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O novo álbum do Obama Lee Baden dá sequência à sua miscigenação musical

Ouça com exclusividade o novo disco do produtor paulistano, que brinca com samples que vão de João Bosco a Thaíde & DJ Hum, passando por Rage Against The Machine e trechos extraídos de filmes.

Depois de propor um amálgama de bass music com ingredientes afro, bossa-nova, samba e hip hop no EP Afro Sam Bass, o experimentador musical Obama Lee Baden dá sequência à ideia iniciada lá atrás e segue com a proposta. Alma, percussão e groove se entrelaçam mais uma vez em seu novo álbum, sem nome – ou "homônimo", como curtem dizer por aí quando um disco não tem batismo –, feito de recortes, texturas, vozes e instrumentais. São oito faixas construídas com "empréstimos" de artistas como João Bosco, João Nogueira, Alice Coltrane, Thaíde & DJ Hum, Rage Against The Machine, e até trechos de filmes, como o interlúdio extraído do longa-metragem Estamos Juntos (2010), de Toni Venturi, e a fala tirada de Timbuktu (2010), dirigido por Abderrahmane Sissako.

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Ele mesmo não consegue indicar muita diferença conceitual do Afro Sam Bass ao presente trabalho. "Como as músicas foram mudando durante o processo, acho que acabaram ficando mais ou menos com a mesma pegada", diz. "Talvez a diferença seja que esse é menos dançante e mais contemplativo, já que, inicialmente, a música que amarrava tudo aqui era 'Nuvem'." O próprio artista se encarregou dos recortes e reassociações sonoras, gravou e produziu tudo praticamente só. Ele contou com participações especiais apenas no trompete e no vocal, funções para as quais recrutou os mestres Luizinho Nascimento e Baobá Nagô, respectivamente.

"Os dois foram indicação do Wagner Bagão (Dubalizer), o cara que me ajudou nessa mix/máster", destrincha. "Ouvi o trampo dos caras e a sintonia foi imediata. Eles toparam a empreitada e agora tô aí, todo orgulhoso da parceria. Ficou bonito demais!", comemora felizão o resultado. As vozes foram captadas no estúdio Audiofya, e, os sopros, na casa do Luizinho. O resto foi tudo na casa do Obama. Ele contou que o processo foi bem demorado, tem música no play cujo primeiro rascunho data de 2011.

"A mixagem começou em novembro de 2015, mas aí durante essa fase surgiu 'São Paulo', que antes tinha outro nome", explica. "Fiz tudo numa noite só. Aí no dia seguinte eu ouvi e pensei: 'essa tem que entrar'. E, como durante a composição eu já tava imaginando ela cantada, não tinha como ser instrumental, senão eu ia me arrepender pra sempre. Então segurei o disco até conseguir a letra, e nisso foram-se muitas noites e dias. Meses, praticamente!".

Mete o play pra sacar como ficou: