Viagens

O medo e a ansiedade de transexuais quando têm de escolher uma casa-de-banho

"Só quero fazer o que tenho a fazer, lavar as mãos, ver se tenho restos de comida nos dentes e sair sem ser incomodado".

Por Sarah Berman
30 Novembro 2016, 2:20pm

Todas as fotos por Jackie Davies.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Canadá.

Estamos em 2016 e o simples acto de ir à casa-de-banho enquanto transexual é ainda olhado, geralmente, como uma acção política. Se ocorrer num local público, os legisladores querem saber, há escolas que estão a tentar dar a volta à questão e pelo menos uma mãe em Alberta, Canadá, tentou fazer um rap sobre o assunto.

No entanto, este debate aparentemente interminável, pode parecer bastante estranho, tendo em conta que as pessoas trans se limitam a fazer o que toda a gente faz. Que não haja ultraje popular similar relativamente sos sons, aos cheiros e à falta de sabonete nas casas-de-banho públicas é a questão que deixo à vossa imaginação.

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"Business as usual". Todas as fotos por Jackie Dives

Talvez por isso não seja de estranhar que o activista trans, Jack Fox, tenha passado a última década a patrulhar todos os espaços sanitários da sua cidade. Apesar de Fox se identificar como homem, o medo que sente de ser perseguido e incomodado na "casa-de-bando dos homens" ainda perdura. "Tinha tanto medo de ser atacado, ou insultado, numa casa-de-banho pública, que muitas vezes aguentava o dia todo, até voltar a casa", conta à VICE, recordando os seus primeiros tempos depois da transição. E acrescenta: "Houve dias em que esperei 16 horas, sempre a controlar o que comia e bebia, só para não ter de usar uma casa-de-banho".

Recentemente, Fox juntou-se à fotógrafa de Vancouver Jackie Davies para uma série fotográfica que enfrenta essa ansiedade e a transfobia que a provoca. São fotos de pessoas não-binárias em casas-de-banho públicas, juntamente com as histórias pessoais de como lidar com o ódio.

Abaixo podes ver uma selecção dessas imagens.

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"Ninguém me disse que, depois de fazer a transição, ainda teria de andar à procura da 'casa-de-banho ideal', ou seja, uma suficientemente barulhenta para que ninguém perceba que estou a mijar sentado".

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"Antes de fazer a transição era assustador. É muito intimidante teres homens com o dobro do teu tamanho a olhar para ti como se fosses uma bizarria".

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"Só quero mijar, lavar as mãos, ver se tenho comida nos dentes e sair sem ser incomodado".

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"A melhor parte é ter um estranho a olhar por cima da porta só para ver se tens as partes certas! Já para não falar da quantidade de vezes que arrombaram a porta do cubículo onde eu estava".

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"Terem-me dito na escola para usar a casa-de-banho para incapacitados, foi dos piores momentos da minha vida".

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"Até hoje, mesmo depois da transição, ainda prefiro usar uma casa-de-banho com a indicação 'sem-género'".

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"Quando usava a casa-de-banho das mulheres, enquanto crescia, estava sempre a ouvir a mesma pergunta: 'estás no sítio certo?'".

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"Neste momento, os ressabiados deste Mundo, parecem ter encontrado um espaço em que se sentem seguros e mais visíveis que nunca. Isto significa que nós temos de ser também tão visíveis como eles".


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