FYI.

This story is over 5 years old.

Música

Sr. Kinta-Féra

Rincón Sapiência sobre o EP independente que pretende lançar, seu lance com gravadora, a ponta dele num filme com o Wagner Moura etc.

Pra tirar o cheiro de brechó no qual quase foram parar vários de seus tecidos antigos, Rincon Sapiência voltou a costurar pra fora. Patchwork, crochê, plisado, enfim, pega daquilo velho, amarra com outro novo e faz ponto-cruz -- essa já é a sexta quinta-feira na qual ele, disciplinadamente, disponibiliza gravações inéditas de composições antigas ou novas, solo ou com parcerias, pelo que decidiu chamar projeto "Akecimento" -- que segue até o lançamento do clipe "Transporte Público", em outubro. Hoje ele subiu a "Issu Memu", recente da semana passada e que conta com a participação do Mc Zero Onze. Tudo prêt-à-porter, que é só baixar ali de graça e usar pra arrebentar na pista. Liguei pra ele pra conversarmos sobre isso aí, e pra eu tirar umas dúvidas sobre umas coisas que vi no Twitter dele. Nada de stalker, só apuração jornalística -- mesmo porque stalker de rapper em redes sociais, né?

Publicidade

A conversa foi legal: ele me falou sobre o EP independente que pretende lançar até o final do ano -- e também sobre seu lance com gravadora --, da grife de roupas que planeja botar nas ruas, da ponta dele num filme com o Wagner Moura, de Auto-Tune, de Rapno Brega, de Umbanda e Candomblé, enfim. Coisas que fazem de "Elegância" algo tão last season.

VICE: Por que às quintas-feiras?
Rincon Sapiência: Ah, porque quinta-feira é o dia em que os ânimos começam a esquentar um pouco, já começam a rolar umas paradas na noite – tem samba, tem o entretenimento. Tudo começa na quinta, o rumo ao fim de semana, então achei que esse era o dia mais sugestivo pra estar lançando umas músicas.

Todas estão disponíveis pra download. Já é pensado pra pista?
Na verdade esse lance das quintas é bem despretensioso. Tô arquitetando meu trabalho novo, que tá bem diferente do que o rap em geral tem feito. Também é um momento meu, assim, de agora. Sempre fiz muito, muita parceria, então coisas foram acumulando e ficando paradas. Lançando um trabalho novo eu não teria muito ânimo pra depois ficar lançando música antiga, entãoinventei essa história pra ser uma forma organizada de despachar e mostrar meus momentos. Tem música velha minha que lanço, tem dia que vem alguém me visitar, a gente troca uma ideia, cria uma batida… Esse lance é, como sugere o próprio nome, um aquecimento até pra mim. Antes da “Elegância” eu gravava num estúdio que foi o ponto de encontro de vários caras, meio que um laboratório. E de um ano pra cá fiquei um tempo fora desse laboratório -- de estúdio, de gravar. Então esse aquecimento é um pouco pra mim. Tava um pouco fora de forma, agora tô voltando….

Publicidade

As batidas é você quem faz?
Eu faço bastante. Esse foi um dos motivos, também, pra começar a fazer [o Akecimento]. Tava organizando minhas pastas e arquivos de batidas –  tenho muita coisa parada,a batida e o refrão, por exemplo. Aí pego, se acho o refrão legal faço mais dois versos e gravo.

Até quando vai?
Espero dar o breque em outubro e conseguir lançar o clipe já em outubro. Lançando músicas toda quinta até o lançamento do clipe novo. A gente pretende estrear esse clipe numa quinta-feira.

E em que pé que tá esse clipe?
A gente já fez muita coisa meio guerrilha, meio documentário – pegar os horários de rush, horários de pico, registrar tudo. Agora tá faltando um roteiro, faltando fazer uma história com tudo isso. Hoje a noite, aliás, é dia de filmagem – espero que o último, pra gente terminar e ficar com ele no pente pra lançar em breve. É uma música que muita gente já conhece do MySpace a versão antiga – com samples. Dei uma cara nova pra ela, dei uma releitura, chamei uns músicos pra tocar algumas coisas. Tá bem diferente. A ideia da música é mais no lance, como posso dizer, um pouco documentar o que tá acontecendo. Ter uma causa política do que tá acontecendo, mesmo apartidária. A ideia é registrar o que acontece na cidade de São Paulo, que tem um transporte público cada vez pior. Fiz a música faz cinco anos e só piorou de lá pra cá, então a gente pretende trabalhar em cima disso, do conceito. A gente vai lançar um texto, uma página – vai vir com um material. A pretensão não é que a música vire um hit, toque e faça tudo isso.

Publicidade

Engraçado, porque teve gente ouvindo "Elegância" achando a música esvaziada de 'protesto'. Agora você tá falando dessa "Transporte Público", também tem "Kriolo Maw"…
Na verdade antes de "Elegância" muitas pessoas elogiavam o meu trabalho porque eu era um dos poucos artistas novos que abordavam a questão social e racial nas músicas. É um lance que sempre tenho, a pesquisa da música afro e o discurso também. A "Elegância" tem esses elementos – social e racial --, porém poucas pessoas captaram. Preferiram encarar ela como uma música de curtir, de dançar. Isso confundiu um pouco a cabeça de algumas pessoas, que interpretaram ela como uma mudança. Na verdade mantive o discurso, só que com uma estética diferente. Então dessa vez a gente vai focar um pouco mais no discurso e na temática do que propriamente na circulação da música. É um lance que tá embutido no meu trabalho, no conceito da obra toda, mas senti que ficou um pouco ofuscado. Pra algumas pessoas é muito oito ou oitenta, ou você fala isso ou aquilo. Eu firmando terreno e as pessoas sabendo a intenção da minha obra, quando lançar meu EP as pessoas já vão ter uma ideia melhor formada do artista Rincon Sapiência.

Esse EP já tem data?
Não tem data, mas tem o repertório todo pronto. Só faltam os detalhes mais burocráticos mesmo, mixagem – coisas assim. Parece que não, mas é o que demora. Gravar é até rápido. Tem esse lance de chamar os músicos e tal, então dá uma atrasada.

Publicidade

Como tá seu lance com o Bonadio, aliás?
Esse trabalho que vou lançar vai ser um trabalho meu. Pela minha produtora, que chama Manicongo Produções. É o que eu tenho feito, porque a minha obra ficou parada durante um tempo. Construí muita coisa, escrevi, produzi, fiz muitas parcerias, várias alianças. Depois que comecei a trabalhar com ele tudo isso deu uma parada, né? Então eu tô retomando minha obra, lançando tudo o que eu já fiz, tudo o que eu já falei… Pretendo lançar uma linha de roupas também, que vai vir junto com o CD e umas músicas. Enfim, assim, esse ano tô focando mais no meu trabalho pra depois organizar umas coisas.

Mas você ainda tá com ele?
Sim. Por enquanto, sim.

Como vai chamar o EP?
EP vai se chamar Inclusão Digital. É um trabalho que vai ter um requinte bem legal. É um lance que tô fazendo 80% no meu quarto. Tenho um teclado, um microfone… Tudo o que me permite. Chamo alguém pra gravar guitarra… A inclusão digital é o que está me permitindo fazer esse trabalho, mesmo porque vai ter um conceito voltado pra música eletrônica. Auto-Tunes, cheio de efeitos… Gravar o EP vai ser bem massa. Sou suspeito pra dizer, mas o melhor trampo que vai sair no rap aí vai ser o meu.

Ah, vá?!
É, muleke! [Risos]

E a grife, que nome vai ter?
O nome ainda não tem. O que a gente tá patenteando é o logo, que vai ser o mesmo da Manicongo Produções. Mas o nome a gente ainda não bolou. Um lance que as pessoas costumam fazer é estampar nome de artista, de álbum, sei lá, do artista, e lançar a camiseta, já no meu caso é um lance mais focado pra moda mesmo. A gente vai lançar os desenhos, os modelos, tudo. A ideia é também lançar tendências com essa marca. Mas a gente ainda tá formando uma equipe. Tem modelos também já, que são pessoas do bairro, que são bonitas.

Publicidade

Cacete. Tudo pra esse ano?
[Risos] É, aí você me pegou. Tá essa dúvida, se a gente espera o ano virar e tal. Mas tô muito a fim de trabalhar, então talvez a minha ansiedade possa conquistar tudo esse ano.

Mas tão falando que o mundo vai acabar em 2012.
É, então. Aí fudeu, né mano? [Risos]

Bom, eu vi no seu Twitter que em setembro você completa 11 anos de rap. E aí?
Verdade. É muito louco. Sou um cara que não para de criar e, consequentemente, não paro de mudar. Cada hora é um estilo. Aí acho que de uns dois anos pra cá me encontrei legal, por isso essa preocupação em lançar algumas coisas que já fiz. Pra não perder a obra, né? A gente passa por vários momentos, é legal a galera conhecer. Mas é muito louco, porque no começão era escola pública, Febem, eventos em praça pública, igreja – já cantei em igreja pra caramba. São vários corres, várias etapas, até surgir essa época que, por mais que você acredite em algo pro rap, você precisa se adaptar às demandas que rolam.

E isso é bom, é ruim?
Ah, eu diria que tem mais pontos negativos que positivos, mas o jogo funciona assim, cara.

Mas desses 11 anos qual você acha que foi o momento mais marcante?
Um momento marcante foi o ano passado, 2010, que larguei o trampo formal pra fazer só músicas e coisas ligadas à música. Agora consigo fazer shows, já fiz comerciais… Fiz uma ponta em cinema – fiz uma cena com o Wagner Moura, inclusive.

É mesmo?
É.

Publicidade

Que louco.
É um bagulho bem curto, assim, participação curtinha, num filme chamado A Cadeira do Pai. Então diria que 2010 e 2011… 2011 menos, né, porque fiquei muito resolvendo burocracias. Mas o ano passado foi bem marcante, que foi quando eu saí pro mundo, eu e a música.

Você trabalhava com o quê?
Trabalhava com telemarketing.

Puta, que saco.
É! Puta que pariu. [Risos]

Enfim, Akecimento, "Kriolo Maw", "Neguim di Kebra"… Por que tanto “k”, kralho?
[Risos] Ah, isso aí é louco. Economiza as letras, né, mano? Você já tira o “q” e o “u”. E também tem o lance de muitas dessas palavras nossas serem tudo com “k” na origem. Quilombo… É de dialeto africano ou indígena, né? E por influência de um dialeto de Cabo Verde que se chama “crioulo”, que na verdade tem esse jeito que a gente fala, meio errado – em vez de falar “pra” a gente fala “pá”. Pra eles isso não é gíria, é dialeto, e eles chamam de crioulo. Então tô fazendo uma versão brasileira de um dialeto, invento essas grafias. Sei que tenho ascendência do Cabo Verde da parte do meu pai. Tentei perguntar pra minha avó, mas ela tá bem adoentada. Quando era pequeno eu ouvia falar né. Mas agora que cresci e vou caçando a história com as minhas tias e tios, nega veia e nego veio. Mas não sei de onde vem direito.

Isso é uma coisa que eu leio em tudo quanto é entrevista sua, falando das suas influências africanas, do candomblé e o escambau, mas nunca fiquei sabendo qual o seu orixá.
Eu sou filho de Oxóssi, cara.

Publicidade

É que vi no seu Twitter faz pouco tempo você marcando de ir a um terreiro no Tatuapé. Foi?
Fui, cara. Eu tava… Ainda tô, só não estou exteriorizando muito, numa fase bem complicada. Aconteceu um monte de coisas, então fui dar uma consultada.

Falou com quem?
Na verdade falei com uma senhora. Mas sendo sincero, assim, acho que a senhora… Porque os terreiros cara… Tenho mais ligação com a cultura hare krishna e rastafári do que propriamente Candomblé e Umbanda. Mas nos dias de hoje os terreiros perderam muito da essência. Então rola muito de você ir lá, falar com uma suposta entidade… Mas sentir mesmo, fechar o olho e tentar pegar a energia… Às vezes você vê que a entidade nem tá lá. Gosto mais de ler coisas do que propriamente frequentar, mas aí meu amigo tava indo lá nesse do Tatuapé e me chamou. Acabei não gostando. Mas também não sou de ficar procurando vários terrenos pra achar o meu. Já tinha ido a outros algumas vezes, mas bem esporádico.

Você já se cansou de “Elegância”?
Ah, ele cansa, mas é uma parada que é louca. É o lance que você precisa afirmar o seu… O artista é um personagem também, então esse é um lance que me fez ser cativante pra muita gente. Então é uma parada da qual não posso abrir mão, porque as pessoas que gostam de mim ainda têm ela muito forte, o lance de ter lançado essa música, do jeito que ela é, na época que eu lancei e ainda agregar esse negócio de moda, elegância e tudo mais. Então fodeu, é fardo que vou carregar aí a vida inteira.

Publicidade

Teve gente que caiu de pau no Emicida por ele ter gravado com o NX Zero, coisa que você também fez. Encheram muito seu saco?
Sou o tipo do cara que chega muito pouco pra mim. Mas ao mesmo tempo sei que a galera fala mal. Só que no final das contas não sou um cara que costuma botar a culpa no público. Mas reconheço que a galera ainda precisa aprender a consumir o rap. Tem muita gente que ainda não sabe, pra quem ainda é muito confuso. Porque no meu caso, no caso do Emicida, acho que na grande maioria dos artistas, a gente foi lá e cantou rap sem novidade, sabe? Foi a mesma coisa que a gente sempre faz, e isso não tem grilo. Artistas do mundo inteiro fazem isso, e eles são requisitados justamente por causa disso, pra fazer o que eles fazem com as características deles.

"O jogo funciona assim."
Total. Ao mesmo tempo é uma faixa da qual gosto muito. Nos shows ela fica mais legal ainda, que ela pega pelo rock, que é um lance que tô agregando no meu trabalho também. Curti bastante rock ali nos anos 90. É um lance que fico feliz por ter feito – feliz e orgulhoso. Pra mim não tem muito grilo não.

Outra coisa que eu vi no seu Twitter é você dizendo que ultimamente só tem ouvido seus próprios sons.
Ah, tô curtindo. Esse é outro bagulho louco, lançar música na quinta e estar gravando toda semana. Porque os bagulhos gringos saem que nem água. Aí você vai baixando, baixando e não escuta nada. Até que você enjoa de achar que tudo tá igual. Aí a saída que tive foi ouvir o rap nacional. Só que o que a galera tem feito eu particularmente não tenho curtido. Aí o que faço? Vou me ouvir, mano. Fico gravando toda hora aí e vou me ouvir.

Publicidade

E como tá essa rotina de trabalho?
É sempre corrido. Fico a segunda pensando na vida, organizando umas coisas, aí na terça gravo e na quarta mixo. Isso é um pouco ruim, porque mixo na quarta pra lançar na quinta. Se não gostei da mixagem, não tem como voltar atrás. Mas também como é um lance despretensioso, a ideia não é que seja toda quinta um hit ou grande sucesso, vale mais o sentimento de você expor sua rima, o que você escreveu. E eu, um virginiano perfeccionsta, nunca sofri nada por causa disso. Ficava nessa de ter que mixar, regravar… Aí não lançava nada, o tempo ia passando, perdia o gosto pelas músicas, as músicas morriam… Então é um exercício de desapego também.

Você produziu "Kriolo Maw" [escute aqui].
A única que eu não produzi é a “Missão dos Malote”. O restante é tudo meu. E é louco, porque tô estudando, né, cara? Porque não sampleio nada. Eu mesmo crio, eu mesmo arranjo. Então uma coisa empurra a outra. É o exercício das quintas-feiras. Tudo o que tenho feito tem me ajudado muito, já tô gravando melhor, arranjando…

Das que lançou nesse Akecimento, alguma delas você gosta mais?
Como elas são de várias épocas diferente… Mas eu diria que a “Sem Medo” é muito pessoal, tipo, baseado em fatos reais, saca? A vivência mesmo que a gente tem na quebrada, coisas que a gente vê. Os irmãos que acabei perdendo no crack, no crime…

A "Issu Memu" é de quando?
É da semana passada [risos]. O Zero Onze veio aqui em casa, queria organizar o trabalho dele, aí ele mostrou umas coisas e falei: “Pô, isso aí dá um rap”. Aí parte das minhas rimas eu já tinha no caderno. O restante fiz de cabeça, nem escrevi, saca?

Publicidade

E "Kriolo Maw"?
Essa é muito louca. É uma rima solta que eu tinha o primeiro verso. Aí olhando os cadernos lá achei essa rima do "Kriolo Maw", que tinha tudo a ver com a rima solta que eu fiz. Aí juntei os trapos e transformei ela numa música.

Tem uma parte que me lembra do "Dogão é Mau". Sabe, "Dogão é Mau / Dogão é Mau Auau"?
[Risos] Nossa! [Risos] Mas não cheguei a pensar nele, não.

Tá, e falando versos seus. “As patizinha tão colando” mesmo?
Ah elas gostam, né muleque? [Risos] Tô me sentindo até mal. Acho que elas gostam até mais que as minhas vizinhas. Falando nisso, desceu uma vizinha agora… Meu Deus! Mas eu falo: “caramba, meu. Acho que as meninas do bairro não gostam mais de mim!” Elas dão menos bola que as patizinha [Risos]

Você comentou que vai começar a usar o Auto-Tune nas suas músicas.
Sei que a galera mete o pau legal, né? Porque é o seguinte, cara: o Auto-Tune, na programação dele lá, sintetiza sua voz. É como se a sua voz fosse tipo um piano. Então tem gente que acha que vai chegar lá, sem saber cantar, e o Auto-Tune vai fazer a mágica e melhorar sua música. Não é isso, você tem que puxar as notas certinho, desenhar a harmonia, ajeitar, e aí dá aquela timbragem eletrônica. É um exercício que tô fazendo. Acho que no Brasil pouca gente trabalhou com ele assim, com harmonia legalzona. Então tô estudando. Cheguei a gravar uma, que tá aqui meio escondida -- que só mostro pros amiguinhos aqui quando chegam… É uma letra polêmica pra mim que sou casado. Fora o Auto-Tune [risos].

Ah é? Tem problemas com a mulher por causa de letra?
Ixi, eu tenho vários. Mas eu invento história, cara. Na verdade, sou que nem sambista, invento muita coisa. Se flertei com a mina ali na lotação, olhei de um lado e ela olhou de outro, aí já invento uma história louca.

Tá, e que história é essa de "Rapno brega"?
[Risos] Você tá flagrando tudo, né? Falei isso zoando. É que, na verdade, cara, às vezes falo umas coisas sem perder a amizade. Tem coisa que acho brega de disco, de frase, de refrão – refrão principalmente, que tô meio desgostoso com alguns refrões que tenho ouvido. Aí escrevo uma coisinha ou outra assim de besteira, que ninguém percebe. Quer dizer, eu achava, né, até você olhar lá. [Risos]

E já perdeu amizade por isso?
Não, não. Graças a Deus eu fecho com geral.

Pra acabar: participar do Noisey foi bom pra você?
Foi massa, cara. Foi meio corrido. Antes a gente chegou a fazer uns shows legais e depois daquele a gente fez uns shows legais. Até conversando depois pensamos que eles deviam ter coberto outro show. Mas o lance foi meio informal, né, não foi o mais quente do nosso trabalho. Mas gostei de ter feito, porque gosto de conversar. Sinto falta disso, aliás, no rap. Mais conversas, mais… A parada viciou um pouco ali no Facebook, Twitter. Ninguém se encontra mais. Gosto de ser questionado também, tipo maluco chegar “e aê, e aquela fita lá, aquelas ideia?" e responder.

Foi um prazer pra mim também.

FOTOS: ACERVO NOISEY