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Passe Livre Pro Movimento

Era o meu primeiro encontro formal com o núcleo paulistano do Movimento Passe Livre, que anda botando o País pra foder na luta por uma discussão sobre um "novo modelo de transporte [público] para o Brasil".
4.7.11

Fui de carro, mas não contei pra ninguém. Claro. Era o meu primeiro encontro formal com o núcleo paulistano do Movimento Passe Livre, que anda botando o País pra foder na luta por uma discussão sobre um “novo modelo de transporte [público] para o Brasil” -- o que, dizem, não significa liberar a catraca pra todo mundo e ir dormir gostoso, mas de fato replanejar toda a malha e o direito de ir e vir --, e… Né? Eles estão envolvidos em protestos de Santa Catarina, Salvador, no Espírito Santo, e alguns dos seus membros também participam de outros coletivos, como o DAR (Desentorpecendo a Razão), e marchas, tipo as da Maconha, Vadias, Liberdade. Nessa última, aliás, fizeram a balada quando penduraram uma faixa enorme na fachada do Conjunto Nacional. Fui ter com essa galera, na maior parte composta por secundaristas, de escolas públicas ou não. Às 14h. Apareci pra ver se valia a pena somar, ainda que  sobre eixos particulares 1.6 com subwoofer de uma montadora francesa.

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Justificando: só fiz isso porque bobeei no horário. Era domingo, afinal, e ainda que o acesso por coletivos fosse fácil – o ajuntamento aconteceu na não sede deles emprestada pelo Grupo Tortura Nunca Mais, na rua Frei Caneca –, teria me atrasado mais não fosse minha decisão. Daí que passados dez minutos do horário programado já estava eu lá, além de outros quatro, esperando pelo resto do grupo para que pudéssemos entrar e dar início à reunião. O que foi acontecer mais ou menos por volta das 14h35. Acho que foram de ônibus, não sei. Militantes também têm família.

Por isso mesmo o fato de só dez pessoas (a mais nova com 15 anos de idade e a mais velha com 25 -- nenhuma filiada a partido político) terem se feito presentes, incluindo uma única caloura, não assustou ninguém. "Isso acontece direto. Quando vamos ter ações as reuniões lotam -- já ficamos aqui das 14h à meia-noite --, mas entre isso vêm só alguns. Mesmo porque não divulgamos a reunião de hoje muito bem", explicou a veterana Mayra. "A gente assusta alguns novos membros, também", assumiu o Caio. "Mas também não coagimos ninguém a nada, a não ser um bar de sexta-feira", completou Mayra. O motivo da atividade, também divulgada no Facebook deles, era apresentar o grupo para novos interessados em participar e/ou militar pela causa, fora uma breve menção a um projeto de lei que estão para apresentar em breve (mais sobre isso, fique no aguardo). "Já participei de uns três atos. Comecei por causa da Helena [quem estava sentada ao seu lado], mas queria me envolver mais", explicou a carne fresca Mônica.

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E pra se envolver é bem simples, na verdade. Basta aparecer. Eu mesmo já podia ter saído de lá com camisetas e broches pra vender, mas não sou de fechar e deslumbrar fácil assim, de primeira -- só com o Cid, meu pastor canadense. "A gente passa as atividades que mais tenham a ver com a pessoa, e também baseado no que ela está disposta a fazer", contou o Caio. Isso porque, ainda que um movimento fundado nacionalmente em 2005 durante o Fórum Social Mundial, a organização segue preceitos federativos, cada núcleo faz o que bem entende desde que alinhados às diretrizes básicas da carta de princípios--"horizontal [aka sem delegados cagando regras na cabeça de ninguém], autônomo, independente e apartidário, mas não antipartidário".

Foi tudo isso o que me disseram. Fora o motivo de o dia 26 de outubro ser o Dia Nacional de Luta Pelo Passe Livre ("quando uma lei de passe livre foi aprovada na Câmara de Florianópolis") e um monte de memórias do quanto já apanharam da polícia -- teve até fratura exposta nos relatos --, das ações que fizeram do M'Boi Mirim à prefeitura, e do como um organizador de um passado churrasco, ao cagar na base vendo que a piadinha que criara tinha se transformado no acontecimento do mês, pediu ao MPL que assumisse a autoria da parada. "Mas a gente não aceitou. Só que fomos lá, queimamos uma catraca, fomos entrevistados. Mas não fomos nós que começamos. O que acontece é que muitas vezes os organizadores de manifestações vêm nos procurar por causa do nosso histórico." Tudo a salgadinhos, chocolate e café.

E também Coca-Cola. Patrocinada por um dos presentes. Aliás, falamos sobre eixos de fora e estados paralelos. Tudo na boa. Pra mais, é só dar as caras. A próxima reunião, pelo que combinaram, será no dia 16 de julho. Se for, vou de ônibus. Mesmo porque agora eles já sabem do meu arrasto.

Li em algum lugar que a revolução será instagrameada. Mas ninguém lá tinha iPhone. O único que tirava foto era esse bem simples, do Akira (o crédito é meu).

BRUNO B. SORAGGI
FOTOS E PARTICIPAÇÃO: LUCAS CONEJERO