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Fotografia

Fotografias fascinantes de prostitutas holandesas que evocam pinturas famosas

Malerie Marder colaborou com prostitutas de Amesterdão e Roterdão para criar composições que fazem lembrar as obras primas de alguns mestres da pintura.

Por Sonia Lounes
17 Novembro 2014, 10:29am

Este artigo foi originalmente publicado na VICE França.

Durante a época em que a fotógrafa americana Melanie Marder estudava na Universidade de Yale, Philip Lorca-diCorcia - um dos seus professores - colaborou com ela no seu primeiro mongráfico, Carnal Knowledge. Desde então, todos os projectos de Marder são focados na relação entre voyeurismo e intimidade.

Marder trabalhou na sua nova série - Anatomy - durante seis anos. Colaborou com prostitutas de Amesterdão e Roterdão para criar composições que fazem lembrar as obras primas de mestres como Magritte, Toulouse-Lautrec, ou Courbet. Liguei a Maleria para conversarmos um bocadinho.


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VICE: Sei que trabalhaste neste projecto durante seis anos. Pagaste a estas mulheres pelo seu tempo?

Malerie Marder: Sim, paguei 350 euros a cada uma. Tenho um amigo coleccionista que, além de me ajudar financeiramente, também foi meu assistente. Foi um anjo, o meu santo padroeiro. Sem ele nada disto teria sido possível.

Tiveste algum problema para as convenceres a posar para ti?

O verdadeiro problema foi não poder fotografar tudo o que queria. A minha presença no estúdio é reduzida: utilizo uma câmera de visor, que é lenta e iluminação HMI, que é como uma luz solar cálida. A montagem é muito pequena. Acabei por incorporar um flash, mas não era mais que luz adicional. Como não ocupava muito espaço, acho que por vezes elas se alheavam da minha presença.

Como é que surgiu a ideia de reproduzir obras de arte célebres?

Antes só pegava em motivos nacionais e isso condicionava o meu trabalho de uma determinada maneira, mas, muitas vezes, sigo o meu instinto e, na verdade, surpreendo-me. Nas placas dos museus fala-se de como Toulouse Lautrec retratava as prostitutas pintando os seus corpos de uma maneira cómoda. Eu sentia-me cativada pela ideia de que a sobrevivência de uma pessoa também pudesse ser a sua arte. Existe uma longa tradição de pintores que transformaram cortesãs em musas. Acho natural que as minhas fotografias remetam para a pintura.

Escolheste as prostitutas por alguma razão em particular?

Queria fazer um grupo de fotos com mulheres que pudessem proporcionar-me uma dimensão alucinatória e outra real. Queria trabalhar com mulheres que tivessem uma relação diferente com os seus corpos. Era como um exercício de meditação sobre a linha – muito fina – que separa os dois mundos, um pequeno resquício de sorte que me separava do mundo dessas mulheres.

Estás a favor da prostituição legal?

Não vejo a coisa dessa maneira. O facto de dar dinheiro a um mendigo na rua, não quer dizer que seja a favor da mendicidade. Paguei-lhes pelo seu trabalho como musas. Era um trabalho conjunto, cujo resultado foi uma série de fotos, mas também podia ter encenado outra coisa e estas mulheres teriam outros papéis. Queria misturar ficção e realidade para criar fotografias que fossem tão formosas como descaradas.

Podes contar-nos alguma história sobre estas mulheres?

Todas tinham a sua história. Muitas eram mães e nenhuma era menor de idade.

Podes falar-nos um pouco sobre outros projectos que tens em mãos, ou em mente?

Agora estou com uma série de fotografias em casa do meu psiquiatra.