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Belo Horizonte é Baile de Favela

Na primeira matéria da nossa nova série sobre as cenas funk Brasil afora, contamos como rola o batidão na capital mineira.

O tum-pá-pá-pum-pá do tamborzão usado a exaustão nos primórdios do funk carioca, no já tardio anos 1990, ultrapassaram as fronteiras geográficas do Rio em cenas funk que, hoje, existem (sem hipérbole) em tudo quanto é cidade de norte a sul do país. Para descobrir como o gênero mais popular & populoso do país ganha novos contornos subvertendo a batida do Miami Bass dos seus primórdios, o repórter, DJ, estilista, designer, o homem multitarefas Victor Apolinário investiga as peculiaridades de cada uma dessas cenas. Fé em Deus, teremos uma matéria dessas por mês. Vem de bonde.

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Resgatar a história da cena funk em Minas Gerais — mais especificamente em Belo Horizonte — não é uma tarefa tão simples. São poucos os relatos jornalísticos ou acadêmicos que descrevem o desenvolvimento do gênero na capital mineira, ainda que o som tenha chamado para si um número considerável de jovens nas periferias mineiras. Num resumo simplista, o desenvolvimento do movimento funk em Belo Horizonte dá-se, de certa forma, como uma sequência da cena em todo o país, com a separação do funk e o hip-hop no início dos anos 90, além da popularização do gênero e o surgimento e proliferação gradativa de MCs e a delineação do funk como estilo musical.

Leia: "Por que o McDonald's usou um funk putaria para vender seu novo sanduíche"

Do auge do pancadão, nos bailes no Vilarinho, na Venda Nova — grande região-dormitório na zona norte de Belo Horizonte — até os tempos atuais, nos fluxos organizados pela nova safra de produtores e MCs, a impressão é que a cidade tem criado sua própria linha criativa. Afastando-se do funk "tamborzão" tipicamente carioca e aproximando-se melodicamente de uma composição mais minimalista, baseada na simplicidade da construção instrumental. Liricamente focado na putaria e harmonicamente centrada na melhor forma de reverberar o grave nas aparelhagens de som dos carros nos bailes, tudo bem combinado pelo Whatsapp. "Os grupos lotados e as listas de transmissões que você pode inserir centenas de contatos. Por esses motivos, o Whatsapp se tornou o meio de divulgação mais usado por todos, tanto para músicas quanto para festas", explica Tiago Gonçalves, o DJ TG. "As festas aqui, são resenhas fechadas mas estão perdendo espaço para os bailes de rua com som automotivo que costumam acontecer frequentemente nos finais de semana", complementa ele sobre essa nova fase da cena funk em BH.

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Enveredando pelas ruas mineiras e acompanhados por uma legião de novinhos doidos para "sarrar", a cena de funk em Belo Horizonte está além das zonas urbanas projetadas por Aarão Reis. "As festas aqui acontecem em sítios alugados ou em bailes nas comunidades (dentro de uma praça, quadra de futebol ou local de lazer nas favelas", conta o DJ Mineirinho, produtor e representante desse novo panorama em Belo Horizonte.

Efervescente e em processo de amadurecimento, o rolê tem suas particularidades e ainda poucos picos para colar constantemente. "Os lugares que bombam mais aqui em BH são: Espetinho do Manuel, as quadras da Vilarinho ( que é um dos melhores Bailes FECHADOS de BH, acontecendo todos os domingos…", conta DJ TG.

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Localizadas nas zonas periféricas, as festas têm tomado o formato dos fluxos de São Paulo. "Na Serra, acontece o melhor baile de rua de BH, pesquisas dizem que mais de três mil pessoas foram ver o MC TH cantar, e o próprio disse que o lugar que mais o emocionou durante um show, foi na SERRA." completa TG.

Para começar a desenhar o fluxo em terras mineiras, fizemos uma lista com as 10 músicas MAIS PICA MESMO do role funk minimalistas de Belo Horizonte:

DJ Mineirinho 22

DJ Buba

DJ Lukinhas da Inestan

DJ TG

DJ Joao da Inestan

DJ Fiuza Trembala

DJ LC da Serra

DJ Vitinho do Pc e DJ PH do PC

DJ Filipe Vieira

DJ FILÉ

DJ FIOT

DJ LOIRIN

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