Imagem principal por John Gallo. Cortesia Chappa

O drama da "Floresta Negra" portuguesa

"Floresta Negra" é um livro de fotografia, é um website, é uma campanha de sensibilização e educação. "É um hino à natureza e aos heróis que a protegem".

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nov 14 2016, 8:00am

Imagem principal por John Gallo. Cortesia Chappa

Este ano foi dramático para a floresta em Portugal. Não foi caso único, infelizmente. Metade dos incêndios florestais que acontecem na União Europeia, ocorrem em território português. E há um número de que poucos querem falar: entre 1980 e 2015, o equivalente* a 42 por cento do País ardeu. São 38 mil quilómetros quadrados. Se quisermos comparar, no mesmo período, em Espanha a área ardida chegou aos 12 por cento, na Grécia 12,2 por cento, em Itália 12,6 por cento, em França 1,3 por cento. Em 35 anos ardeu em Portugal o equivalente à área total da Holanda ou da Dinamarca.

Em 2015, John Gallo, fotógrafo português sediado no Reino Unido e distinguido com vários prémios internacionais desde 1998 - o ano passado, por exemplo, foi-lhe atribuído o galardão Joan Wakelin Award, pelo jornal britânico The Guardian, em parceria com a Royal Photographic Society - decidiu iniciar uma série fotográfica focada, precisamente na floresta ardida.

"O objectivo era criar uma obra que tivesse um papel fundamental na sensibilização para a preservação da natureza e para a prevenção dos incêndios, com o foco na herança que fica para as próximas gerações", salienta o fotógrafo, na apresentação do trabalho.

Floresta Negra é um livro de fotografia, é um website, é uma campanha de sensibilização e educação. "É um hino à natureza e aos heróis que a protegem". O primeiro passo do projecto - o livro - está em crowdfunding até 22 de Novembro, com o apoio institucional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, da Liga dos Bombeiros Portugueses, da Fujifilm e do Público/P3.

Todas as fotografias por John Gallo. Cortesia Chappa

Na apresentação do trabalho, Gallo sublinha: "Cerca de 98 por cento dos incêndios florestais têm origem humana, mas, na sua maioria, não são provocados por criminosos, são provocados por desleixo ou ignorância. Os terrenos abandonados são depois o rastilho, provocando incêndios de tamanho desproporcionado".

"É agora que tem que se falar de prevenção, é agora que é necessário sensibilizar a população para a limpeza dos terrenos e ensinar boas práticas, para que a nossa relação com a floresta se transforme, ajudando a evitar o inferno anual dos incêndios florestais, que, desde há quatro décadas, dizimam o nosso património natural", acrescenta o fotógrafo.

Abaixo podes ver mais imagens de "Floresta Negra" e aqui podes ajudar a levar o projecto a bom porto. Aqui podes encontrar mais trabalhos do fotógrafo português.


* Uma versão anterior deste artigo referia: "E há um número de que poucos querem falar: entre 1980 e 2015, 42 por cento do País ardeu". A alteração para "equivalente a 42 por cento", reflecte de forma mais correcta a veracidade dos factos.

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