Poucas coisas são mais pretensiosas do que listas de melhores do ano. Ninguém (pessoa, redação, corpo de jurados, ou o que seja) tem a capacidade de ouvir tudo o que sai de música em um ano. Mas elas também são boas para descobrir coisas que outras pessoas escutaram e podem ser realmente boas. A lista do Mundão é uma lista do resto do globo. Alguns discos que provavelmente serão ignorados em outras listas — tirando a Rosalia, claro —, mas que podem chacoalhar seu mundo. É um convite pra você lembrar que música boa pode sair de qualquer canto.
Sem ordem de preferência, esses são os discos favoritos do Mundão em 2018. No final, tem a playlist no Spotify com a favorita de cada lançamento.
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BCUC – Emakhosini
O segundo disco do grupo sul-africano conta apenas com três músicas, duas delas de quase 20 minutos. O som funde gospel com harmonias vocais ancestrais, afro-psicodelia e muita percussão.
Various Artists – I’m Not Here to Hunt Rabbits
Coletânea de artistas folk de Botswana que se utilizam da inacreditável técnica local de tocar violão com quarto cordas. O lance aqui é música cheia de alma, bem longe da pura curiosidade pelo exotismo.
Chancha via Circuito – Bienaventuranza
Pedro Canale pode ser culpado por toda uma legião de produtores de downtempo folclórico andino, mas ele sempre foi melhor que os imitadores. Bienaventuranza é mais um passo adiante na ótima discografia do argentino.
Gaye Su Akyol – İstikrarlı Hayal Hakikattir
Das maiores representantes de uma cena que emerge nesse momento politico delicado em seu país, a cantora turca leva a aclamada psicodelia do país persa para o século 21 ao juntar elementos do indie pop contemporâneo e eletrônica com instrumentos regionais.
ROSALÍA – El Mal Querer
Essa é barbada. Tá não só nessa como em quase todas as listas de melhores do ano, de hype beasts à caretas. Nunca imaginei que misturar flamenco e eletrônica ia dar certo. Até botarem essa tarefa pro El Guincho, que deu todo espaço para a cantora espanhola brilhar. Discão.
Balun – Prisma Tropical
Esta banda porto riquenha radicada no Brooklyn lançou um disco surpreendente, que reinterpreta os perreos locais como o dembow e o reggaeton com eletrônica arrojada e vocais etéreos.
Radio 123 – Manga Manga
A banda sul-africana rotulou seu estilo inclassificável como Mandela Pop. A irresistível “Thando”, que fecha este EP delicioso, resume a capacidade do grupo em criar um pop tão elaborado quanto grudento.
Muzi – Afrovision
Serião, já passou da hora de todo mundo conhecer o produtor sul-africano Muzi. Como o Drake não tá andando com esse cara ainda?
Angelique Kidjo – Remain in the Light
A diva beninense levou de volta pra África o que o Talking Heads levou emprestado nesta reinterpretação do clássico da banda, com direito a participações de Ezra Koenig (Vampire Weekend), Dev Hynes (Blood Orange) e Tony Allen.
ANMAR 808 – Maghreb United
Esse disco é daqueles que você só consegue pensar “uau, que que é isso?”. ANMAR 808 é o novo projeto de Sofyann Ben Youssef, que no ano passado lançou um disco maravilhoso com o Bargou 08. Aqui ele faz beats inspirados na música do Mahgreb numa TR-808, acompanhados por cantores do Marrocos, Tunísia e Argélia. Se isso não é sua praia, sinceramente eu não sei o que pode ser sua praia.
Al Doum & the Faryds – Spirit Rejoin
Nas jams espirituais da banda italiana cabe tudo: jazz, afro-psicodelia, space rock. Aperta o play e acredita na viagem.
Mergia – Lala Belu
Um dos precurssores do ethio-jazz reaparece 20 anos depois de seu primeiro lançamento com um discaço.
Begayer – Terrain à mire . Une maison rétive . Contrainte par le toit
Um jovem trio francês que soa como um cruzamento da No Wave com música tradicional árabe não pode ser ruim.
Dwarfs of East Agouza – Rats Don’t Eat Synthesizers
Colaboração frita entre Alan Bishop (Sun City Girls), Sam Shalabi (Shalabi Effect) e o egípcio Maurice Louca pra terminar a lista em grande estilo. Duas longas jams com beats eletrônicos, baixo acústico e acento árabe.
E se você aguentou até aqui o final, seja abençoado com a playlist de Spotify com as mais feras dos álbuns supra citados.
O globalista do som e empresarindie Dago Donato apresenta o Mundão Sound System, uma banda pelos rincões do planeta em busca dos sons que amanhã farão a cabeça do seu produtor favorito.
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