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Todos Concordamos que Ninguém Concorda Sobre o Tidal

Listamos os prós e contras do novo serviço de streaming do Jay-Z.
07 April 2015, 8:20pm

ma coletiva de imprensa cravejada de estrelas que rolou na semana passada, a elite da música se reuniu na Moynihan Station, em Nova York para relançar o serviço de streaming de música do Jay-Z, Tidal. Se você não está familiarizado com a plataforma, aqui vai o resumo da ópera: o ponto mais forte do Tidal é o uso do formato de áudio de alta fidelidade (frequentemente chamado de "sem perdas"), FLAC (Free Lossless Audio Codec).

Diferentemente de outras plataformas, como o Beats Music da Apple, Spotify, ou mais recentemente o app da Beatport que usam arquivos de mp3 em alta qualidade (320kbps), o serviço do Tidal que oferece arquivos sem perdas promete "um som altamente detalhado, mais rico" (palavras deles, não minhas). Enquanto alguns serviços, como o Beatport, oferecem FLAC como conteúdo de download, um serviço que permite que os usuários ouçam música em streaming quando quiserem, em alta fidelidade, é uma novidade na indústria.

O Tidal também é mais caro. O pacote padrão, oferecendo mp3 em 'alta qualidade', custa U$9,99 (R$ 31,19) por mês, enquanto o pacote premium sai por U$ 19,99 (R$ 62,49) por mês. Pense no Tidal comparado ao Spotify, que cobra U$ 9,99 por mês (ou U$4,99 para estudantes) ou como plataforma grátis bancado por propagandas. Sendo assim, a hashtag #TIDALforALL (Tidal para todos) é um pouco enganadora já que não existe uma opção gratuita para o serviço.

E ainda mais importante, no entanto, é o fato de que o Tidal é de propriedade de artistas de verdade, ao invés de típicos investidores de empresas ponto.com.

Imagem: coretsia do Tidal

Muitos fãs, que acompanham os lançamentos da indústria e mesmo os críticos já têm fortes opiniões sobre o que é o Tidal. A Billboard diz que o Tidal é "bom para a indústria da música - mesmo se ele falhar", enquanto a Tech Radar recomenda que você "gaste seu dinheiro indo a shows, ao invés de pagar pela plataforma". Um comentarista de Facebook chamou o anuncio do serviço na segunda-feira de "o melhor ritual satânico em live streaming que eu já vi".

Quer dizer, ninguém conseguiu concordar em um ponto de vista, mas nós todos concordamos que ninguém concorda. Por quê? Vamos dar uma olhada

  1. Antes de mais nada, o uso de FLAC por parte do Tidal nos coloca dentro da discussão sobre "audio de alta definição é inútil/incrível". Essa discussão existe desde que a tecnologia stereo deixou de ser a ponta da lança. Você consegue notar a diferença entre vinil, fita K7, FLAC e mp3? Isso depende de muitos fatores, como por exemplo se você está em um ambiente quieto o bastante; se você está usando hardware que tem saída de áudio de alta definição, e até a maquiagem da música que você está ouvindo.
  1. Não existe opinião certa ou errada. Mas existem configurações de áudio certas e erradas. Se você está ouvindo FLACs em fones de ouvido do iPod, por exemplo, e saindo para ir fazer cooper, então sim, audio HD não faz sentido algum. Se você está sentado em casa, em um quarto razoavelmente quieto, e quer tocar velhos discos em seu equipamento de som da Mac, então sim, audio HD faz sentido.
  1. Tanto a mídia quanto os consumidores estão bem divididos sobre o preço do Tidal. Preço é um assunto estranhamente subjetivo também. Considerando que estamos felizes em pagar R$ 10 numa long neck na balada ou R$ 7 num maço de cigarro, quem cacete é qualquer um de nós para dizer o que custa demais? Tidal é definitivamente mais caro que seus competidores, mas por outro lado, serviços de streaming de música ainda são altamente opcionais. Você pode muito facilmente pagar nada e ouvir música de graça, quanto roubar a conexão de wi-fi do seu vizinho.
  1. Tidal também é pretencioso. Nossos amigos do Noisey foram longe o bastante ao ponto de descrevê-lo como "American Psycho softcore", (eles também disseram outras coisas sobre gêneros e produtos de áudio aspiracionais... mas estamos digredindo). Veja o bem real e completamente sincero comercial do Tidal e tire suas próprias conclusões.
  1. A parceria do Tidal com seus investidores/artistas deixou a imprensa realmente polarizada. Além de Jay-z, a ala dos que apoiam incluem Rihanna, Kanye West, Madonna, Nicki Minaj, Jack White, Alicia Keys, deadmau5, Calvin Harris, Daft Punk, Arcade Fire e claro Beyoncé, junto com a maioria dos músicos que entraram no jogo desde o anúncio, não são diferentes da maioria dos músicos que tem conteúdo no Tidal. Isso é, claro, longe do fato de que eles são todos milionários extremamente bem sucedidos (a não ser, provavelmente, o Arcade Fire que tem royalties divididos entre os muitos membros da banda).

Esse é o lance: se o Tidal fosse possuído por oligarcas russos ou hipsters de São Francisco, alguém ainda estaria ganhando dinheiro. É assim que o negócio da música funciona. É assim que o capitalismo funciona. É assim que tudo funciona. E se os apoiadores do Tidal (que por acaso fornecem o som do qual o produto depende) não forem nada melhores do que o resto dos capitalistas, enquanto defendem que seu produto é o salvador da indústria? Se você não gosta do capitalismo (e existem vários motivos para você não gostar), provavelmente não vai concordar com a estrutura interna do Tidal. Se você gosta do capitalismo (e existem vários motivos para gostar), vai achar OK.

O Tidal é o equivalente da indústria da música a um grupo de amigos arruaceiros fazendo uma vaquinha para montar um bar. Só que mais ricos. Todo mundo é rico nesse bar. A maioria dos apoiadores do Tidal estão envolvidos com Roc Nation de uma maneira ou outra, e muitos foram citados na faixa "Illuminati" da Madonna no Rebel Heart. Para algumas pessoas, isso vai parecer errado, mas para outras é apenas a amizade na indústria musical em ação.

Existem outros aspectos potencialmente ridículos do Tidal. Daquela hashtag, ao fato de Rihanna e Nicki usaram sobretudos em tom pastel na conferência para a imprensa e não avisarem a Madonna de que estavam combinando, temos muito ainda a examinar.

Você adora o Tidal? Você o odeia? Você está cagando? Compartilhe suas opiniões nos comentários abaixo.

Ziad Ramley não é rico, mas está no Twitter.

Tradução: Pedro Moreira