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​Canções que salvam vidas: Mike El Nite

"Isto no fundo é tudo música e, se formos a ver bem, às vezes vamos encontrar influências dos sítios menos óbvios. Num concerto de trap também há mosh ou crowd surfing". Palavra de Justiceiro.

Por Pedro Miguel e VICE Staff
26 Agosto 2016, 9:00am

Mike El Nite, no Super Bock Super Rock 2016. Foto por Bruno Lisita.

Está a chover que se desunha. Está um calor infernal. É sexta-feira e estás em pulgas para a rambóia logo à noite e para fritares a molécula. Por outro lado, é sexta-feira, estás em pulgas para a rambóia logo à noite e para fritares a molécula, mas não tens guito. Não te apetece ir trabalhar. Não te apetece estudar. Vais é dar uma volta pela cidade. Espera, está a chover. Pronto, vais ver o mar, que está um calor diabólico. Alto, que isto está cheio de turistas e não dá para ir a lado nenhum. Nunca mais chega a Primavera! Primavera é que não, que é só alergias.

Um gajo nunca está contente. Se não é do cu é das calças. O que vale é que, como toda a gente sabe, há canções que salvam vidas (os Smiths cravaram-no a letras de ouro no cancioneiro pop para toda a eternidade). Semanalmente, e para que a tua vida ganhe um novo sentido e encontres a salvação possível, deixamos por aqui um desses bocadinhos de lírica e melodia (ou ruído e grunhidos selvagens, conforme a disposição) que têm a capacidade de, em pouco mais de três minutos, te salvarem. Se não a vida, pelo menos o dia.

Vídeo realizado por Filipe Penajoia / Pedro Covas

É dono de um sentido de humor e ironia que não é para todos. Já Fernando Pessoa se queixava da incapacidade de encaixe para a ironia desta, yours truly, Nação valente. Nas suas rimas, Miguel Caixeiro assume o papel de Mike El Nite, sem absolutamente qualquer problema em associar a sua imagem à de David Hasselhoff, esse grande maluco que conduzia um carro todo tuning. Logo ele que é, para além de músico, um adepto da ecologia e do uso da bicicleta em Lisboa.

Este puto anda por aí a pisar palcos importantes, o que lhe dá para ganhar, nas palavras do próprio, "uma estaleca fixe". Dois EPs e um álbum depois, é caso para dizer que tá tranquilo, tá favorável. Quem é programador e decisor tem de estar atento e se há uns anos o hip-hop era visto por cá como um nicho, um segmento do underground, o que é certo é que tem ganho terreno.

"É inegável! O hip-hop é o estilo de música mais ouvido no Spotify e isso, hoje em dia, é o barómetro da música mundial", diz o artista à VICE. "A cena por cá está num pico de forma incrível, como já se não se via desde aquela golden age dos anos 90!". Mike El Nite tem razão e, se dúvidas houvesse, no momento em que proferiu estas palavras estava a poucas horas de as dissipar, já que iria subir ao Palco Antena 3 do Super Bock Super Rock para uma daquelas performances de antologia.

"Isto no fundo é tudo música e, se formos a ver bem, às vezes vamos encontrar influências dos sítios menos óbvios. Num concerto de trap também há mosh ou crowd surfing, como no rock, por exemplo". O rapper lisboeta não podia estar mais correcto. A música pode unir géneros, pessoas ou mesmo salvar vidas. Palavra de Justiceiro.