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Surfando na Onda do Goldfish

O duo sul-africano se apresenta em São Paulo neste sábado (11) e falou com a gente sobre mixar jazz com música eletrônica, live acts e como curtem surfar.

O Dominic Peters e o David Poole, do Goldfish, são dois caras bem humorados. Ou é o que nos parece, pelo menos. A dupla sul-africana que conquistou Ibiza com seu house jazzístico é mestre nos clipe de desenho animados e são donos de um live act muito firmeza que mistura mixagem com instrumentos tocados ao vivo. Eles já deram um rolê pelo Brasil algumas vezes, mas voltam nesse fim de semana, no sábado (11), como headliners no festival Music Motion Open Air, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

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A dupla que se conheceu na faculdade, na Cidade do Cabo, enquanto cursavam música (especializando-se em jazz), acabaram por montar uma banda, tudo entre amigos. Passado algum tempo, Dominic e Dave descobriram um gosto em comum pela música eletrônica e foi um-dois pra nascer o Goldfish. Eles costumam dizer que toda vez inventam uma história diferente pra origem do nome, mas o lance é que o peixinho dourado é presença constante nos clipes cheios de animações em 2D e 3D do duo. Além de se destacaram pelo estilão dos vídeos, eles adoram fazer uma ponta nas histórias acompanhando o peixe-personagem nas suas voltas ao mundo (como em "Washing Over Me" e "Get Busy Living") e nas zoeiras com ícones pop da atualidade e alguns DJs bem conhecidos por nós (caso de "Three Second Memory" e "One Million Views").

Antes de chegar ao Brasil, o Goldfish respondeu algumas perguntas por email, nos dizendo como eles entraram nessa onda de fazer house com jazz, o gosto da dupla pelo surfe (!) e, de quebra, ainda deram uma cutucadinha no EDM. Vale lembrar que os ingressos para o show de sábado estão à venda pelo site e app do SemHora e os preços vão de R$90 (pista feminino, 3º lote) a R$180 (área VIP masculino, 2º lote). Dica dada, se joga nessa piscina:

THUMP: Vocês lembram da primeira vez que misturaram música eletrônica com jazz? De onde veio essa ideia? Quem eram as referências de vocês na época?
Goldfish: Dave e eu estudamos música na Universidade da Cidade do Cabo, nós dois nos especializamos em jazz e começamos a tocar numa banda de jazz com alguns amigos pra pagar as contas e fazer uma grana extra, como estudantes. No caminho para os shows nós tocávamos as faixas e mixes preferidas um do outro e descobrimos que tínhamos muito em comum. Os dois escutavam caras como o Kruder & Dorfmeister, especialmente o álbum The K&D Sessions; o disco Tourist do St. Germain, Matthew Herbert, Fatboy Slim, Moby e Mr. Scruff. Todos eles estavam fazendo música eletrônica com samples de clássicos do jazz. Aí pensamos "A gente pode fazer issio… E realmente tocar os samples ao vivo". Fizemos uma música no dormitório do Dave e demos a um amigo nosso que ia discotecar numa house party na mesma noite. Ele voltou dizendo que a galera pirou quando ele colocou nosso som, e foi aí que a nossa vida mudou de vez.

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Alguns dos seus vídeos tem muitas referências da cultura pop. Quais são os ícones pop preferidos de vocês e por quê?
Eles estão nos nossos próprios vídeos. Alguns ícones "pop" são ótimos exemplos só pra mostrar a estupidez de tudo. O ditado "pessoas especiais costumavam ser famosas… Hoje, pessoas famosas são especiais" diz tudo.

No clipe de "One Million Views", vocês mostram um pouco do método "um botão e um pendrive" de discotecar. Mas vocês costumam fazer seus lives mixando ao vivo e tocando instrumentos ao mesmo tempo. Quão difícil foi incorporar esse jeito de se apresentar?
Pra gente, a ideia de discotecar evoluiu. A dificuldade de mixar vinil foi tirada da tecnologia, então há mais tempo pra fazer uma performance ser mais dinâmica e interessante. É aí que entra a parte de discotecar e tocar ao mesmo tempo. Não precisamos mais nos preocupar tanto com mixar faixas, então por que não fazer algo [a mais]? A real é que isso é só fazer curadoria musical pra um público, até certo ponto. É entediante ficar só "lá". Talvez daqui 10 ou 15 anos a gente vai olhar pra trás, olhar o boom do EDM e nos perguntar algumas coisas sobre o que significa "entretenimento" e "arte".

Quando surgiu a ideia de fazer clipes animados para as músicas? Quem são suas referências em animação 2D e 3D?
A gente trabalha com alguns gênios da animação. O primeiro colaborador de longa data é o Mike Scott. A gente se conheceu porque ele chegou em nós durante uma temporada em Ibiza alguns anos atrás e disse que queria fazer um vídeo. Numa situação assim, pode ser cilada confiar de primeira quando alguém te aborda desse jeito. Então pedimos pra ele nos dar uma amostra do que ele gostaria de fazer e aí a gente daria uma olhada. Ele nos mandou 15 segundos de "Soundtracks and Comebacks" e o resto vocês já sabem – agora tem toda uma história com nossos fãs no YouTube, nos influenciando e dando dicas do que fazer. É uma mudança muito boa do formato de clipes de dance music do tipo "gatas na piscina". A treta com animação é que ela é muito intensa e cara. Mas a gente sempre segue em frente com isso, é nossa marca registrada.

Ouvi falar que vocês amam surfar e que o esporte ajuda no processo criativo de vocês. Já surfaram em alguma praia brasileira?
O surfe é uma parte muito importante das nossas vidas e a gente procura qualquer oportunidade de praticar! A gente já surfou em Maresias, Búzios e Floripa. Nos faz lembrar muito nossa casa, praias com ondas poderosas. É muito legal que o Brasil finalmente ganhou um campeonato mundial de surfe com o Gabriel Medina.

Vocês já tocaram algumas vezes por aqui também. Qual a impressão de vocês da recepção do público brasileiro? O que a gente pode esperar do show no sábado?
Brasil é sempre um lugar incrível pra gente. Acho que a galera aqui realmente dá valor pro nosso trabalho, com o estilo que a gente toca e o tipo de show que a gente faz. Tivemos algumas das nossas melhores apresentações aí e a gente não vê a hora de tocar de novo.

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