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Opinião

Gandhi, o pervertido que gostava de crianças e nazis e maltratava a mulher

Como a maioria dos ídolos, Gandhi não foi mais que uma farsa que se transformou num mito ao morrer precocemente e, ainda para mais, assassinado.
9.11.15
gandhi abraçado a uma criança

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Espanha.

A primeira pessoa que me falou mal de Gandhi foi um colega de trabalho paquistanês. Nos tempos mortos que tínhamos no café merdoso onde trabalhávamos, explicou-me que Gandhi queria manter o sistema de castas - que os paquistaneses não têm por serem muçulmanos - apoiava a guerra contra o Paquistão e, regra geral, era um autêntico cabrão que nós, ocidentais, decidimos santificar.

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Como o meu colega era tremendamente nacionalista e os paquistaneses e os hindus não são propriamente os melhores amigos entre si, não liguei muito e não voltei a pensar no assunto, até porque, na universidade, tinham-me contado as mesmas histórias de sempre sobre Gandhi. Portanto, decidi acreditar num gajo doutorado em História Contemporânea e não no meu colega de trabalho que dizia que estava a estudar engenharia para regressar ao seu país e desenhar mísseis ao serviço do exército (que depois lançaria contra a Índia na - segundo ele - iminente guerra entre os dois países).


Vê também: "Crianças à venda"


No entanto, depois de algum tempo, voltei a interessar-me sobre o tema - quando a betinha da tua turma partilha uma fotografia de Gandhi com uma frase de merda, sabes que este tipo não pode ser trigo limpo farinha amparo - e comecei a pensar que o meu colega talvez tivesse razão e, de facto, este fosse um caso de endeusamento completamente fabricado.

Por isso, decidi reunir aqui todos os supostos êxitos deste senhor, olhados sob outra perspectiva, para ver se, de uma vez por todas, as pessoas deixam de idolatrar a figura deste palhaço.

GANDHI, O BETO

Daqui a nada vem a melhor parte, mas comecemos com algo ligeiro para abrir o apetite. É importante que Gandhi fosse um queque? Não sei - eu acho que sim -, mas se não te irrita um bocado que um menino de bem brinque aos pobres e dê uma de iluminado, então deves ser uma daquelas pessoas que está prestes a partir para uma dessas viagens de auto-descoberta, destino Nepal, ou a meter ayahuasca na selva colombiana… Mas vá, o que interessa é que o homem era ainda mais beto que alguém que limpa o chão com um polo da Lacoste embebido em Chanel nº5.

Como todos os líderes das lutas anti-coloniais – todos é mesmo todos – Gandhi pertencia à elite autóctone, aos ricos do país, que aproveitaram o domínio imperial dos europeus para aumentarem as suas fortunas, fosse através dos altos cargos que ocupavam, através dos negócios, ou da política pura. Precisamente por isso - porque os seus pais pertenciam a esta elite - Gandhi permitu-se o luxo de estudar em Londres, onde foi educado nas melhores escolas britânicas. A cantilena dos votos de pobreza e o andar descalço e semi-nu vieram mais tarde, quando se transformou em guru.

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Gandhi com as suas sobrinhas, com quem por vezes, alegadamente, dormia nu. Imagem via.

GANDHI E AS CRIANÇAS

Este guru tinha práticas um pouco estranhas. Entre alguns votos que decidiu fazer, estava o de castidade e, pouco a pouco, o sexo transformou-se num dos temas principais dos seus discursos, demonstrando uma certa obsessão por ele. Uma obsessão que alcança um nível doentio quando descobres que, para aprender a controlar o seu celibato, dormia nu com meninas - eventualmente, as suas sobrinhas - para ver se aguentava.

Sempre assegurou que não houve penetração - claro, o que é que ia dizer? - mas não nos enganemos, todos sabemos perfeitamente que o sexo não é só penetração - ele próprio dizia que a prova consistia em sentir e ver o corpo nu e ainda assim evitar cair em tentação - e que coisas como o auto-controlo não se alcançam do dia para a noite. O que nos faz pensar que talvez tenha havido um período de "tentativa e erro" - em que o erro é ter relações sexuais com crianças - antes de alcançar esse suposto controlo. Mesmo que não tivessem relações nem se tocassem, não deixa de ser igualmente repugnante que dormisse com miúdas.

Só o fazia com raparigas. Também utilizava mulheres jovens virgens ou recém-casadas, todas elas do seu círculo íntimo de discípulos, o que faz lembrar as práticas sexuais dos líderes de algumas seitas.

GANDHI, O NAZI

Para além das miúdas, Gandhi também gostava de outras coisas, como de braços em riste e da superioridade racial ariana. Sempre se justificou o apoio de Gandhi a Hitler e Mussolini, com o facto de este os considerar inimigos do imperialismo. Tanto a sua visita a Mussolini em Roma - onde expressou a sua admiração pelo ditador italiano e foi convidado de honra no desfile das Juventudes Fascistas –, como aquilo da carta que escreveu a Hitler, (do qual se despede como "Seu sincero amigo"), ou quando o aclamava e rejeitava tanto o imperialismo britânico, como o sionismo, demonstram que era alguém que tinha muito interiorizados os pilares do nazismo e do fascismo.

Mas, acima de tudo, era extremamente racista: considerava que os africanos eram povos inferiores e, na verdade, essa foi a razão pela qual iniciou a luta para acabar com a discriminação dos indianos na África do Sul, durante a primeira década do século XX: para que não fossem equiparados a uma raça que ele considerava inferior. Acreditava que os indianos estavam ao mesmo nível da raça branca, por descender da mesma estirpe ariana e, portanto, faziam parte da mesma irmandade racial.

Nos seus apontamentos fala sobre como acreditava na raça da mesma maneira que os sul-africanos e que, por isso, deviam ser os brancos a governar o país e que deixar entrar crianças negras nas escolas para crianças indianas era injusto para as segundas, porque os negros estavam apenas um grau acima dos animais, etc. Uma imagem muito diferente daquela que nos é habitualmente oferecida.

GANDHI, O VIOLENTO

Se há um aspecto que define Gandhi é o pacifismo e a luta contra a violência. O mito que se criou à sua volta - mesmo antes da sua morte - considerava que, o que engrandeceu a sua luta foi que evitou o confronto brutal com os britânicos. Embora haja quem acredite que mitificá-lo tenha sido uma estratégia dos impérios para que as colónias iniciassem esse tipo de resistência e não se lançassem às armas. Mas, se calhar, não foi assim tão pacifista, pelo menos no que diz respeito aos paquistaneses e às mulheres. Durante a guerra entre o Paquistão e a Índia, que aconteceu depois da independência, Gandhi pôs de lado a não-violência e o pacifismo para apoiar a Índia num conflito que, em alguns lugares, foi uma autêntica limpeza étnica. E tudo por causa de uma bandeira.

No que diz respeito às mulheres, para o caso de que doutrinar adeptas e metê-las na cama não te pareça suficientemente estranho, Gandhi maltratava fisicamente a sua mulher - e também os seus filhos. Deixou-a morrer de pneumonia, porque a proibiu de usar penicilina (visto que a considerava indigna), pois era apologista de que a medicina tradicional indiana era superior à ocidental. Talvez isto não seja uma agressão física, mas, sinceramente, não deixa de ser uma agressão em estado puro.

Como a maioria dos ídolos, Gandhi não era mais que uma farsa, que se transformou num mito ao morrer antes do tempo - assassinado - e ter caído nas boas graças das pessoas certas, que se ocuparam de o vender como um produto. Por isso, por favor, deixem de partilhar a sua cara, as suas frases e de reivindicar as suas ideias de merda. Obrigado.


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