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Direto de Berlim, Conheça o Som Etéreo do Pazes

O produtor brasileiro que escolheu a capital alemã como casa, está prestes a lançar seu primeiro disco e nós temos aqui uma prévia do que está por vir.
18.3.15

O Lucas Febraro já zanzou e muito. Brasiliense de criação, o rapaz que nasceu em São Paulo descobriu a música eletrônica meio sem querer no fim da adolescência, depois entrou para a Red Bull Music Academy que rolou em Madri, em 2011, e escolheu Berlim como sua casa bem na época da Copa do Mundo – "Foi meio estranho assistir o 7x1 de lá", conta. Buscando um nome que tivesse "um som agradável", o produtor de 23 anos que produz sob o codinome Pazes manda um som experimental e delicado.

Leia mais sobre a cena de Berlim.

"Comecei tocando violão e guitarra, não comecei na música eletrônica. Nem ouvia nada assim", conta. "E gradualmente, não teve um momento muito especial nem nada… Eu comecei a me interessar por música eletrônica". Influenciado por Aphex Twin, pelos trabalhos da Warp e outros clássicos, em 2013 ele lançou o EP Sleeping Dolls e agora, em abril, chega Induced, seu primeiro álbum. O disco vai sair pela label Time No Place e o Pazes nos deu uma das faixas como aperitivo. Assim como o seu trampo em geral, "Guest" tem uma vibe etérea e relaxante.

Apesar de morar numa cidade com uma das cenas eletrônicas mais ricas e energéticas desse mundão, Pazes não sabia muito o que iria encontrar até tomar a decisão de se mudar, depois do período que passou na Espanha. "Eu nunca pensei em vir pra Berlim, na verdade… E a minha ignorância em relação às cenas não acontecia só no Brasil, vim pra Berlim e nem sabia que a cidade tinha essa reputação", diz. Ele também conheceu pouco do cenário de Brasília e de São Paulo, porém se surpreendeu com a força que ele tinha na capital do país. "Claro que nem se compara com São Paulo, mas pra uma cidade do tamanho de Brasília, tem até bastante coisa acontecendo". Seu jeito de produzir é introspectivo, o que dá pra perceber nas suas composições e no seu jeito calmo de falar, seguindo a máxima do "devagar e sempre". "Eu sempre produzo sozinho e eu sou muito muito devagar fazendo música. Bom, com tudo na vida eu sou muito devagar, mas especialmente fazendo música", explica.

Mas muito além da música, o cenário político da Alemanha chamou a atenção do produtor. "[Berlim] é uma cidade que tem uma história com um cunho muito progressista, revolucionário até, e que difere do resto da Alemanha. A Bavária, por exemplo, é um lugar bem conservador. Pode-se dizer até que é isso que proporciona a cena cultural daqui, acho que precede isso", segundo ele.

Sobre a vida em Berlim, o cara diz que é tudo na maior paz. "No dia-a-dia tento (em vão) aprender a língua e, afora isso, faço mais ou menos as mesmas coisas que fazia antes de me mudar". Ele também conta que não chegou a ter muita proximidade com os brasileiros que também moram na cidade: "Curiosamente tem muita gente que sabe falar português. Já estive em lugares com um italiano, um alemão e um francês e todo mundo falava português (risos). Mas brasileiro mesmo, só aqueles que chegam e vão embora logo". Devidamente apresentados ao rapaz, ouçam o seu som. Em breve, teremos mais notícias.

O álbum Induced será lançado no dia 27 de abril.

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