duas filhas. Roberto pareceu não se incomodar e logo começaram a namorar.

Com os filhos de Aparecida, moraram em Minas Gerais. Nessa época, Roberto confessou depois de algum tempo que era desertor do exército brasileiro e que seu nome real era José. Aparecida também achou uma certidão de nascimento de um dos seus filhos junto com uma carteira de trabalho, mas com a foto de José em vez da do filho. No que foi questionar, recebeu ameaças de ter a língua cortada por fazer muitas perguntas. Para não se confundir, chamava o companheiro de “Preto”.

Além do comportamento estourado de José, Aparecida viu o homem matando o cachorro da casa a machadas com uma expressão desfigurada de prazer. Logo depois, foi obrigada a transar com o companheiro. Ele chegou a roubar todo o dinheiro de Aparecida e fugir pro Rio de Janeiro, mas voltou algum tempo depois e foi perdoado.

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A família se mudou em 1969 para São Paulo, onde Aparecida e José começaram a trabalhar em casas de alto padrão como empregados. Por conta do temperamento ruim de José, mal conseguiam trabalhar por muito tempo nas casas.

Após a revelação do companheiro de ser o autor de sete mortes de mulheres, ele passou a se vangloriar e zombar da polícia por não terem nenhuma pista das mortes. Se dizia no controle e fazia da vida da mulher um inferno. Exausta, Aparecida chegou a pedir para José dar um fim na sua vida, levá-la até o meio do mato e estrangulá-la da mesma forma que fez com as outras.

Crédito: Diário da Noite/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

No dia 8 de outubro, o caso do estrangulador do Morumbi tomou outros rumos. A polícia foi chamada para averiguar um furto de joias em uma mansão na Vila Olímpia. De praxe, foram conversar com os empregados da casa, onde Aparecida era cozinheira. Estranharam que a moça estava muito nervosa e apresentava algumas contradições sobre o paradeiro de José, que trabalhava como copeiro da casa.

“Meu amante é o Estrangulador. Foi ele quem matou as cinco mulheres em julho,” confessou Aparecida, aos prantos, aos investigadores. José, que havia roubado as joias da casa, desapareceu.

Levada sob custódia, contou sobre o relacionamento que mantinham, as ameaças contra ela e os filhos e apresentou uma mala de viagem cheia de roupas e joias que foram subtraídas dos corpos das vítimas após serem mortas. Para complementar, deu uma foto de José para a polícia intensificar as investigações. No dia seguinte, a foto do homem estava na primeira página do Diário da Noite.

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Mas ninguém sabia do paradeiro do assassino.

José Paz Bezerra nasceu 12 de dezembro em Lagoa Nova, Paraíba. Filho de Maria Paz e José Borges Filho, teve que desde cedo ajudar a cuidar do pai, portador de hanseníase. Para ele, uma das cenas mais aterrorizantes da época era ter que limpar as feridas e as carnes em putrefação que saíam do patriarca, que não podia andar por causa da doença.

Maria precisava sustentar a casa. Na época, mãe de um filho e com o marido doente só conseguiu na prostituição a possibilidade de trazer comida para a mesa. No entanto, precisava disfarçar aos vizinhos a profissão do sexo, então levava José junto com ela para ter um álibi. O filho era obrigado a ficar esperando a mãe atender os clientes no meio do mato, com raiva da mãe por deixar o pai agonizando na cama. Uma vez, apanhou da mãe porque foi pego espiando ela fazendo sexo com um homem desconhecido.

O pai de José morreu quando o menino tinha 10 anos de idade. Pouco tempo depois, Maria conheceu um homem chamado Severino, com quem se mudou para o Rio de Janeiro, levando o filho. Severino era um homem violento que não gostava do filho de Maria. Ele era alvo de agressões e uma vez relatou aos jornais ter sido amarrado na cama e deixado por três dias até conseguir se soltar sozinho. Severino também trazia homens estranhos para dentro de casa e fazia sexo com eles na frente do menino. O relacionamento com a mãe não durou muito tempo.

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O segundo padrasto, Manuel, era um homem mais pacato, mas logo de cara detestou Maria ter que trazer o menino para a casa dele. Aos 10 anos foi enviado para uma instituição correcional para jovens, mas fugiu de lá e foi morar na rua. Ele vendia balas na Central do Brasil para sobreviver e emplacava outros bicos.

Desde a infância, já mostrava alguns efeitos psicológicos por causa do ambiente abusivo familiar. Se masturbava compulsivamente e mais adulto dizia ter dificuldade para transar, por ter desejos incontroláveis de machucar suas parceiras para atingir o orgasmo. Também há relatos de se machucar e enfiar pregos no braço. Gostava de ver sangue também.

O ódio pelas mulheres era personificado na figura da mãe, prostituta, agressiva e que largava o pai para se encontrar com outros homens. Quando Aparecida perguntava sobre a matriarca, José dizia que ela estava morta e que não gostava de falar sobre o assunto.

Crédito: Diário da Noite/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Sua primeira vítima foi a professora de 44 anos Cenira de Castro Amorim, morta de 8 de outubro de 1969. Seu corpo foi encontrado nu, com os braços e pernas amarrados com tiras feitas da sua própria roupa e seu sutiã e anágua ainda enrolados no pescoço. A causa da morte foi asfixia.

Um dia após o corpo de Cenira ser encontrado num matagal, José matou a doméstica de 40 anos Alzira Montenegro, no dia 17 de outubro de 1969. A mulher avisou à família que ia encontrar com um homem e não voltou mais pra casa. Assim como Cenira, foi encontrada nua, mas a causa da morte foi hemorragia decorrente de um tiro que tomou no peito.

As duas mortes ficaram conhecidas nos jornais como “Os crimes da Vila Mangalot”. Posteriormente, durante as investigações contra José, descobriram que este morou com Aparecida no mesmo bairro na época dos assassinatos.

Após um curto hiato, Bezerra voltou com tudo no mês de junho e assassinou cinco mulheres na região do Morumbi: Nilza Alves Cardoso de 23 anos, Vanda Pereira da Silva de 44 anos, Cleonice Santos Guimarães, Ana Rosa dos Santos e Wilma Negri de 23 anos. Todas foram agredidas, amarradas, mortas por asfixiamento com as próprias vestes, tiveram seus pertences roubados e os corpos seviciados por José posteriormente. Os crimes foram cometidos entre 11 a 26 de junho de 1970.

Após o roubo das joias, Jose fugiu para Belém, onde fez mais cinco vítimas mulheres até outubro de 1971. Uma delas, uma enfermeira, conseguiu sobreviver porque sustentava José em troca de sua sobrevivência. Por volta de novembro de 1971, a cunhada de uma das vítimas paraenses reconheceu o assassino da irmã e acionou prontamente a polícia.

Crédito: Diário da Noite/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

O Estrangulador do Morumbi foi preso e transferido para São Paulo entre 1971 e 1972, onde foi julgado pelos seus crimes. Na época, o Diário da Noite localizou Maria, a mãe do assassino, que confessou sem rodeios que não queria o filho nem morto. ““Tem hora que até sinto horror em pensar que botei esse monstro no mundo.”

Ele passou 30 anos na cadeia, pena máxima permitida pela Constituição Federal brasileira, e foi solto em 2001. Em uma entrevista para o Agora São Paulo e para um programa de TV, disse que era um homem regenerado e que se arrependia dos crimes.

Antes de sumir pelo Brasil, finalizou a entrevista com o apelo: “Mães, cuidem dos seus filhos”.

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