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Esqueça os Aviões Particulares, o Madison Square Garden É o Novo Símbolo de Status dos Maiores DJs do Mundo

Nos últimos seis meses, Hardwell, Above & Beyond, Eric Prydz e Bassnectar foram lançados no Garden. Na noite da virada foi a vez do Jack Ü tentar conquistar essa arena esportiva.

Se você mora em Nova Iork e teve a infelicidade de se ver preso em Midtown na noite de ano novo, provavelmente viu grupos deles embarreirando todas as esquinas. Eles: o tipo particular de turistas que estão na cidade para passar a noite de ano novo com o Phish no Madison Square Garden.

A olho nu, essa tribo de andarilhos de cabelos pegajosos poderia ser facilmente confundida com amigáveis turistas do Meio Oeste; os mais drogados entre eles ficam a uma agulha de distância dos encardidos punks de rua. Mas graças à querida tradição hippie de bandas jam tocarem no Garden toda noite de ano novo, o dedicado séquito do Phish criou uma peregrinação em massa para cá todo fim de dezembro. Quer dizer, até 2014.

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Conforme foi largamente noticiado no ano passado, o Phish decidiu mudar sua "phamília" para um estádio ainda maior em 2015 - a Arena American Airlines de Miami. Isso deixou o Madison Square Garden à disposição pra quem pegasse. Quem pegou foi o Jack Ü, o leviatã de palcos principais da dance music formado por Skrillex e Diplo. Se alguém iria reclamar o trono vago da noite de ano novo do Garden, só poderia ser o maior romance de brous do mundo da dance music.

O Phish no Madison Square Garden em 2011 (Foto por Dave Vann)

Alguns dos fãs do Phish não gostaram. Na verdade um deles, um redator da seção de música da PolicyMic, ficou tão chateado com a mudança que escreveu uma postagem de blog intitulada "Diplo e Skrillex não são capazes de fazer o que o Phish faz toda noite de ano novo".

Nós vamos te poupar da leitura. A essência do artigo é algo assim: o Phish lotou sua sequência de três ou quatro shows no Garden desde 2010. Eles normalmente esgotam 72 mil ingressos em menos de 10 minutos. Por outro lado, o Jack Ü nunca esgotou os ingressos. Portanto: "O EDM pode não ser o inegável futuro da música que muitos pensam que seria". Ah e também: "Não importa se o Phish é relevante hoje como fora um dia, é reconfortante saber que ainda existe uma recompensa maior para os instrumentos de verdade do que para os DJ sets".

Ignorando a bobagem do "DJs não tocam instrumentos de verdade", que você já ouviu do seu tio careca entre uma e outra garfada de tender, vamos seguir logo para alguns dos fatores que causaram este pensamento redutor totalmente discutível de "o Phish detona! O EDM é uma merda!".

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Primeiro, há o fato de que a casa não tem um número fixo de cadeiras. Promoters espertinhos às vezes eliminam seções inteiras para poder dizer que o show teve os ingressos esgotados, por razões promocionais. Não estou dizendo que o Phish faça isso. Estou dizendo que "Madison Square Garden esgotado" nem sempre significa isso mesmo.

Segundo, o Phish vem tocando por quase três décadas. É mais tempo do que Skrillex e Diplo juntos. É mais tempo do que o Skrillex esteve vivo. Isso significa que a base de fãs do Phish se estende por várias gerações, e que eles tiveram tempo de construir um séquito extenso e extremamente leal. Em comparação, o Jack Ü é um grupo relativamente novo, formado há menos de 2 anos e adorado por uma subseção de pessoas que (vamos lá, vamos encarar isso!) nasceu durante ou depois da gestão Clinton.

Terceiro, a questão da competição. Os fãs de bandas jam têm poucas opções além do Phish no Madison Square Garden se eles quiserem festejar o ano novo em uma gloriosa torrente de confete, fumaça roxa e espetáculo exagerado. Mas 31 de dezembro é a principal noite de festa para o pessoal da dance music. Esse ano o Jack Ü teve que competir com o Disclosure no Pier 94, com Sebastian Ingrosso no Marquee, com a maratona de 36 horas de techno do Output, e com incontáveis raves de armazém. Na verdade o hit do Jack Ü "Take Ü There" provavelmente foi tocado em todos esses lugares. Em outras palavras, os fãs da dance music estavam como um fetichista de pés em uma loja de calçados: oprimidos por tantas escolhas.

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Então vamos pular para a verdadeira questão aqui, que é o Madison Square Garden ter se tornado o mais novo símbolo de status para os DJs de elite com sede de aceitação no mainstream. Ao longo dos últimos seis meses, uma sequência de artistas de dance high-profile foram lançados no Garden, incluindo Hardwell, Above & Beyond, Eric Prydz e Bassnectar. (Armin Van Buuren, Markus Schultz e vários outros também tocaram lá nos últimos anos). Desse grupo só Armin, Bassnectar e Above & Beyond conseguiram lotar a casa. Outro artista de ponta, Steve Aoki, teve que silenciosamente reagendar seu show no Garden em julho, após problemas com a data de lançamento do álbum e supostas vendas tímidas de ingressos.

De acordo com as equipes, tanto do Skrillex quanto do Diplo, tocar no Garden era pra ser um momento divisor de águas - um sinal de que o "EDM" finalmente alcançou as ligas maiores (por acaso, quanto tempo faz que as pessoas vêm dizendo isso?). Andrew McInnes, um parceiro na firma de empresariamento do Diplo, TMWRK, admitiu para o Wall Street Journal que eles estavam perdendo dinheiro ao não tocar em algum mega clube de Las Vegas na noite de ano novo. Mas que tocar no Garden dava a Skrillex e Diplo algo muito mais valioso: cachê cultural. Além disso eles poderão levantar dinheiro de outras formas, por exemplo com toda a cobertura positiva da máquina midiática de Nova Iork, que normalmente rende cachês maiores para os DJs quando eles saem em turnê. Finalmente, o empresário do Skrillex, Tim Smith, colocou da melhor forma: "É mais pelo simbolismo do que pelos negócios".

Mesmo assim, talvez o fã do Phish tenha um ponto, apesar de seu rancor. O fato de o Jack Ü ter falhado em esgotar os ingressos no Garden é um sinal de que a música de DJ não se adequa completamente às arenas gigantes. Por conta de seus rígidos arranjos de cadeiras e suas pistas de dança relativamente pequenas, os estádios se encaixam melhor para gêneros como rock, pop, country e para o Show de Cães do Kennel Club de Westminster - enquanto os  DJs precisam de espaço para o seu público dançar. Foi por isso que a dance music desabrochou nos festivais, clubes e raves e não nos estádios. Se os DJs agora pretendem conquistar arenas esportivas de massa como o Madison Square Garden, eles estão jogando um jogo totalmente novo. E terão que derrotar os competidores, alguns dos quais não levarão isso numa boa. Aparentemente, isso inclui os Phisheiros.

Michelle Lhooq por acaso é versada em sinais de mão secretos do Phish - @MichelleLhooq