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Vocalista dos Eagles of Death Metal critica manifestantes pelo desarmamento nos EUA

Jesse Hughes respondeu com irritação e ironia aos apelos por leis de armas mais rigorosas e atacou directamente a sobrevivente de Parkland, Emma Gonzáles.

Por Michi Koffler
27 Março 2018, 9:51am

Este artigo foi originalmente publicado na VICE USA.

No sábado, 24 de Março, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas dos Estados Unidos para participarem na "March for Our Lives", em protesto contra a violência armada e em favor de regulamentações mais rígidas sobre o controlo de armas. Como músico, há três maneiras possíveis de responder a esses movimentos. Primeiro, podes apoiar os manifestantes e a sua causa, como Miley Cyrus, Ariana Grande, Paul McCartney e Jaden Smith, participando directamente nas manifestações ou publicando algo nas redes sociais. Segundo, podes evitar comentar o assunto. Ou, em terceiro lugar, podes comportar-te descontroladamente como um merdoso, como Jesse Hughes fez. Outra vez.

O vocalista dos Eagles of Death Metal tem um historial de intervenções mediáticas negativas. Após os ataques terroristas em Paris, na noite de 13 para 14 de Novembro de 2015, 130 pessoas foram mortas - 90 delas no Bataclan Theatre, onde os Eagles of Death Metal actuavam. Enquanto Paris, a Europa e o resto do Mundo estavam ocupados a tentar processar os horríveis eventos, Hughes foi a um canal de televisão francês e argumentou que "toda a gente tem de ter armas".

Sem surpresa, Hughes também sentiu a necessidade de lançar comentários sobre os eventos actuais, desta vez na forma de posts no Instagram. No primeiro post, uma ilustração de uma mulher a dizer a um homem: "Eu devolvi a minha arma para fazer a minha parte e contribuir para o fim da violência". O homem responde: "Eu cortei a minha própria pila para acabar com as violações". A publicação é acompanhada pelo seguinte comentário furioso, cheio de typos, que o músico, posteriormente, viria a apagar:

Obviamente .... A melhor coisa a fazer para combater abusadores crónicos e desconsideradores da lei (como a lei contra o Assassinato) é .......... passar outra Lei! ..... Genial !. ..... mas antes de aprovarmos esta lei, vamos denegrir a memória e amaldiçoarmo-nos explorando a morte de 16 dos nossos colegas por alguns likes no Facebook e atenção dos media ... as armas de fogo ajudaram a proteger-me a mim e aos meus amigos em Paris !!!!! Isto quase soa como o plano de uma criança, talvez de um estudante do ensino secundário ....! Oh, esperem, é isso mesmo ... A música de Whitney Houston sobre deixar as crianças liderarem o caminho não era, na verdade, um paradigma operacional para a vida ..... E quando a verdade não se alinha com a vossa narrativa de merda, vocês prendem a respiração e recusam-se a aceitá-la .... em seguida, tirar vários dias de folga da escola à custa do sangue de 16 dos vossos colegas ....! .... poderia ser engraçado se não fosse patético e repugnante ...... Como sobrevivente de um tiroteio em massa, posso dizer-vos em primeira mão que todos vocês a protestarem e a tirarem dias de folga da escola insultam a memória daqueles que foram mortos e abusam e insultam-me a mim e a todos os outros amantes da liberdade por todas as nossas acções ... Longa Vida ao Rock'n'Roll... e que todos esses abomináveis e repulsivos vilões dos mortos vivam o maior tempo possível para que possam ter o máximo de tempo para suportar o mesmo ... e serem amaldiçoados...


Vê: "O futuro das armas nos Estados Unidos"


Hughes também postou e depois apagou uma imagem de Emma González, uma sobrevivente do tiroteio na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, na Flórida, que matou 17 pessoas e feriu outras 17 no começo deste ano e levou à March For Our Lives. A imagem foi adulterada para retratar González - uma veterana em Marjory Stoneman Douglas, que desde então se tornou uma defensora do controlo de armas - a rasgar uma Constituição dos EUA. A imagem original era de um artigo da Teen Vogue em que a activista adolescente foi mostrada a rasgar um alvo de armas.

Na sua mais recente publicação, agora também apagada, Hughes escreveu que criaria uma segunda conta do Instagram para falar sobre as suas opiniões políticas:

Tracei uma regra na minha vida musical, que toda a gente deveria deixar as suas opiniões políticas à porta ... Sempre acreditei no lema 'Posso não concordar com o que estás a dizer, mas vou morrer pelo teu direito de o dizer'. Entristece-me ver tantos não terem esse lema... mas este é o meu Instagram para o Rock'n'Roll e acho que vou continuar assim ... vou começar um segundo Instagram onde colocarei as minhas crenças políticas ... Amo todos os amantes do Rock'n'Roll. E todos os amantes do Rock'n'Roll são bem-vindos aqui, deixa a tua opinião política à porta, eu próprio vou começar.....!!!!!


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