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Música

Rumores sobre convidados tugas no novo disco de Queens of the Stone Age

Infiltrei-me e descobri quem é quem em Like Clockwork.
18.4.13

Aos poucos, 2013 começa a afirmar-se como um ano feito de discos cheios de participações especiais. À medida que vão sendo divulgados os detalhes sobre álbuns tão aguardados como

Like Clockwork

, dos Queens of the Stone Age, ou

Random Access Memories

, dos Daft Punk, o mais importante é destacar a lista de participantes e nem tanto antecipar a música que aí vem. Um pouco como nos filmes do Jim Jarmusch e do Wes Anderson, em que o valor do argumento passou a ser totalmente secundário, desde que o Bill Murray apareça a fazer coisas tão cool como fumar cachimbo ou telegrafar. Na verdade, o Wes Anderson precisa de ter apenas um miúdo adorável de óculos e o filme está automaticamente aprovado.

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O símbolo é muito mais significante do que o conteúdo quando é necessário agarrar a atenção de alguém, entre as mil distracções e toda a nudez de qualidade da internet. Ao contar com o contributo do Elton John e com o regresso do Nick Oliveri — este último depois de uma violenta separação —, o novo disco dos Queens of the Stone é logo à partida um happening, mesmo antes de sabermos se as canções beneficiam com os convidados ou se passavam bem sem eles. Colocar a voz de “Nikita” a cantar sobre drogas e velocidade, como se estivesse num cabaret mal cheiroso, no meio do deserto, é acima de tudo um triunfo artístico imune à maioria dos julgamentos críticos.

Like Clockwork

promete ser um grande disco, porque Josh Homme, o mentor dos QOTSA, nunca deixou também de ser um excelente escritor de canções — são tantas que cansar-me-ia de enumerá-las). Apesar de terem sido chutados para canto pela Pitchfork, algures entre

Lullabyes to Paralyze

e

Era Vulgaris

, os Queens of the Stone Age voltam ao activo com uma força muito maior do que a gozada nesta altura por quaisquer Clap Your Hands Say Yeah, Man Man, Tapes ‘n Tapes ou Deerhunter (todos esses hypes algo inconsequentes da publicação da forquilha).

Além disso, os QOTSA têm agora todo o

indie cred

de uma banda que faz parte do catálogo da Matador (há muitos anos a casa dos Yo La Tengo). As novidades acerca de

Like Clockwork

não se ficam por aqui, porque a VICE, em ligação por Skype com os escritórios da Matador, teve acesso a todo um conjunto de novos excertos que indiciam a possível participação de vários artistas nacionais no muito antecipado álbum. Em primeiríssima mão, aqui fica um relato de tudo aquilo que ouvimos e podemos esperar.

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TIM

Há já vários anos, o país em geral terá percebido que a inspiração dos membros dos Xutos & Pontapés chegava para a banda principal e sobrava ainda para dar vida a projectos secundários, de que nem sempre guardamos as melhores recordações. É, por exemplo, muito difícil perceber o que os Ladrões do Tempo, do Zé Pedro, estavam a tentar provar com aquela versão horrível de “Mora na Filosofia”. Serve isto para dizer que, no que diz respeito a projectos secundários dos Xutos, aprecio muito mais a simplicidade e simpatia do Tim: lenço ao pescoço como um cowboy, ternura na voz e as letras que falam geralmente sobre a broa de milho e a linguiça que vai enviar aos pais pelo correio.

O Tim é quase a personificação do que deve ser um veterano rocker boa onda, com lareira em casa, gatos aos pés e óculos para ler e navegar na internet. É quase certo que é a sua voz que canta algumas palavras em português no refrão bilingue de “This Hopeful Mess”, a faixa número quatro de

Like Clockwork

. Foi mais ou menos isto que conseguimos descortinar:

Nicotine, Valium, Vicodin, Marijuana, Ecstasy

E doce de abóbora, oooooooooh

Nicotine, Valium, Vicodin, Marijuana, Ecstasy

E vinho rosé, ooooooooh

Nicotine, Valium, Vicodin, Marijuana, Ecstasy

Eque-que-que-que-queijo da Serra.

KATARI ANARCHICK

O lugar de baterista é, há muito, um daqueles problemas crónicos dos Queens of The Stone Age, porque o Dave Grohl deve receber quatro vezes mais por cada concerto dos Foo Fighters e isso deixa-o naturalmente indisponível para passar as noites a galar o rabo do Josh Homme. Para assegurar esse lugar, a experiência de uma figura como Katari Anarchick, baterista das Anarchicks, não terá passado despercebida aos olhos da banda de

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Rated R

: ela já foi ao telejornal falar do que é tocar numa banda rock só de gajas, já deu entrevistas a semanários sobre o que é tocar numa banda rock só de gajas e também já foi fotografada em pose de homem, num urinol, provavelmente por tocar numa banda rock só de gajas. Quando escutámos aquele ritmo a lembrar um pouco os primeiros discos dos Cure, percebemos de imediato que a Katari Anarchick tocou nas sessões de

Like Clockwork

.

FANTASMA DO BADARÓ

Sem que nada o fizesse prever, 2013 vai ser um grande ano para o fantasma do Badaró: é dele uma das vozes em

Like Clockwork

e fala-se também da possibilidade de cantar em dueto com Panda Bear, no próximo disco dos Daft Punk. Para este ano, o fantasma do Badaró tem também alinhados dois discos póstumos e uma compilação de raridades. Falta-lhe só mesmo o holograma.

ROSINHA

Rosinha é uma das grandes surpresas neste disco dos Queens of the Stone Age. Um convite tão honroso como este pode estar associado ao talento demonstrado em temas como “Eu levo no pacote” ou “Só me abro para ti”, ou tão simplesmente às semelhanças que Rosinha partilha com Paz Lechantin, ex-colaboradora dos QOTSA e uma daquelas mulheres que toda a gente adora ter por perto. Só podem ser da Rosinha os versos que se escutam a certa altura de “Midway Between The Bill and the Thrill”:

Ai eu gosto do meu Homme,

Ai eu gosto, sim senhor,

Ele toca o stoner rock,

E isso tem outro sabor.

JOÃO SÓ

A integração do João Só (sem os Abandonados) nos QOTSA foi bem mais complicada, porque as exigências do escritor de canções eram absurdas aos olhos de Josh Homme, contudo perfeitamente negociáveis segundo a Matador. Já muito próximo do disco estar “fechado”, João Só deslocou-se até Nova Iorque para discutir os termos legais à mesa com os Queens of the Stone Age e com os responsáveis da Matador. Do pouco que conseguimos ver do contrato, através da ligação Skype, estas são algumas das alíneas traduzidas para português:

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3) O terceiro single de

Like Clockwork

terá de ser um split com João Só e os Abandonados, lançado em vinil colorido em vermelho-ketchup.

5) Os Queens of the Stone Age não poderão em tempo algum utilizar o nome de João Só na sua designação, mas o inverso pode acontecer e a Matador nada terá a opor à existência dos João Só e os Idade da Pedra.

7. b) A versão tailandesa de

Like Clockwork

deverá incluir uma faixa-escondida em que os Queens of the Stone Age acompanham instrumentalmente João Só numa balada sobre namoros de liceu, andar de mão dada e ver estrelas cadentes, e lembranças daquela festa com piscina e churrasco.

12) Nenhum membro dos QOTSA ou da Matador está autorizado a qualquer tipo de abordagem para tentar saber através de João Só o nome e o contacto da jovem, que torna o vídeo de “Fogo” num item cultural muito relevante ali logo depois do primeiro minuto de duração.

Montagens por João Rocha Pereira