

Sofia Neves: Apesar de só se mostrar agora, já existe há algum tempo. Não há uma data oficial de início, foi-se construindo nas nossas cabeças e nas coisas que íamos fazendo. Vocês fazem candeeiros personalizados. Isso quer dizer que nunca haverá um candeeiro igual ao outro?
Bruno Figueiredo: Sim, a intenção é que os objectos que desenhamos possam ser personalizados. E isso está relacionado com o processo de fabrico que está na base da criação destes objectos. Ao utilizarmos modelos computacionais para desenhar e máquinas CNC para produzir, podemos fazer variações infinitas conforme a vontade de cada um. Mas também é possível fazê-los em série. Se alguém quiser, ou se houver um modelo que nos pareça por bem repetir. Parte do processo de montagem fica a cargo do cliente. Inspiração IKEA ou mão-de-obra barata?
Sofia: Isso é uma opção, mas interessa-nos essa participação por parte de quem vai usar o objecto. O processo de montagem permite experimentar e entender melhor as possibilidades dos objectos. É possível alterar a combinação das peças durante a montagem e, com isso, uma nova configuração, ficando-se com vontade de explorar formas, geometrias e cores diferentes. O design reveste-se sempre de conceitos, às vezes mega elaborados, que, por outras vezes, são mais interessantes do que o próprio produto. Vocês também têm um conceito, ou apenas candeeiros giros?
Bruno: Se não tivéssemos um conceito, pelo menos ficávamos com candeeiros bonitos. E porquê candeeiros, quando há cada vez menos essa opção nos tectos das casas “de arquitectos”. Não é o equivalente a abrir uma fábrica de CDs, quando os formatos digitais é que estão a dar?
As pessoas que gostam de “mesher” nos objectos podem ser aquelas que têm “casas de arquitecto” ou não! Tínhamos alguma dificuldade em encontrar candeeiros que nos agradassem, a um preço acessível e que não fossem IKEA. Ainda pensámos fazê-los com peças de cristal e hastes douradas, muito em voga nos anos 80, mas seria caríssimo! Assim surgiram os candeeiros, [pensados em primeira mão] para nossas casas. Depois para quem tem casas de arquitectos e de empreiteiros. Hoje há um grande culto pelo vinil, e até já temos visto alguns hipsters a fazer rewind, nos walkmans de cassetes. Tudo vintage, claro! Por isso, o que é bom, mesmo que esmoreça, volta sempre. Entretanto, temos ideias que iremos desenvolver para outro tipo de objectos. O que quer dizer MESHE?
Sofia: Nós trabalhamos as formas em malhas de superfícies planas, mesh significa malha em inglês. O “e” no fim foi uma aproximação ao português, e uma homenagem ao Marco Paulo, meshe e remexe… Podemos dizer que este é um projecto parcialmente vimaranense. Como anda o design em Guimarães?
Existem algumas experiências interessantes e acreditamos que o Instituto de Design possa criar uma dinâmica que sustente o aparecimento de mais projectos que arriscam nos seus processos de criação. Em tempos de crise, em que anda tudo a retrair-se, vocês montam um negócio. O que estão a arriscar?
Não arriscamos muito, é algo que já fazíamos antes. Gostamos de experimentar e de brincar com a geometria das coisas.Quero um abajur para a minha mesinha de cabeceira. Pode ser ou só têm os de pendurar no tecto?Bruno: Sim. É exactamente isso que queremos (trabalhar na tua mesinha de cabeceira!), que nos coloquem desafios e experimentar coisas novas.Onde realizam o vosso processo de trabalho?
Casa, café, comboio… E depois: computador! Quando compro uma coisa, gosto muito de ter acesso ao produto e tê-lo na mão para perceber como é fisicamente. É possível ver um MESHE?
Sofia: Sim. No último fim-de-semana da CEC 2012, vamos fazer parte de um projecto colectivo que a associação Ó da Casa! está preparar, que passa por intervir numa casa que está prestes a entrar em reabilitação (chama-se Obra Casa). O Meshe vai lá estar, num cantinho qualquer em ruínas. Estamos a preparar uma intervenção muito engraçada. E, depois, em breve, estarão também à venda em algumas lojas de Guimarães e do Porto. E, quem sabe, pelos Estados Unidos e pela Escócia, visto que já nos contactaram de lojas de lá mal, colocámos o projecto online.