
















Em algumas áreas, as fachadas inteiras dos apartamentos caíram, deixando à mostra o esqueleto das casas, com os televisores dos anos 70 desfeitos no chão, depois das mesinhas que as suportavam terem sido completamente corroídas. É difícil imaginar exactamente como seria viver aqui, mas a falta de espaço no exterior e o paredão com aspecto de prisão fazem com que não se consiga imaginar outro cenário que não seja completamente claustrofóbico, desconfortável e semelhante a viver numa quinta de formigas. Há objectos pessoais espalhados por todo o lado — sapatos velhos, frascos de champô, jornais e até posters nas paredes dos quartos de adolescentes —são estas as pistas mais vívidas que indicam que houve presença humana neste lugar.
Explorámos as salas de aulas vazias na enorme escola da ilha. As carcaças enferrujadas das cadeiras e das mesas continuam dispostas de frente para os quadros pretos, onde se vêem ainda as marcas mal apagadas da última aula, que teve lugar há 30 anos atrás. [ ](http://viceland-assets-cdn.vice.com/wp/2009/04/battleship-island-japans-rotting-metropolis/attachment/10139/) Do último andar do edifício da escola conseguíamos ver o auditório principal, cujo telhado tinha desabado. As estruturas eram claramente inseguras: andávamos por cima de enormes pedaços que tinham caído do tecto acima de nós.
Aproximadamente no nono andar de um dos apartamentos, entrei num dos quartos para admirar a vista da janela para o mar. O piso tradicional em tatami, pouco habituado ao contacto humano, cedeu por baixo dos meus pés, fazendo ecoar por todo o edifício o som do chão a rasgar. Caí cerca de um metro, mas foi o suficiente nos assustar a valer e para que passássemos a ter mas cuidado com os sítios onde púnhamos os pés. A ilha é pequena, com apenas 1,2 quilómetros quadrados, mas nunca conseguimos ter essa noção quando andamos por entre todos aqueles apartamentos que nos distorcem a perspectiva. Para conseguirmos uma perspectiva geral escalámos a torre de vigia central, tão precária quanto os seus caminhos de acesso. Nunca nos passou pela cabeça que o pescador pudesse não voltar para nos buscar. Estávamos mais preocupados com o facto de apenas termos duas horas para explorar a ilha — um período de tempo que a minha amiga escolheu ao calhas, no meio da excitação de sabermos que tínhamos arranjado transporte para lá. Havia coisas suficientes para nos manter ocupados durante um dia inteiro. Passados dois dias de ter escrito isto, o governo reabriu a ilha às visitas turísticas.